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Esportes
PERSEVERANÇA

Medalhista nos EUA, nadador amazonense de 12 anos sofre com a falta de apoio no esporte

Pedro Afonso é apontado como uma das promessas da natação brasileira em sua categoria. Ele já trouxe três medalhas de uma competição nos EUA, berço da natação mundial, mas tem dificuldades para continuar treinando 29/01/2018 às 07:10 - Atualizado em 29/01/2018 às 14:45
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Pedrinho vive num bairro isolado e sem estrutura. Com o acidente com o carro do pai, não tem conseguido levar os treinamentos à diante desde que voltou (Foto: Antonio Lima)
Leanderson Lima Manaus (AM)

Para chegar à casa do nadador Pedro Afonso, de 12 anos, é necessário usar um aplicativo de mapas. Mesmo assim não é uma tarefa nada simples. Fácil mesmo é se perder na imensidão de Santa Etelvina, um dos bairros mais populosos e precários de Manaus, localizado na Zona Norte da capital amazonense. É lá que Pedro vive com os pais e os três irmãos. 

A casa é bem simples. As paredes da fachada ainda estão em cimento cru. Também há poucos móveis. O motivo? Seu Josimar explica: “vendemos quase tudo que tínhamos para que ele pudesse continuar competindo. Ficamos com um fogão de duas bocas e esta geladeira velha porque ninguém quis”. É! Não tem sido fácil para a família manter o garoto competindo. O pai está desempregado, e a renda da casa vem da mãe, dona Kelly Adriane, que trabalha em uma escola de idiomas.


Família é o porto seguro de Pedrinho (Foto: Antonio Lima)

Salto para o futuro

Depois de brilhar na disputa do Norte/Nordeste de Natação, no ano passado, Pedro foi convocado pela seleção brasileira para disputar a Uana Cup – campeonato que reúne jovens promessas da natação de vários países. A disputa ocorreu nos dias 19, 20 e 21 deste mês na cidade de Coral Springs, no condado de Broward, na Flórida, Estados Unidos, berço da natação mais competitiva do planeta. 

E como arrumar dinheiro para ir à terra do Tio Sam? O jeito foi correr atrás. E muito! Sem apoio de nenhum órgão do poder público, a família organizou rifas, uma feijoada, contou com ajuda de parentes e alguns empresários - Bibi Estaleiro, Mercado Barateiro, Laboratório Vital Brasil e Wizard DI. Ainda assim o caminho foi longo: o primeiro pedido de visto para o garoto entrar nos EUA foi negado. Seu Josimar, então, teve que ir ao consulado para uma nova tentativa, desta vez bem sucedida.

Na reta final de preparação, exatamente no dia em que a família organizou a feijoada para arrecadar fundos para a viagem, o carro de seu Josimar foi atingido em um acidente e ficou sem condições de trafegar, o que prejudicou a preparação de Pedro, já que ele não tinha mais como atravessar a cidade para treinar.
Mesmo sem a preparação adequada o menino embarcou rumo aos Estados Unidos, onde encontrou a seleção brasileira. Lá deu um verdadeiro show conquistando três medalhas. Uma de prata na disputa dos 200 metros medley e duas medalhas de ouro: nos 200metros misto e 200metros livre.

Surpresa da comissão

O desempenho surpreendeu a comissão técnica brasileira, já que se travava da primeira competição internacional de Pedrinho. “A primeira de muitas”, faz questão de ressaltar o campeão durante a entrevista ao CRAQUE.

Por tudo que nadou nos Estados Unidos os convites para defender clubes de outros estados já começaram a chegar, mas o sonho da família é poder dar a ele a chance de se desenvolver como atleta em Manaus. “Seria uma boa (defender o clube de outro Estado), mas ele só tem 12 anos. Porque até pra fechar contrato com outro clube, como ele é menor de idade, eu tenho que ir lá assinar o contrato e não temos dinheiro nem pra isso”, lamenta Josimar, que agora luta para levar o filho ao Campeonato Brasileiro de Verão, que será realizado em maio, na cidade de Santos, interior de São Paulo. “Vai ser uma nova batalha”.

Brilho nos olhos

Mesmo com todo tipo de dificuldade, o jovem campeão – que se inspira no supercampão Michael Phelps - não perde o brilho no olhar e até revela a receita para manter-se motivado. “Quando você pensa em desistir você tem que pensar na medalha. Quando sentir dor tem que lembrar que os seus adversários estão treinando duro também e, se eles não desistem, então eu não desisto também”. 

É difícil acreditar que tanta determinação caiba em um garoto de apenas 12 anos. É que Pedro não enxerga o agora. Os olhos dele miram o futuro: “Um dia eu quero disputar os Jogos Olímpicos. Eu vou lutar pra isso”.

 

Análise

Para Jefferson Mascarenhas, um dos maiores nomes da história da natação amazonense, é necessário que se dê uma atenção especial ao pequeno campeão para que ele possa trilhar uma carreira de futuro na natação. "O Pedro é sim um dos novos valores da natação brasileiro pelo menos nesta categoria – petiz. Existe uma preocupação minha – e que deveria ser preocupação de todos – de ver ele campeão lá na frente. Porque já vi outros atletas passarem por isso. Os resultados dele são excelentes, mas a minha preocupação é ele chegar mais longe. Espero que ele consiga arrumar patrocínio, ter bons treinamentos para que ele possa ter bons resultados lá na frente, no infantil, no juvenil, até chegar à seleção principal", finalizou.

 

 

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