Segunda-feira, 24 de Junho de 2019
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Série Nacional 100 anos: Histórias do clube geram polêmicas e indgnações

Quinto capítulo da série em homenagem ao centenário do Nacional aborda os embates do clube que foram além das quatro linhas



1.jpg Homenagem ao Nacional Futebol Clube gera polêmicas
13/11/2012 às 10:53

É supostamente impossível completar 100 anos de glórias sem se envolver em grandes polêmicas. Longe de ser uma exceção diante desse raciocínio, o Nacional tem sua história manchada pelo excesso de triunfos questionáveis, definidos fora das quatro linhas ou por critérios no mínimo suspeitos. O “Tribunaça”, os “rankings salvadores” e a revolta dos adversários são o tema deste quinto capítulo da série sobre o centenário nacionalino.

A primeira polêmica que se tem registro envolvendo o Leão da Vila Municipal é a do Rio-Nal decisivo de 1939. O jornalista e historiador Carlos Zamith ainda era uma criança, mas assistiu à partida no Bosque Municipal e foi quem relatou o episódio. O jogo era acirrado e estava com o placar de 4 a 4 até os 30 minutos do segundo tempo, resultado que dava o título ao Rio Negro, quando o árbitro Tácito Moura marcou um pênalti discutível a favor do Nacional.

Contrariado, o técnico rionegrino Cláudio Coelho entrou em campo, segurou a bola e impediu a cobrança, alegando que não houve infração. A discussão se estendeu sem consenso e foi para o tribunal, onde foi definido o recomeço da partida nas mesmas condições até a interrupção.

Sendo assim, Pedro Sena, do Naça, cobrou a controvérsia penalidade com sucesso. O Galo ainda empataria a emocionante partida em 5 a 5, mas Emanuel marcou o gol do título para o Nacional nos segundos finais da decisão.

Um capítulo mais polêmico da rivalidade entre Rio Negro e Nacional aconteceria seis anos depois. E a consequência foi bem mais grave. O Olímpico Clube, hoje extinto, descobriu que o Naça utilizou em sua campanha o jogador Canejo de forma irregular, o que foi reconhecido no tribunal desportivo. “Mas o Nacional se mexeu, porque queria disputar o título com o Rio Negro. O representante da CBD (Confederação Brasileira de Desportos) aqui em Manaus era membro da diretoria do Nacional, ai o negócio acomodou”, lembrou Zamith.

Em resumo, o Nacional foi registrado como campeão estadual de 1945. Indignados com a reviravolta, os dirigentes rionegrinos, com adesão de atletas e grande parte da torcida, suspenderam as atividades do clube no âmbito do futebol, num afastamento que perdurou por nada menos que 14 anos. Apesar do título de 1945 constar para o Naça, os “Barriga Preta” se consideraram os verdadeiros campeões daquele ano.

De volta ao futebol em 1960, o Rio negro não demorou muito para reclamar de uma nova injustiça durante um clássico com o arquirrival. Na decisão de 1962, o árbitro Dorval Medeiros expulsou o atacante Lacinha, do Nacional, aos 16 minutos do primeiro tempo. A diretoria nacionalina interrompeu a partida para protestar, entrou em um acordo com os diretores do Galo e o árbitro e foi decidido que o atleta expulso seria substituído.

Mesmo com a decisão absurda, o Rio Negro venceu por 2 a 1 e foi campeão pela primeira vez após o retorno. Vale ressaltar que o gol marcado pelo Nacional foi bastante contestado. Isso porque o chute de Jaime Basílio, aos 26 minutos do segundo tempo, bateu na trave e no solo, gerando dúvida se a bola entrou ou não. No dia seguinte, conforme constatou Zamith em seu blog, os jornais consideraram, ironicamente, o árbitro Dorval Medeiros como autor do gol.

Dez anos depois, em mais um Rio-Nal que definiria o campeão amazonense, outra divergência com fatores extra-campo ficou marcada na história. Recusando-se a aceitar arbitragem local na final, o Naça resolveu não entrar em campo. “Naquela época, talvez por excesso de fanatismo, não coloquei o time em campo. E o fanatismo às vezes leva a pessoa a tomar atitudes emocionais”, reconheceu Manoel do Carmo, o Maneca, presidente do clube na época.

O Nacional ainda tentou recorrer junto ao Conselho Nacional de Desportos (CND), mas o “Tribunaça”, termo inventado pelo comentarista esportivo Luis Saraiva Nogueira, em meados de 1968, não teve efeito novamente.

Diabo injustiçado

O ano era 1994 e o futebol amazonense vivia uma de suas piores fases. Apenas quatro equipes participaram do Campeonato Amazonense daquele ano e a luta era para garantir uma vaga na Série C do ano seguinte. Nos pênaltis, o América derrotou o Nacional na decisão e foi campeão, porém, a utilização de um jogador irregular deu início a um pesadelo para o lendário Amadeu Teixeira, então técnico do Mecão.

Reforço para a zaga, Marcos Vinícius foi o pivô da situação. A transferência do atleta não chegou em Manaus a tempo das inscrições, mas segundo Artur Teixeira, filho de Amadeu e jogador na época, existiu uma ressalva. “Meu pai inscreveu o cara e obteve autorização por meio de um ofício. Mas, depois do título, o América foi considerado campeão irregularmente”, lembrou Artur.

Segundo colocado, o Nacional não perdeu tempo e solicitou a vaga direta para a disputa da terceira divisão brasileira. A princípio, o clube chegou a ser considerado campeão no lugar do América, mas uma ligação do advogado desportista Valed Perry foi o começo de uma reviravolta para Amadeu Teixeira. “Não demorou muito e ele (Valed) ligou dizendo que nós poderíamos comemorar, porque o título era nosso”, recordou Artur.

De acordo com Artur, o advogado ainda acenou com a possibilidade de o América entrar no Campeonato Brasileiro de 1995, o que foi dispensado por Amadeu Teixeira. “Ele só queria o título. Só vi meu pai chorando três vezes na vida, uma foi nessa vez e outras em mortes de familiares. O América foi campeão de fato e de direito", ressaltou Artur. Frustrada e endividada com o futebol, a família Teixeira hoje está afastada do esporte, sem previsão de retorno.

Critério do ranking e briga com o Fast

De todos os adversários supostamente prejudicados por influências extra-campo do Nacional, talvez nenhum seja mais frio e direto que o Fast.

Beneficiado pelo inusitado ranking nacional de clubes, o Naça herdou a vaga do representante de Roraima na Série D do Campeonato Brasileiro de 2011, fato considerado injusto e desonesto pelo Rolo Compressor, segundo colocado na tabela geral do Estadual na época e no ano anterior.

Na ocasião, o Fast ainda tentou recorrer ao Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD), que deu provimento ao recurso do clube, mas medidas cautelares enviadas pela Confederação Brasileira de Futebol (CBF) fizeram o presidente do STJD, Rubens Approbato, decidir pela permanência do Leão da Vila Municipal na quarta divisão, mesmo o clube estando eliminado àquela altura.

Magoado com o resultado do episódio, o vice-presidente do Fast, Cláudio Nobre, preferiu não relembrar o caso, mas não poupou críticas ao Nacional. “A situação não deu em nada. A respeito disso, é o histórico do que é o Nacional, infelizmente. Passar por tudo e por todos custe o que custar. De 100 anos, acho que em 85 o Nacional foi desse jeito, passando por cima de todos com esses métodos”, disparou. “Eu quero que o Nacional tenha muitas glórias, mas que mude a mentalidade”.

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