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Incrível

Triatleta americana que vive em Manaus realiza sonho de participar de competição

Aos 63 anos, Sherre Nelson ganhou batalha na Justiça e completou uma das provas mais difíceis do mundo 08/11/2017 às 15:57 - Atualizado em 08/11/2017 às 16:13
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Sherre Nelson e Tatiane Medina realizaram o Ironman Florida no último fim de semana (Foto: Divulgação)
Jéssica Santos Manaus (AM)

Completar um desafio gigante como o Ironman (3.8km de natação, 180km de ciclismo e 42km de corrida) tem um significado especial para todo triatleta. Mas, para a americana que reside em Manaus há 37 anos, Sherre Nelson, de 63 anos, que cruzou a linha de chegada do Ironman Florida, no último fim de semana, denota a sua vitória de realizar o feito na terceira idade e, ainda por cima, fazer isso após viver uma grande decepção durante uma prova na mesma distância, ano passado. Para vencer o desafio, Sherre teve ainda o apoio de Tatiane Medina, sua amiga e também triatleta amazonense, que, assim como Sherre, saiu da prova com a medalha no peito.

Sherre cruzou o pórtico após 16h e 46 minutos nadando, pedalando e correndo, e disse:

“Esta prova não foi fácil, mas com dedicação nos treinos e com persistência na prova, consegui”, disse a triatleta.

Drama e volta por cima

Conseguiu. Agora Sherre é só alegria com sua vitória pessoal, mas, no ano passado, ela havia ido ao Ironman Florianópolis com o objetivo de completar sua primeira prova na distância, porém, durante o ciclismo, foi cortada da competição por ultrapassar o tempo-limite para concluir esta parte do percurso.

Acontece que aquela prova teve várias largadas, e as pessoas com as maiores faixas etárias foram as últimas a começarem a competir, e o tempo total foi contado desde os primeiros a largar, ou seja, os mais velhos tiveram menos tempo para concluir as etapas da prova do que os mais novos e atletas profissionais.

No total, 15 pessoas, homens e mulheres de idade, foram impedidos de continuarem da prova, e Sherre, vendo descaso da organização, entrou na Justiça contra a empresa que realizou o evento, com pedido de indenização por danos morais e materiais, tendo como advogada a também triatleta Tatiane Medina, que acompanhou a decepção da amiga, no mesmo dia em que a defensora realizou seu sonho de completar o Ironman.

E, após um ano, Sherre ganhou a causa, com a assessoria de Tati, e agora as duas decidiram fazer a prova da Flórida, dando apoio uma a outra, para que, desta vez, fosse só alegria para as duas.

“Fui cortada da prova injustamente ano passado, e completar esta competição agora mostra que sou capaz. Nadei e pedalei dentro do tempo previsto, e a corrida, embora fosse num terreno plano, foi difícil. Mas os torcedores fizeram a diferença e a organização em Panamá City (na Flórida) apoiou muito aqueles que estavam fazendo a prova pela primeira vez”, disse Sherre.

Tati Medina falou de como foi legal fazer a prova com Sherre. “Eu desejava completar a distância uma segunda vez, e queria também estar na mesma prova que a Sherre, pois vi todo o sofrimento dela com o Ironman Florianópolis. Na Flórida, foi uma natação com mar bem agitado, um pedal de muito vento contra em todo o percurso, muitas ladeiras e calor, e uma corrida muito dura! Contudo, ao encontrar a Sherre na corrida e ver a felicidade dela por estar próxima de se tornar uma Ironman foi fantástico, e disse pra ela: - te encontro na linha de chegada!”.

Em Manaus, a realização de Sherre e Tati deixaram seus amigos ligados no site do Ironman durante todo o dia em busca de notícias. “Vários ficaram acordados até 1h da manhã (devido ao fuso horário), para ver nossa chegada”, disse Sherre.

Amizade na alegria e na tristeza

Sherre passou por uma decepção no Ironman Florianópolis do ano passado, mas virou a página ao vencer o desafio de completar o Ironman Flórida, aos 63 anos de idade. Além disso, criou um vínculo com a também triatleta Tati Medina, que foi sua advogada no caso do Ironman, e sua amiga em todas as horas.

“A Sherre é a pessoa que quando você entra no triathlon ela te ajuda com tudo que você precisa! Acho que após o Ironman Florianópolis nos aproximamos ainda mais. Eu sabia da importância de ingressar e ganhar a ação de indenização pelo corte injusto na prova, e entendia a dor dela, como se fosse comigo, e assim fomos ficando mais próximas”, disse Tati sobre a amizade entre as duas.

Com o vínculo feito, as duas decidiram fazer a prova da Flórida, e foram as únicas do Amazonas, desta vez.

“Fazermos o Ironman em Panamá City juntas, e sem ninguém mais (de Manaus) ao redor foi incrível e diferente! Só tínhamos a nos duas, então dividimos tudo, inclusive a força moral”, disse Tati, que chegou cerca de duas horas antes de Sherre, e esperou a amiga na linha de chegada.

“Amigos são assim, companheiros e estão juntos inclusive nos sonhos. Não tem como não aprender com a Sherre, e como não admirá-la como uma amiga querida”, concluiu.

Sherre também falou da amizade com Tati, que só tem crescido do ano passado para cá.

“Nós treinamos juntas há muitos anos, e desde Floripa, nos aproximamos devido aos acontecimentos. Já, aqui na Flórida, estamos dividindo tudo, emoção, apartamento, carro, viagem, e tem sido muito boa a experiência. Fomos a staff uma da outra na prova, ela me ajudou muito”, contou Sherre.

Sherre e Tatiane agradecem à Equipe Marcio Soares Sports, que deu todo apoio a elas antes e durante a competição, que durou o dia todo, e foi até 1h da manhã (horário de Manaus).  Elas agradecem também aos seus técnicos Mauro Vieiralves (Tati), André Dantas (Sherre) e Márcio Soares.

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