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Skate: Terapia para crianças sobre rodinhas

A prática do esporte tem ajudado crianças a superar variados problemas de ordem emocional, neurológica, psicológica e até comportamental 16/06/2013 às 09:45
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A Escola Pedagógica de Skate funciona a um ano e meio no Magdalena Arce. O projeto beneficia mais de 200 crianças e jovens de origem humilde
Paulo Ricardo Oliveira Manaus, AM

Dentre as várias utilidades, o skate também exerce a função terapêutica. O exercício de saltos e manobras sobre a base com quatro rodinhas tem ajudado crianças a superar variados problemas de ordem emocional, neurológica, psicológica e até comportamental. Alisson Will Vieira, de 10 anos, passou 15 horas além do tempo programado para nascer por negligência médica. Faltou-lhe a oxigenação para o cérebro que lhe deixaram complicações neuropsiquicas graves: tremores, falta de coordenação motora, agitação, dificuldade de concentração.

Quando levou o filho a tratamento, o microempresário Francisco Vieira, 38, o médico lhe indicou a prática de esportes. Influenciado por um tio, o menino iniciou o aprendizado das técnicas na Escola Pedagógica de Skate, levada a cabo no Centro de Convivência Magdalena Arce Daou pelo professor de educação física e skatista “das antigas”, Ney Metal. A partir de então, Alisson teve reduzido o tremor, a insegurança, o medo, e ainda melhorou significativamente  a capacidade de se concentrar. Aquele menino tímido, que funcionava à base de remédio tarja preta saiu de cena. O skate deu vida a um garoto inteligente, falante, sem medo de arriscar na pista.

“O skate foi um achado para o problema dele. Ajudou a desinibir. Hoje faz manobras de 360 graus, 45 graus. Ele tomava remédios fortes, que, com o tempo, não surtiam mais efeito. Andar de skate foi a terapia. Hoje a única dificuldade é que ele tem um sono muito agitado. Mas até isso já está passando. Quando ele chega muito cansado, dorme que é uma beleza. Temos de gastar energia”, explica o pai, que sofreu bastante até chegar ao diagnóstico correto do problema.

Beneficiando 200 crianças

A Escola Pedagógica de Skate funciona a um ano e meio no Magdalena Arce. O projeto beneficia mais de 200 crianças e jovens de origem humilde. O tratamento social dado à escola era um sonho alimentado havia muito tempo por Ney Metal, ele própria vítima de uma infância sofrida. “Perdi meu pai quando tinha oito anos. Tive que me virar desde cedo. Até fui seduzido pelo tráfico, mas minha parada era o skate, que preza pela liberdade. Eu sei o que cada membro da escolinha sente, quais as dificuldades de cada um, quais as qualidades”, enumera o coordenador.

Não é só entrar para escolinha e andar de skate. Há toda uma metodologia trabalhada no projeto, que inclui a discussão de temas transversais para a discussão, acompanhamento pedagógico, psicológico e o envolvimento dos pais no processo. A psicóloga do Centro, Sandra Lima, aponta a ação multidisciplinar da iniciativa como um dos pontos fundamentais para dar resultados positivos.

“Trabalhamos aqui as relações interpessoais, o sentido de grupo, a abordagem pedagógica dos temas. Isso tem dado um resultado satisfatório. Ainda mais para os casos de problemas psicológicos, comportamentais. A participação dos pais é essencial nesse processo”, explica a especialista, para quem o skate tem funcionado como instrumento pedagógico bastante útil.

Outro exemplo de evolução no comportamento e na cognição é Jhonatan Veiga da Silva, de 12 anos, diagnosticado com hiperatividade e dificuldade de concentração e problemas de aprendizado.

Tia e responsável pelo garoto, Auxiliadora Trindade, 44, serviços-gerais do Detran-AM, disse que a maior dificuldade era dormir e evoluir no aprendizado. “O Jhonatan tinha um sono muito complicado. Não dormia e não deixava ninguém dormir. Nas escola ele ficava inquieto e os professores diziam que ele atrapalhava os outros. Ele melhorou muito graças ao skate”, destaca Auxiliadora.

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