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Esportes
Através do esporte

Pessoas doam tempo, conhecimento e afeto para transformar vidas através do esporte

Projetos sociais utilizam o esporte como ferramenta de inclusão social de crianças e jovens 11/12/2016 às 15:44 - Atualizado em 11/12/2016 às 16:28
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Phillipe Carvalho conduz Projeto Social da Academia Força e União (Foto: Antônio Lima)
Jéssica Santos Manaus (AM)

O que você faria para ajudar o próximo? O natal está chegando, época de fraternidade e generosidade, então, vamos conhecer pessoas que doam tempo, conhecimento e muito afeto para mudar a vida de crianças e jovens através do esporte.

Frank Ney Lopes, 37, teve uma infância difícil, e o esporte o ajudou a encontrar o seu caminho na vida. Hoje, Frank é professor de educação física, triatleta e, também, se dedica a contribuir com crianças carentes do seu bairro, para que elas conheçam os esportes, e tenham um futuro melhor.

Frank veio de uma família humilde, como a de muitos brasileiros. “Não tive infância, trabalhei desde os meus oito anos, quando capinava o quintal dos vizinhos e vendia salgados na rua para comprar meu material escolar”, disse. Foi quando ele conheceu o esporte. “Comecei a nadar, a correr e não parei mais; fui para o triathlon e, para completar, minha formação é em educação física. Amo o que eu faço, e o esporte não sai mais da minha vida”, disse Frank.

Ele mora há 25 anos no bairro Santa Etelvina, e quando não tinha carona para ir e voltar dos treinos de natação na Vila Olímpica, ia correndo, já que não tinha dinheiro para o transporte. Eram 15 km de distância. “Nunca deixei de ir treinar, mesmo com dificuldades, e passo isso para as crianças do projeto que ajudo, no meu bairro”, disse.

Projeto Social

Frank Ney Lopes realizou, junto com os seus amigos, um triathlon solidário, neste domingo (11), na Ponta Negra, para arrecadar brinquedos para serem doados para as crianças do projeto social que ele ajuda, no bairro Santa Etelvina, Zona Norte de Manaus. “Convidei meus amigos, e todos os triatletas se envolveram para apoiar o projeto. Fiquei muito feliz porque, além de tudo, tivemos a doação de 100 brinquedos feita pelo Nova Era Atacado”, disse Frank.

Mais de 100 crianças fazem parte do projeto ‘A luz do Senhor’, da comunidade Santa Teresa, no bairro Santa Etelvina. “Meus filhos participaram desse projeto, e hoje são atletas; eu também passei por um projeto social quando era criança, e isso me ajudou, então valorizo muito qualquer contribuição para os jovens”, disse ele.Triatletas se uniram para apoiar Projeto Social de Frank (Foto: Divulgação)

O projeto apoiado por Frank existe há 4 anos, e foi iniciado pela tia Rose, para auxiliar crianças de 4 a 13 anos, oferecendo aulas de reforço gratuitas, duas vezes por semana, e também a leitura da bíblia. “O objetivo é tirar essas crianças da rua, não deixando que elas tenham tempo ocioso para fazer coisas erradas”, destaca Frank.

Frank é professor de educação física e, hoje, também ajuda no projeto. “Prometi que quando eu fosse graduado, iria ajudar com as atividades físicas e, hoje, acontece isso, ajudo da maneira que posso”, disse ele.

Além de colaborar ministrando aulas de educação física para as crianças do projeto, Frank fez mais, e planejou um dia dedicado a elas, e esse dia será 18 de dezembro.  Será uma manhã repleta de atividades de lazer. “Terá café da manhã, gincanas, brincadeiras, almoço e, no final, a aguardada entrega dos brinquedos”, disse ele.

A luta por um futuro melhor

O professor de jiu-jítsu Phillipe Carvalho, 33, e o professor Paulo Guilherme (Chico), 63, conduzem um projeto social da Academia Força e União, na Zona Centro-Sul de Manaus“O projeto social surgiu apenas em 2013, quando uma de nossas filiais, em Boa Vista, passou a ter a turma regular (para pagantes) e a turma para crianças carentes, com aulas gratuitas. Eu passei a atuar com o mesmo propósito em Manaus, quando criei esse projeto Jiu-jítsu para todos”, disse Phillipe.

A Academia Força e União existe há mais de 20 anos, e tem filiais em cinco países. Na filial de Manaus, a academia possui três horários de aula, sendo o primeiro horário voltado ao projeto Social Jiu-Jítsu para todos, que atende 53 crianças com idades entre 3 e 12 anos. Algumas das crianças do projeto possuem síndrome de down ou TDAH (transtorno de déficit de atenção e hiperatividade). “As crianças chegam aqui muito agitadas, mas vejo que, aos poucos, vão se tornando mais calmas e obedientes, só que não dá para exigir demais delas, pois são crianças", disse Phillipe.

"Será possível dar a estes jovens uma nova perspectiva de vida. Nosso propósito é mudar drasticamente as estatísticas negativas para eles. Nosso intuito é aumentar a qualidade de vida e a integração destes jovens à sociedade através do esporte”, ressalta Phillipe.

Phillipe também lembra a importância de evitar a marginalização de crianças e jovens de classes sociais mais baixas. “Projetos sociais como o nosso são um meio para que nossas crianças e adolescentes não se envolvam com a criminalidade e com as drogas, trazendo-os para o convívio social e afastando-os da ociosidade, mostrando-lhes as possibilidades de praticar um esporte que eleve a sua auto-estima e que não incite a violência, pois o lema do jiu-jítsu é ‘Não brigue, Lute’”.

Neste fim de ano, a turma do projeto da Academia Nova União também teve sua confraternização, com entrega de diplomas e troca de faixas pelos méritos dos alunos.

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