Sábado, 14 de Dezembro de 2019
Craque

Tocha dos Jogos Paralímpicos é apresentada no Rio de Janeiro

O objetivo foi permitir aos condutores cegos ou com comprometimento de visão uma experiência tátil do objeto e do que ele representa: a cidade do Rio de Janeiro



1.jpg Tocha foi apresentada nesta sexta-feira (11)
11/12/2015 às 18:30

O Comitê Rio 2016 apresentou, nesta sexta-feira (11), em evento realizado no Rio de Janeiro, a Tocha dos Jogos Paralímpicos Rio 2016, que serão disputados entre os dias 7 e 18 de setembro. Ao contrário do revezamento da Tocha Olímpica, que terá início em 3 de maio e percorrerá, até o dia 5 de agosto, cerca de 500 cidades de todo o país, o revezamento da Tocha Paralímpica será bem mais curto, pois compreenderá o período de transição entre os Jogos Olímpicos (encerrados em 21 de agosto) e os Jogos Paralímpicos.

O evento terá início em 1º de setembro e terminará em 7 de setembro, no Rio de Janeiro. O revezamento da Tocha Paralímpica passará por seis cidades, nas cinco regiões do país: Belém, Natal, Brasília, Joinville e São Paulo e o Rio de Janeiro.



No total, 700 pessoas conduzirão a Tocha Paralímpica durante o revezamento pelo país. Cada uma percorrerá cerca de 200 metros com o símbolo dos jogos e a previsão é de que em cada cidade o evento dure entre 6 e 8 horas.

Um dos maiores atletas paralímpicos do Brasil em todos os tempos, o nadador Clodoaldo Silva foi um dos atletas presentes na cerimônia de lançamento do Revezamento da Tocha Paralímpica. Dono de 16 medalhas em Jogos Paralímpicos (6 de ouro, 5 de prata e 2 de bronze), Clodoaldo lembrou que já experimentou a sensação de carregar a Tocha Paralímpica e disse que não vê a hora de sentir isso de novo, agora em sua cidade, Natal.

"Eu já vivi isso aqui duas vezes aqui no Brasil, quando houve os Jogos Parapan-Americanos (em 2007), em tive a oportunidade de conduzir a tocha lá em Natal e aqui, no Rio de Janeiro. E em 2012, nas Paralimpíadas de Londres, eu tive a honra de, durante a abertura das Paralimpíadas, ter conduzido a tocha. É uma emoção diferente. Eu me preparo para treinar, para competir com um estádio lotado, mas não treino para conduzir a tocha. É algo indescritível. Se você me perguntar o que é mais prazeroso, ganhar medalha de ouro ou conduzir a tocha em uma Olimpíada ou Paralimpíada eu não vou saber responder, porque as emoções são diferentes e são muito boas", ressaltou o nadador.

Desenho

As Tochas Olímpicas e Paralímpicas dos Jogos Rio 2016 foram criadas pelo escritório de design Chelles Hayashi. Gustavo Chelles, idealizador do projeto que culminou nos dois símbolos, explicou os conceitos que levaram à tocha apresentada nesta sexta-feira.

A Tocha Paralímpica foi desenhada seguindo os mesmos conceitos da Olímpica. Para os Jogos Paralímpicos, o objetivo foi permitir aos condutores cegos ou com comprometimento de visão uma experiência tátil do objeto e do que ele representa: a cidade do Rio de Janeiro.

As cores internas variam em tons de laranja (as mesmas da marca dos Jogos Paralímpicos) e os relevos das cinco linhas de recorte da Tocha Paralímpica representam, nas palavras de Marcos Lima, especialista em integração paraolímpica do Comitê Rio 2016, que é cego, "a cidade do Rio, do chão ao céu", com simbologias que vão desde o calçadão de Copacabana até o Pão de Açúcar e outras montanhas da capital fluminense.

Outro ponto de destaque da Tocha, que pesa 1,7kg, são as inscrições em braile, "Tocha dos Jogos Paralímpicos Rio 2016", além dos valores paraolímpicos, que são quatro: "Coragem, determinação, inspiração e igualdade".

Acessibilidade

Presente à cerimônia de lançamento, o prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes, destacou o papel de mudança que os Jogos Paralímpicos representaram na capital fluminense, ressaltando que tanto o Rio quanto o Brasil ainda estão muito atrasados na questão de acessibilidade apesar de o país tem mais de 45 milhões de pessoas com deficiência.

"Tenho certeza de que o paralimpismo brasileiro vai mais uma vez dar show, com fez nos Jogos Parapan-Americanos. Mas o papel tem que ser outro que não só a celebração ou a atividade esportiva. O Rio é um exemplo do mau exemplo que o Brasil ainda tem na questão da acessibilidade. Durante muito tempo o país deixou de lado e não considerou nas suas políticas públicas medidas de acessibilidade", afirmou Paes.

"Isso vai estar muito destacado aqui no Rio de Janeiro. Por mais que a gente saia para um patamar melhor em razão das intervenções urbanísticas que a gente faz para as Olimpíadas e Paralimpíadas levando em consideração essa questão da acessibilidade, nós ainda estamos aquém daquilo que seria uma cidade que pudesse ser considerada acessível e isso deve envergonhar a todos. E as Paralimpíadas são uma oportunidade não só para essa celebração, não só para ganhar medalhas, mas também para chamar atenção para isso", declarou o prefeito.

Para o presidente do Comitê Paralímpico Brasileiro (CPB), Andrew Parsons, o revezamento da Tocha Paralímpica, além de servir como um símbolo de união dos brasileiros em torno dos Jogos Paralímpicos, destacando que o evento, apesar de ser no Rio de Janeiro, pertence a todo o país, servirá para diminuir muitas barreiras que ainda existem na sociedade quanto o assunto são os deficientes físicos.

"Os Jogos Paralímpicos são uma oportunidade de educação, de legado, de a gente começar a mudar a mentalidade das pessoas em geral a respeito das pessoas com deficiência. Isso também tem a ver com a questão de diversidade, de você aceitar aquilo que é diferente de você e as pessoas que são diferentes de você. O esporte paraolímpico também traz esses valores e a ideia é que a gente irradie isso. Os Jogos Paralímpicos representam o maior evento esportivo do mundo que produz mudança na sociedade", afirmou Parsons.


Mais de Acritica.com

Sobre Portal A Crítica

No Portal A Crítica, você encontra as últimas notícias do Amazonas, colunistas exclusivos, esportes, entretenimento, interior, economia, política, cultura e mais.