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Esportes
As donas do pedaço!

Iranduba levou mais público pagante aos estádios que Nacional, Fast e Princesa

Em 2016, o futebol feminino tomou de assalto o cenário esportivo local e fez história 24/04/2016 às 05:00
Leanderson Lima Manaus (AM)

Esqueçam aquele clichê antiquado que insiste em afirmar que futebol é coisa de homem. No Amazonas não é assim! Se em outras capitais do Brasil o futebol feminino ainda é tradado com desprezo e boas doses de preconceito, em Manaus, a coisa é diferente graças as meninas do Iranduba da Amazônia. Aqui são elas que mandam no pedaço!
Entre os times do Amazonas, em 2016, pelo menos até aqui, ninguém levou mais público aos estádios do que elas: nada menos 8.454 pagantes em um único jogo contra o Corinthians, na Arena da Amazônia. A marca inclusive é recorde absoluto de público do Campeonato Brasileiro Feminino.

É, mas essas meninas ainda fizeram mais: elas colocaram a “macharada” de times tradicionais do Amazonas como Nacional, Fast Clube e Princesa do Solimões no “bolso”, no quesito público pagante em partidas oficiais.

Os números
Ao longo da disputa do Campeonato Brasileiro, o Hulk da Amazônia levou um total de 20.364 pagantes aos estádios em cinco partidas realizadas em Manaus, o que dá uma média de 4.072 espectadores por jogo.

Disputando Copa Verde e Copa do Brasil,  Nacional, Fast Clube e Princesa do Solimões levaram aos estádios, em cinco partidas, juntos, 15.057 pagantes, como mandantes, o que dá uma média 3.011 torcedores por partida.

Se compararmos a média de público pagante do Iranduba com um time que disputou o Campeonato Brasileiro da Série D de 2015, o Nacional, por exemplo, as meninas ainda assim sairiam vitoriosas. Nas quatro partidas que fez em casa, ano passado pelo Brasileirão, o Nacional levou um total de 16.133 pagantes, em quatro partidas. Ainda assim, em números gerais o Leão  precisaria de mais 4.231 espectadores para alcançar o Iranduba. O que “salva” o Nacional em relação à média de público é que o Leão da Vila fez uma partida a menos que o Hulk – o que faz sua média de torcedores por jogo ficar na casa dos 4.033 pagantes contra 4.072 do Hulk.

E na “gincana” de “meninos contra meninas”, as jogadoras do Iranduba ainda podem se orgulhar de não ter o pior público da história da Arena da Amazônia, o palco da Copa do Mundo em Manaus. Esta “honraria” ficou para os “meninos” do Leão  da Vila, que no ano passado levaram míseros 128 pagantes no confronto contra o Náutico de Roraima, pela Série D, quando ambos os times já estavam eliminados do certame.

'Foi uma surpresa'

A capixaba Nathane se disse surpresa com o apoio da torcida (Evandro Seixas)

A atacante do Iranduba, Nathane - que se tornou a primeira mulher a marcar um gol na Arena da Amazônia – conta que nunca imaginou ver um público com tanta identificação com o futebol feminino.

“Para mim foi uma surpresa muito grande. Eu nunca imaginei que chegaria aqui e seria tão bem recebida não só pelo clube, mas também por toda a torcida. Eu nunca tinha visto isso no futebol feminino e eu fiquei muito feliz pelo carinho que venho recebendo”, comemorou a jogadora, que é um dos símbolos da raça do Hulk em campo.

E quando o assunto é superar o público masculino... “Isso nunca tinha acontecido, acho que no Brasil inteiro. Foi uma coisa inusitada para todo mundo. Ninguém nunca imaginou um time de futebol feminino pudesse superar um público do futebol masculino. Isso para nós é gratificante e todo esse apoio é o que nos dá mais forças para correr todos os dias por resultados melhores”, disse a jogadora.
 

Cada um no seu espaço

O coordenador técnico do Iranduba, Olavo Dantas, que como treinador foi cinco vezes campeão amazonense com o Hulk faz questão de lembrar que não existe uma concorrência entre o futebol feminino o masculino. “O nosso  objetivo nunca foi concorrer com o futebol masculino. A gente entende que cada um tem que ocupar seu espaço.  É como o vôlei na década de 1980. Ele não veio para concorrer com o futebol. Veio para ocupar o  lugar dele”, ressalta. “O que queremos é ser mais um atrativo para o torcedor amazonense”.

Olavo Dantas diz que o Hulk não concorre com o futebol masculino

O dirigente também fez questão de lembrar que o Hulk tem sido, ao longo dos anos, um canal para revelar atletas de todo o Estado. “Possibilitamos, por meio do clube que atletas de Manicoré, Urucurituba, Parintins, Rio Preto da Eva e de tantos outros municípios pudessem ter a oportunidade de se mostrar para o futebol, mesmo com todas as dificuldades logísticas que tínhamos”, ressaltou.
 

Qualidade acima de tudo

O diretor de futebol do Iranduba, Lauro Tetardini, se disse surpreso com os números do Hulk na competição. “Para ser sincero, o público me surpreendeu. Quando acertei com o Amarildo (presidente do Iranduba) eu tinha proposta de outras equipes que tinham torcidas grandes e fiéis, o que eu não via aqui, apenas o Nacional tem uma torcida tão expressiva em termos de comparecimento ao estádio. Então, eu imaginava que pudesse dar certo, mas não tão certo quando deu”, disse Tetardini, que acredita que  o público do jogo entre Iranduba e Flamengo poderia ter sido maior, não fosse a coincidência das datas com os jogos de Fluminense x Vasco e Vasco x Flamengo, pelo Campeonato Carioca, em Manaus.

Para o dirigente, o importante é que a campanha do Iranduba ajudou a plantar uma semente para futuras competições.  “O público do futebol feminino mostrou a sua cara, mostrou que gosta do futebol com qualidade independente do gênero”, finalizou.

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