Publicidade
Esportes
Craque

"Timão é a minha vida, meu amor". Marcelinho Carioca relembra o Corinthians de ontem e comenta sobre o de hoje

Com exclusividade, o eterno Pé de Anjo falou sobre sua carreira no Timão e como ele vê o Corinthians de hoje 09/11/2015 às 10:36
Show 1
Em oito anos vestindo a camisa do Timão, Marcelinho conquistou oito títulos: dois brasileiros, quatro paulistas, uma Copa do Brasil e um Mundial de Clubes da Fifa
Camila Leonel Manaus (AM)

Para qualquer torcedor do Corinthians, ouvir o nome de Marcelinho Carioca traz à memória uma época de títulos e alegrias para a fiel torcida. E não é para menos, o “Pé de Anjo” - como era conhecido pela categoria com que batia faltas, escanteios e chutava de longe – com a camisa do Timão conquistou títulos importantes. Em oito anos, foram oito títulos: dois Campeonatos Brasileiros (98 e 99)  uma Copa do Brasil (95) e quatro Campeonatos Paulistas (95,97,99,2001),  além do Mundial da FIFA em 2000.

Marcelinho Carioca nasceu no Rio de Janeiro e jogou na base do Madureira, de lá seguiu para o Flamengo, onde fez sua estreia como profissional após ser promovido por Telê Santana. Marcelinho Carioca estreou em um Fla-Flu e entrou no lugar de ninguém menos que Zico. No clube rubro-negro, ele conquistou a Copa do Brasil, em 1990, e o Campeonato Brasileiro, em 1992, além do status de ídolo da torcida.

 Porém a trajetória no Flamengo foi interrompida em 1993, quando o Flamengo o negociou com o Corinthians.Mal chegou no Parque São Jorge, Marcelinho previu: “Quero marcar minha passagem aqui. Vim para o Corinthians para ser campeão”. Mal sabia ele que a profecia se concretizaria e que o jogador viraria um dos ídolos do clube paulista.


Em 1997, ele foi negociado ao Valência, da Espanha,  mas pouco tempo depois ele estava de volta ao time do Parque São Jorge. E até hoje o sua passagem pelo Corinthians é reconhecida. Jadson, o principal jogador do Corinthians na atual temporada já citou que se inspira no ex-jogador.

Atualmente trabalhando como apresentador e comentarista esportivo, o Pé de Anjo falou com o CRAQUE sobre a carreira e sobre o time atual do Corinthians, que encaminhou o hexa campeonato nacional.

Você fez história no Corinthians, ganhou dois campeonatos brasileiros, jogando em um time conhecido pela habilidade e raça. Como é ver o Corinthians nos dias atuais com essa solidez e regularidade? O que você acha desse time?

Primeiro que eu vi um time capacitado, um treinador que se reciclou, que se preparou, se qualificou, se capacitou, é um treinador que fez a reconstrução da equipe no decorrer da competição. Ele não faz acepção de pessoas e eu vejo que ele, com todo respeito ao Dunga, o Tite é  um treinador capacitado e eu acho que dependendo dos dois jogos da Seleção contra a Argentina, em Buenos Aires, e o Peru, em Salvador, vai ter um clamor nacional em relação  ao técnico da Seleção. Além disso, a equipe com Renato Augusto e Jadson você pode ver que tem qualidade técnica , joga de forma refinada antevê a jogada, tem inteligência, tem um padrão tático uma boa defesa, meio- campo e ataque. Então o Tite é um treinador que soube valorizar as categorias de base. Ele não deixa dirigente influenciar na escalação do time, sabe lidar com pessoas. Então esse é o Corinthians. Um time diferenciado com um treinador que recuperou o Felipe que é zagueiro e lá  foi execrado e o Tite conseguiu integrar o jogador ao time, além de ser um treinador que blinda o grupo de uma forma excepcional.

Você em algumas matérias mencionou o papel do Jadson no time do Corinthians, até deu o “ISO Pé de Anjo” para ele. Como você vê a atuação dele no Timão?

Ele e o Renato Augusto são os principais jogadores.  Uma equipe que tem dois armadores com essa qualidade é meio caminho andado e ter um meia como vice artilheiro. O que falta para o Jadson é tentar mais jogadas de longa distância, tentar bater escanteio olímpico e de chutar de fora da área. Era isso que o Pé de Anjo fazia, eu procurava o gol a todo o momento.

Você começou no Flamengo , mas foi vendido contra a sua vontade para o Corinthians. Na apresentação falou que tinha ido para o Corinthians para fazer história. Em algum momento imaginou que isso realmente pudesse acontecer?

Foi a melhor coisa que aconteceu na minha vida. Corinthians é a minha vida, história e meu amor. Eu saí do Flamengo para pagar o 13° do Renato Gaúcho e do Gaúcho, que era centroavante, e eu fui para o Corinthians para vencer. Cada profissional sabe do potencial que tem e eu saí do Flamengo para o Corinthians para fazer história. Eu moro em São Paulo há 23 anos e sou o 5° maior artilheiro do Corinthians com 206 gols em 432 jogos, conquistei diversos títulos pelo Corinthians e sou um dos maiores jogadores do clube isso é, realmente, muito bom. Eu sabia que algo de bom ia acontecer, que tinha potencial e talento. Eu era o primeiro a chegar nos treinos e o último a sair. Era obcecado por título, por chutar a bola no gol. Eu sempre queria que meus gols aparecessem na televisão. Eu só não fui para a seleção porque o Vanderley Luxemburgo me sacaneou, senão teria ido para a Seleção com certeza.

Ainda acompanha os jogos do Corinthians no estádio? Como é a sua relação com a torcida corintiana?

Eu não vou. Eu hoje acompanho porque trabalho na Transamérica e fico ligado nos jogos e tenho um programa na net de 23h à meia-noite. Mas o Matheus, meu filho,  joga no Corinthians, ele pede para ir ao estádio e o pai tem que fazer um agrado para os filhos. A minha relação com a torcida é maravilhosa. De norte a sul é lindo o tratamento do torcedor corintiano e até os são paulinos, palmeirenses, santistas respeitam. Quando você tem uma história você é respeitado e quando é um exemplo de jogador, de pai, é respeitado mais ainda.


Você falou que o Corinthians é a sua vida, sua paixão. Essa paixão também passou para os seus filhos?

O Lucas joga no juvenil, ano que vem deve estar subindo para o  profissional. Ele é cabeça de área. Tanto ele como o Matheus são corintianos e é maravilhosos ver o meu filho vestir a camisa do Corinthians, e ele faz tudo com amor e dedicação e empenho, e quando você ama, você zela muito mais pelo o que faz.

A torcida do Corinthians é uma torcida conhecida como “Fiel” e sempre apoiou o time. O Corinthians tá com o título brasileiro encaminhado e qual a parcela que os torcedores têm nessa conquista?

A torcida do Corinthians é inexplicável. Só quem veste essa camisa sabe o que é ver uma torcida apaixonada empurrar o time. E agora tem o estádio. É um torcida que faz o adversário tremer. É inigualável. Eles são muito responsáveis pela força do time.

Em uma entrevista, você mencionou que não gostava de se comparar com outro jogador (após um comentarista esportivo ter comparado o meia ao jogador argentino Lionel Messi), mas que  quando jogava mantinha uma certa regularidade em campo. Como que você mantia essa regularidade dentro de campo?

Primeiro de tudo era o profissionalismo,  a perseverança e empenho. Eu estreei no profissional no dia 30 de novembro de 1988, numa quarta-feira às  21h51 em um Fla-Flu com 70.132 pessoas e nós ganhamos de 1 a 0, com  gol do Bebeto. Eu entrei com 11 minutos do 1° tempo no lugar do Zico, que tinha saído machucado,  e fui lançado pelo saudoso Telê Santana, então nessas condições só podia ser um bom sinal. E de 1988 até 2003 eu tentei ser artilheiro, bola de ouro, chegar na Seleção, ganhar títulos. Eu gostava de concentração, treinava bastante, cuidava do meu instrumento de trabalho, que é o corpo e a fome era sempre de ganhar títulos, títulos e mais títulos.

Em 2015, a arbitragem foi alvo de muitas polêmicas e por causa de erros, muita gente atribuiu alguns resultados positivos do Corinthians como favorecimento da arbitragem. O que você acha? Como avalia a arbitragem?

Eu acho que a arbitragem precisa de uma remodelação, de um crescimento, mas também tem que valorizar. As pessoas só querem cobrar e criticar. E o Corinthians não foi beneficiado por arbitragem, não. Mostrou dentro de campo. Tem o melhor ataque, defesa menos vazada, é o time que mais venceu. Não tem o que questionar. Isso é choro de perdedor.


Você vê alguma semelhança do Corinthians de hoje com o Corinthians bicampeão brasileiro de 1998 e 1999?

É diferente, não dá para comparar.  O meio-campo que nós fizemos é incomparável, o ataque também. Na defesa podia entrar um ou outro, o Gil no lugar do Batata e só. O meio de campo era o Vampeta,  Rincón, eu e o Ricardo e apesar da qualidade técnica do Renato Augusto e o Jasdon, o Ricardinho jogava demais. O Love e o Malcom não dava para tirar o Luizão e o Edilson. Foi o melhor Corinthians de toda a história.

De alguns anos para cá, o Corinthians vem sendo a principal força do futebol brasileiro, mas antes disso, passou por um rebaixamento. Porém o time conseguiu se reerguer, coisa que outros times que foram rebaixados não conseguiram. A que você atribui esse ressurgimento do Timão?

O Corinthians sempre fez isso. Tira força de onde não tem. O clube se reciclou, se reestruturou, montou um  time forte, fez um planejamento por isso que foi vitorioso desse jeito nos últimos anos.

Um dia você foi entrevistado e hoje você faz faculdade de jornalismo. O entrevistado virou entrevistador. Como surgiu essa vontade de fazer comunicação?

Hoje eu apresento um programa, o Virando o Jogo com Marcelinho Carioca, que mostra o Esporte como meio de inclusão social. Estou focado na comunicação. Estou fazendo jornalismo e serei o primeiro deportista a ter diploma de comunicador. Sou formado em educação física, fiz curso técnico de mecânica. E comecei a fazer comunicação porque estou focado nisso, vou trabalhar em televisão e estou amando.


Publicidade
Publicidade