Sexta-feira, 03 de Abril de 2020
MEMÓRIA

Completa um ano da tragédia no Ninho do Urubu; Justiça não apontou culpados

Incêndio aconteceu no módulo que abrigava as categorias de base do Flamengo na madrugada do dia 8 de fevereiro. Um ano depois, clube ainda não indenizou 6 famílias



Dz2X1ZTWsAI5cvk_F4E81F48-9D64-4119-8E7C-CB43D54BBCF1.jpg Foto: Ricardo Moraes / Reuters
08/02/2020 às 06:54

É um sábado de luto para o Flamengo. Há um ano, no dia 8 de fevereiro de 2019, 10 jovens das categorias de base do Rubro-Negro perdiam a vida em um trágico incêndio no Centro de Treinamento do Ninho do Urubu. Naquela madrugada, o fogo foi ocasionado por um curto-circuito em um ar-condicionado do módulo dedicado aos ‘Garotos do Ninho’ do clube.

Foram vítimas fatais do incêndio os garotos Athila Paixão, Arthur Vinícius de Barros Silva Freitas, Bernardo Pisetta, Christian Esmério, Gedson Santos, Jorge Eduardo Santos, Pablo Henrique da Silva, Rykelmo de Souza Vianna, Samuel Thomas Rosa e Vitor Isaías - eles tinham de 14 a 16 anos de idade. Embora outros atletas tenham conseguido escapar, o incêndio também feriu três jovens da base do Flamengo.




Vítimas tinham de 14 a 16 anos de idade e estavam alojadas no Ninho. Foto: Reprodução

Ainda sob investigação, o caso ainda não viu o inquérito ser terminado. A suspeita é a de que as quedas de energia da fornecedora de eletricidade da região tenha causado o curto-circuito. Mas a estrutura do módulo dedicado as categorias de base à epoca, um contêiner, teve grande influência para que os 10 meninos não tenham conseguido sair do local com vida. 

Indenizações em aberto

Um ano depois, a diretoria do Flamengo segue em imbróglio com a maioria das famílias envolvidas no incêndio. Das 10 vítimas, o clube acertou o pagamento de indenizações com apenas quatro famílias - no caso de Rykelmo, apenas o pai acertou os valores; a mãe, diferentemente, processou o clube e ainda aguarda o desenrolar jurídico.

Logo após o ocorrido, Ministério Público e Defensoria Pública chegaram a elaborar um modelo coletivo de indenização, propondo valores que foram considerado razoáveis pelas famílias dos envolvidos. O clube pagaria às famílias R$ 2 milhões e uma quantia mensal de R$ 10 mil até a data em que as vítimas completassem 45 anos.


Diretoria do clube vem sendo criticada por como lida com o caso. Foto: Repordução/Flamengo

A proposta foi recusada pelo clube e as negociações foram levadas de maneira individual com cada família. Porém, desde o incêndio, o clube paga uma quantia mensal de R$ 5 mil para cada núcleo familiar e arca com despesas de atendimento psicológico, como relatou Danrlei Pisetta, pai de Bernardo Pisetta, para o programa Seleção Sportv, nesta sexta-feira (7). Nesse processo, além das três famílias ‘e meia’, o Flamengo conseguiu fechar valores com todos os sobreviventes. 

CPI debate tragédia

Membros da antiga e atual diretoria do Flamengo e pais de vítimas foram convocados para uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI), que aconteceu na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro ontem (7). A reunião ocorreu um dia antes do incêndio completar um ano e teve o intuito de debater os desdobramentos do caso.

O único membro da atual diretoria rubro-negra a compareçer na ‘CPI do Incêndio’ foi o CEO Reinaldo Belotti - que chegou com 1 hora de atraso. Do outro lado, somente o pai de Pablo Henrique, Wedson Candido Matos, compareceu representando as demais famílias das vítimas. Ele aproveitou para criticar a atitude que a diretoria do clube vem tendo para com os familiares dos garotos do Ninho.

“Nesse um ano não tivemos contato nenhum com o Flamengo. Total desprezo. O Flamengo nos abandonou. Não procura, não conversa. Desde a tragédia, conversei com o Flamengo uma vez”, afirmou Wedson.

Homenagens da Nação

Vivendo uma ‘lua de mel’ com o time que consquistou Carioca, Brasileiro e Copa Libertadores em 2019, a torcida do Flamengo relembra o episódio do incêndio no Ninho do Urubu em todos os jogos e homenageia os jovens que se foram na tragédia. Quando o relógio marca 10 minutos, uma música é cantada em alusão às 10 vítimas.


Torcida fez um mural nos arredores do Maracanã. Foto: Reprodução

Além disso, o clube dedicou as conquistas da temporada passada - através das redes sociais - aos 10 garotos. Para hoje, data em que se completa um ano do ocorrido, mais homenagens serão feitas pela torcida. 

Pela sexta rodada da Taça Guanabara, o Flamengo encara o Madureira no Maracanã, a partir das 17h (de Manaus). Enquanto jogadores devem entrar com a ‘hashtag’ #GarotosDoNinho na camisa, a torcida vai erguer 10 bandeirões com os rostos das vítimas do incêndio, que está, infelizmente, marcado na história do Flamengo e do futebol brasileiro.
 

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Repórter do Craque
Jornalista em formação na Universidade Federal do Amazonas (Ufam) e repórter do caderno de esportes Craque, de A Crítica. Manauara fã da informação e que procura aproximar o leitor de histórias – do futebol ao badminton.

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