Quarta-feira, 16 de Outubro de 2019
SAÚDE MENTAL

'Não conseguia fazer nada', revela Ketlen 'Fenômeno' sobre depressão

No mês do Setembro Amarelo, campanha de conscientização sobre a prevenção ao suicídio, o Portal A Crítica bateu um papo com a lutadora baré sobre o período longe dos octógonos



show_show_8874_99C297B9-1D95-4AEF-9F40-E0FFA2DB12C0.jpg Foto: UFC
22/09/2019 às 14:23

A vida proporciona diversas maneiras de lutar contra as adversidades, muitas vezes através de tempos difíceis e sem muita esperança ao olhar para o futuro. A lutadora amazonense Ketlen ‘Fenômeno’ Vieira passou por um desses momentos, quando teve de ‘lutar’ contra um ‘adversário’ invisível: a depressão. 

É comum lutadores de MMA realizarem ‘Camps’ para preparo contra seu futuro oponente, porém Ketlen não teve essa chance, pega de surpresa por lesão, a atleta quase foi envolvida num ‘katagatame’ (famoso golpe de jiu-jítsu em que o atleta é sufocado pelo adversário), mas conseguiu ‘raspar’ a depressão com a ajuda da família e amigos. Ao fim da luta, o braço erguido, foi o de Fenômeno.



Aos 28 anos, atualmente lutadora peso-galo da maior franquia de MMA do mundo, o UFC. Ela sofreu grave lesão em agosto do ano passado, tendo que operar o joelho e consequentemente se afastar do octógono. A atleta passou por momentos complicados no aspecto emocional e financeiro. Mas se apoiou em familiares e amigos para sair desse período delicado. Na semana passada Ketlen recebeu a notícia de que estava apta a brilhar novamente no UFC. 

No mês do Setembro Amarelo, campanha de conscientização sobre a prevenção ao suicídio, O CRAQUE bateu um papo exclusivo com a lutadora baré. Fenômeno volta a calçar suas luvas e partir para o combate em dezembro deste ano em Las Vegas, contra adversária ainda não definida. O confronto pode ser o ‘trampolim’ de Ketlen para uma luta por cinturão contra Amanda ‘Leoa’ Nunes.

Lesão no joelho

“Foi muito difícil para mim. Estava num momento muito bom na minha carreira quando machuquei, estava vindo de quatro vitórias, sendo cogitada para ser uma das desafiantes ao cinturão. Estava me preparando muito forte para lutar no UFC em Setembro (de 2018, contra Tonya Evinger no UFC Fight Night 237) e me lesionei. Então foi um balde d’água jogado em mim, fiquei muito mal mesmo”, disse. 

Apesar de ser realmente um Fenômeno dentro do octógono, Ketlen seguindo o exemplo de muitas pessoas comuns que passam por tempos difíceis, se apoiou em coisas simples, como o dia a dia com família e amigos. Provando que apesar de uma lutadora de altíssimo nível - ela está invicta na carreira, possui um cartel com dez vitórias e atualmente é a segunda colocada no ranking em sua categoria - não é preciso estar no topo o tempo todo, nem ser extraordinário 24 horas por dia, mas que acreditar em si mesmo é um grande passo para estar bem. 

“Teve tempo que eu fiquei depressiva, não conseguia fazer nada. Só assistia minhas lutas e chorava muito. Ficava pensando em quando que eu iria voltar, se eu ia conseguir voltar, fiquei muito mal. Mas com a ajuda de Deus, dos meus professores, minha equipe, da minha companheira também, minha esposa. Sempre me ajudaram. Eu sempre fui uma pessoa que tive muita fé e quando eu ficava triste, ela (Giuliany Síngred, esposa de Ketlen) sempre falava para mim que aquele era o momento de testar a minha fé, de acreditar e entregar nas mãos de Deus. Então eu confiei que tudo era para o meu bem e tudo saiu certo”, declarou a amazonense. 

Além da Tempestade

Vale lembrar sempre do clichê, ‘Após a chuva vem o arco-íris’, máxima que é confirmada por Ketlen, visto que a lutadora conseguiu tirar pontos positivos do período longe dos octógonos.

“Antes da lesão minha categoria estava meio ‘embaçada’ tinha muita gente na minha frente. Agora sou a segunda colocada no ranking, provavelmente se eu conseguir uma vitória serei a desafiante número um. Muito feliz em poder estar voltando. Com certeza estou voltando muito mais forte, com muito mais disposição e feliz de estar fazendo o que eu gosto. A cada treino eu chego sorrindo, chego feliz, acredito que tudo isso que aconteceu foi pro meu bem. Hoje eu sou uma atleta melhor, bem mais experiente também, tudo isso me fez adquirir mais conhecimento, consegui melhorar meu jogo. Com certeza eu tive muitos pontos positivos”, afirmou.

Fator financeiro

Além de não poder estar lutando, a atleta consequentemente parou de receber a bolsa pelas suas participações no UFC. Atualmente morando no Rio de Janeiro, Ketlen quase teve de retornar a Manaus, por conta da falta do dinheiro recebido pela organização. 

“Nessa fase difícil da minha carreira, contei com ajuda do Deputado Josué Neto, foi o cara que ‘segurou minha onda’ aqui (no Rio de Janeiro) se não eu tinha voltado para Manaus. Porque a gente só recebe quando luta pelo UFC. Graças a Deus, através dele consegui um patrocínio com a empresa Transire, daí de Manaus, que está me ajudando a arcar com todos meus treinamentos, com tudo que eu preciso: treinador de wrestling, de jiu-jítsu, preparação física. Tudo eles estão me ajudando agora. Sou muito grata”, comentou.

DNA Baré

Retornando ainda mais forte e preparada para novos desafios, Ketlen revelou que suas origens também a deram forças para continuar, comentou sua relação com o Amazonas e o desejo de ser a primeira campeã amazonense no UFC.

“Estou com muita mais gana de voltar, muito mais fome de vencer, de mostrar que ali é meu lugar, estar representando meu povo, o maior orgulho que eu tenho é dizer que sou amazonense e a gente tem essa raça mesmo de ser guerreiro ali. Acho que isso me motivou também, de onde eu vim. Isso me dá essa força. Me dá essa vontade de vencer, chegar lá e querer ser a melhor do mundo. Querer mostrar pro povo amazonense que eles tem uma representante com unhas e dentes para colocar o Amazonas no topo. Sempre botei na minha cabeça que ia ser a primeira amazonense a entrar no UFC e quando eu consegui coloquei na minha cabeça que seria também a primeira amazonense a levar um cinturão. Não sei se esse sonho vai se realizar, mas a única coisa que posso garantir é que vou sempre dar meu máximo. Enquanto eu tiver 1% de chance vou acreditar na minha vitória. Eu tenho pessoas maravilhosas que estão sempre acreditando em mim e daí que eu tiro forças também”.

Futuro no UFC

Ainda sem adversária definida para luta no final do ano, já é possível projetar uma disputa de cinturão para a amazonense, afinal ela é a segunda colocada no ranking da categoria e no mesmo evento em Las Vegas, a dona do cinturão peso-galo Amanda Nunes encara a holandesa Germaine De Randamie, que é a primeira na ordem de desafiantes ao título. Ketlen comentou o possível confronto diante da Leoa. 

“Primeiro tenho que pensar nessa luta de agora, mas supondo que eu vença, tenho que impor meu jogo de grappling. Temos que ver as estatísticas, as quatro derrotas que a Amanda tem no cartel dela foram no chão, sendo finalizada. Então é um fator que eu tenho que explorar, a luta de chão, luta agarrada. A gente sabe que a Amanda tem um poder muito grande de nocaute. Acredito muito no meu jogo e na minha equipe”, analisou.

News whatsapp image 2019 06 21 at 16.12.51 7cbfadd4 8d2b 47cf a09e 336b83276e71
Repórter de A CRÍTICA

Mais de Acritica.com

Sobre Portal A Crítica

No Portal A Crítica, você encontra as últimas notícias do Amazonas, colunistas exclusivos, esportes, entretenimento, interior, economia, política, cultura e mais.