Publicidade
Esportes
ESporte em prol da vida

Atividade esportiva é benéfica para crianças no combate ao TDAH

Crianças que sofrem de Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade têm bom desempenho quando praticam esporte 21/11/2016 às 16:18 - Atualizado em 21/11/2016 às 16:23
Show kajua
Simone Ribeiro é mãe de Rodrigo, 6, e Carlos Eduardo, 4, ambos no TDAH. (Foto: Evandro Seixas)
Jéssica Santos Manaus (AM)

O Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH) se caracteriza por sintomas de desatenção, inquietude e impulsividade. Psicólogos e pedagogos acreditam que a melhor opção para ajudar crianças com o transtorno seja acrescentar o esporte à rotina delas.

O futebol para a disciplina

Belchior Bisneto, de 10 anos,tem TDAH. Segundo sua mãe, Priscila, a criança sempre foi agitada e tinha dificuldades de manter a concentração. “Eu percebia que meu filho apresentava sinais de hiperatividade, assim como o pai dele, e de déficit de atenção, principalmente”. Foi quando Priscila ouviu da dona Maria José Brasil, pedagoga e avó do filho, que seria bom para ele fazer um esporte.

“Ele sempre quis ser jogador, e eu vi logo que o esporte o ajudaria a se concentrar, a ter mais disciplina, porque em casa eu tinha que falar 30 mil vezes, para ele me ouvir, e depois de eu colocá-lo no futebol, melhorou muito”, disse Priscila.

“Quando começou a fazer esporte, ele mudou 100% na escola, no reforço escolar, e em casa. Foi a união da paciência e orientação da família, dos estudos e do esporte, que ajudou meu filho a ficar mais tranquilo e a assimilar melhor as coisas”, completou Priscila. 

No início, a mãe de Belchior precisava ficar chamando sua atenção para que ele ouvisse as orientações do professor sem distrações, mas depois Priscila notou a melhora do filho. “Com esporte foi perfeito, ele gasta a energia e, hoje, consegue ouvir o professor, consegue sentar e prestar atenção ao que dizem, em qualquer lugar. Ele ainda é agitado, mas teve uma melhora incrível”.

“Eu sinto que o futebol me deu muita disciplina, eu sempre gostei, e meu pai me incentivava a fazer esporte. Antes, eu não tinha nada para fazer em casa, ficava brincando sozinho, e era um pouco chato. Agora eu aprendi a jogar, a ouvir o professor, e quando chego em casa, já estou cansado, com os pés doendo (risos)”, disse Belchior.

O Jiu-jitsu para extravasar

Simone Ribeiro é mãe de dois garotinhos que, segundo ela, apresentam hiperatividade e déficit de atenção. Eles são o Rodrigo, de seis anos, e o Carlos Eduardo, de quatro. Os meninos foram diagnosticados por um psiquiatra com o transtorno TDAH, e tomam remédio controlado diariamente.

"Mesmo com o medicamento, eles continuam agitados, e há três meses começaram a fazer jiu-jítsu, e eu notei claramente que o Rodrigo está mais centrado depois de iniciar no esporte, faz alguns movimentos que o professor pede, e o Carlos ainda continua com as mesmas dificuldades, quer bagunçar, até por ser muito novinho, então ainda não notei evolução nele, mas os dois gastam aqui no treino aquela energia que fica sobrando", disse a mãe dos meninos.

O professor de jiu-jítsu dos dois, que conduz o projeto social da Academia Força e União, Phillipe Carvalho, falou de como é trabalhar com crianças com TDAH. "O Carlos e o Rodrigo, assim como outras crianças, chegaram aqui de uma forma muito eufórica, e nós exigimos melhorias na escola, e o feedbacks dos pais, para saber como eles estão se comportando em casa. Hoje, eu noto uma melhora de mais de 70% no Rodrigo, que já é uma criança mais calma, que respeita, e o Carlos é mais agitado, mas são meninos que treinam, aprendem alguns golpes, e até participam de competições, mas não dá para exigir 100% deles, afinal, são crianças".

O professor disse que faz no início do treino um aquecimento com movimentos próprios do jiu-jítsu, que serve para aquecer e relaxar, então começa a baixar a adrenalina, a cansá-los uma pouco, e eles começam o treino mais calmos. Eu deixo o Rodrigo e o Carlos brincarem, mas começo a colocar regras, dizendo para eles que depois devem seguir o treinamento. Assim eles começam a assimilar que dá para brincar e aprender também.

O Krav Maga para a auto-estima

Marlene é mãe de duas meninas, e a mais nova, Brenda, de 12 anos, desde pequena demonstrava ser bem diferente da irmã. “Ela não parava um minuto, estava sempre correndo, e caía muito”, notava Marlene.  Aos 9 anos, na 4ª série, os professores identificaram que Brenda tinha dificuldade de acompanhar as aulas.

Na escola, eles a apoiaram e a encaminharam para a psicopedagoga e, também, a uma neurologista, e as duas profissionais diagnosticaram Brenda com TDAH.  Foi quando a criança começou a ir à psicóloga, que a aconselhou a iniciar algum esporte.

“Ela começou fazer o Krav Maga (técnica que visa a legítima defesa) e, hoje, a Brenda é outra criança, graças ao esporte, aliado ao colégio, à coach que a acompanha, e ao reforço do CEPED, que foi outra benção na vida dela”, disse a mãe, Marlene.

Segundo Marlene, não foi fácil para Brenda ter a coragem, equilíbrio corporal e a paciência que o Krav maga exige. “Ela teve muita dificuldade no início, e o Krav ajudou muito, pois ensinou exercícios que requerem muita atenção”.

Brenda pratica a arte Krav maga há pouco mais de um ano, e o momento mais legal para mãe e filha foi quando Brenda mudou da faixa branca para a amarela no Krav maga. “Foi muito emocionante porque ela não achava que fosse conseguir”, disse Marlene.

No exame, Brenda teve que demonstrar todos os exercícios que aprendeu nas aulas. Marlene conta que a filha melhorou muito depois de todas as atividades que faz. “A Brenda se tornou uma criança calma, concentrada e desenvolveu disciplina nos estudos. Ela também demonstra ter mais confiança em si mesma, tanto que ela e uma amiga fizeram, na semana passada, a abertura das apresentações do colégio no teatro. No passado, ela jamais iria”.

As crianças citadas nesta reportagem estudam no Centro Pedagógico de Estudo Dirigido (CEPED). É um reforço escolar que vai além das tarefas de casa. Os alunos contam com terapia ocupacional, gincanas e aulas lúdicas para estimular o aprendizado e socialização.

O Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH) tem causas genéticas, aparece na infância e frequentemente acompanha o indivíduo por toda a sua vida, segundo a Associação Brasileira do Déficit de Atenção. Estima-se que haja a prevalência do TDAH em torno de 3 a 5% da população mundial.

Estratégias para aulas de esportes para crianças com TDAH 

Pessoas com TDAH têm condições de fazer qualquer coisa na vida, salvo, é claro, limitações particulares de cada um, como em qualquer ser humano.
Ajude a pessoa com TDAH a desenvolver autodisciplina, (usando os recursos terapêuticos existentes e eficazes) para que ela possa se envolver em algum esporte de forma saudável para sustentar a disciplina, autocontrole e autoestima, por longo prazo.

À primeira vista, esportes individuais e sem contato, costumam ser os mais recomendados para pessoas com TDAH. Isto não significa que não possam ou não devam praticar esportes coletivos e de contato, porém, os desafios nestes tendem a ser maiores.
 

Publicidade
Publicidade