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VENCEDOR

Superando dificuldades, lutador amazonense busca dar orgulho a Novo Aripuanã

Em meio a dificuldades, noites dormidas no tatame da academia e falta de patrocínio, Renato Valente brilha no MMA mexicano 09/07/2017 às 10:00
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Índio vai disputar o cinturão do Xtreme Fighters Latino (XFL), no México, em agosto. (Foto: Divulgação)
Valter Cardoso Manaus

Novo Aripuanã é um  município localizado a 225 km de Manaus, e cheio de histórias para contar ao mundo. O nome vem de uma lenda indígena, onde dois povos rivais que se uniram para criar uma nova tribo, sem brigas e em paz. Entre o mito e a realidade, mais um índio segue fazendo história carregando o nome da cidade.

Renato Valente Alves tem 24 anos, é aripuanense e carrega com orgulho o apelido de Índio enquanto defende o nome do município dentro dos octógonos. Com um cartel de quatro vitórias no profissional e 10 no amador, o amazonense vem brilhando no mundo das artes marciais mistas. 

Mas este é apenas a metade de um caminho iniciado aos 12 anos. Com o passar do tempo, o município, com 21 mil habitantes, começou a ficar pequeno para os grandes sonhos do Índio. Pouco depois, nem mesmo cidades maiores conseguiram ser do tamanho da sua vontade de vencer. “Como muitos meninos do interior, saí da minha cidade em busca de oportunidade em Manaus. Trabalhava, estudava e treinava. Entrei para a faculdade de engenharia mecatrônica. O desejo  de ser um campeão de MMA me levou a deixar a faculdade, família e amigos para ir em busca do meu sonho. Fui para o Rio de Janeiro com a cara e a coragem. Dormi dias no chão de uma academia. Aliás, até hoje, porque nos últimos meses, o tatame tem sido a minha cama também aqui no México. Sai da minha cidade, Estado e agora, do meu País, em busca de oportunidade”, revelou o Índio.

Com mais de 5 mil km separando sua terra natal do país mexicano, venceu no último mês o atleta local Miguel Velasquez, na luta principal do XMA 6. O preparo do atleta amazonense, da Academia Rio Fighters, para o evento envolveu uma dura rotina de treinos, em média cinco treinos diários, modalidades de artes marciais como, muay thai, kickboxing, jiu-jitsu, wrestling. Lutando fora e dentro do octógono o amazonense segue pronto para fazer história. E o campeão já tem um novo desafio pela frente. Dia 19 de agosto disputará o cinturão, na categoria 77,1 kg, no XFL (Xtreme Fighters Latino), o maior evento de MMA do México.

 “Grandes sonhos exigem grandes sacrifícios e não pensei duas vezes. Não seria feliz se escolhesse outra profissão. Mesmo com os desafios que nós lutadores passamos, com a falta de patrocínio, eu espero por dias melhores e faço grandes sacrifícios para isso. A mudança foi ser mais focado e determinado na busca de um futuro melhor para a minha família. A pior mudança foi estar longe deles. Hoje eu vivo e respiro treino. Tenho uma rotina bem regrada e sei da responsabilidade que tenho com todos aqueles que acreditaram e acreditam no meu trabalho. A minha vida hoje se resume a treinos”, comentou.

Filho de Novo Aripuanã, Renato não esquece as raízes e pretende voltar para o município e ser um exemplo para as novas gerações do esporte. “Espero poder dar muito orgulho para a minha cidade. Espero voltar a morar lá, ter um projeto de MMA voltado para crianças. A primeira coisa é: se você tem um sonho, lute por ele, mesmo que as dificuldades falem mais alto. Pode ser que algum dia ganhe muito dinheiro com o esporte, mas pode ser que não. A falta de patrocínio é uma grande dificuldade, mas tendo o apoio da família, dá para seguir em frente também. O importante é não desistir, tentar e trabalhar naquilo que ama. Não pensei em outra profissão a não ser lutador. Eu amo o que faço”, finalizou Renato Valente, o Índio.

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