Domingo, 19 de Maio de 2019
Muito pedal!

Triatletas e ciclistas participam de desafio e pedalam 1.000 km em 10 dias

Conheça a turma que faz anualmente a prova de resistência que serve como preparação para a temporada 2017 do triathlon



23/01/2017 às 11:28

Uma tradição desafiadora acontece todo início de ano para os triatletas da equipe Santiago Ascenço – Assessoria Esportiva, e demais corajosos. Atletas do Brasil todo se organizam para um treino de base para o ciclismo, chamado 1000 km em 10 dias. Este ano, o desafio aconteceu entre os dias 6 a 15 de janeiro. Em Manaus, dos 14 triatletas dispostos a pedalar os 1000 em 10, apenas seis atingiram a meta, após superarem diversas dificuldades.

A saga

Foi um desafio de respeito, e a rotina dos atletas não era fácil. Eles acordavam durante a semana às 3h da manhã, para começarem a pedalar às 4h. Faziam isso para evitar o trânsito, e aproveitar a madrugada, já que a maioria trabalha de manhã. “Levantamos às 3 da manhã não porque gostamos de acordar na madrugada, mas, sim porque gostamos de estar juntos com os amigos fazendo o que nos sentimos bem fazendo”, disse Klinger Valente, um dos triatletas do grupo.

Muitos atletas começaram o desafio, mas poucos conseguiram completar os 1000 km. (Foto: divulgação)

Leandro faz o desafio desde 2012, mas ele conta que nem todo ano consegue completar o objetivo. “Em 2015, adoeci nos últimos dias, e em 2016, caí no sexto dia de desafio”, lembra. Ele diz que este ano, assim como nos outros, aconteceram imprevistos, mas que foi um sucesso no final.

Várias peripécias aconteceram na ‘odisséia’ dos guerreiros. Logo no primeiro dia, Klinger foi picado por abelhas, teve uma reação, e precisou buscar rapidamente um antialérgico. O atleta ficou com rosto e corpo inchados, e acabou não concluindo os 1000, mas ainda fez 700 km, quando ficou melhor. “Eu não sabia que era alérgico, mas me recuperei em casa com medicamento, e depois resolvi continuar com a equipe por causa da companhia deles, e para incentivar aqueles que estavam fazendo pela primeira vez o desafio”, disse Klinger.

Já no quinto dia, com metade do percurso prestes a ser completado, os triatletas estavam cansados, mas descontraídos também e, numa brincadeira durante o pedal, aconteceu um acidente no grupo, e dois triatletas se feriram: Gabriella Pinho e Acácio Menezes. Eles tiveram que levar pontos e usar tipóia para se recuperar da queda.

Os dois se despediram do desafio, mas ficaram com o sentimento de companheirismo. “Confio tanto em todos que acabei me distraindo e brincando, me deixando levar pela adrenalina que nos move no triathlon. Posso ter errado, claro, ninguém é perfeito, e peço desculpas pela brincadeira”, disse Gabi ao grupo. Em contrapartida, seus amigos a tranquilizaram. “Todos estávamos juntos e brincando naquele momento; infelizmente foi com você (Gabi) e com o Acácio, mas poderia ter sido qualquer um”, disse Leandro sobre o acidente.

Gabi saiu do desafio levando boas lembranças, apesar de tudo. “Vamos guardar na memória o sentimento de equipe. Este ano foi o melhor porque o desafio foi aberto a todos os atletas amantes da nossa famosa magrela, independente do grupo, e espero nos ver cada vez mais unidos”, disse.

Em outros dias do desafio, dificuldades como pneus furados ou pequenas quedas também aconteceram. “Pneu furar é o tipo de coisa que acontece mesmo, mas estávamos juntos para nos ajudar em qualquer situação. Graças a Deus nada grave aconteceu”, disse Leandro.

Clima

No sétimo e no oitavo dia, choveu bastante em Manaus, ainda de madrugada. “Quando chovia dava aquele desânimo e também ficávamos com medo da pista molhada, dos carros, mas deu tudo certo, seguimos pedalando”, disse Leandro. No nono dia, um sábado, vários atletas que não estavam no desafio pedalaram com o grupo e deram força. O último dia foi um domingo, 110 km para finalizar a trajetória. “O sentimento é sempre o de dever cumprido. Mesmo para quem já fez várias vezes o desafio, é difícil. Nós reduzimos nosso sono para começar a pedalar às 4h, ficamos mal-humorados, é até torturante, mas a sensação de superar as dificuldades e completar a distância é fantástica, boa demais”, disse Leandro.

Outro Leandro da equipe, Leandro Sendão, foi um dos principais motivadores da equipe este ano. “Participo pela quarta vez e nos outros anos estávamos fazendo o desafio sozinhos, cada um por sua conta, então, agora resolvemos fazer diferente e unir o grupo, convidamos várias pessoas do ciclismo e do triathlon, de outros grupos também, para fazermos os desafio juntos. Treinar com atletas fortes, e também com prazo para finalizar o treino do dia, por causa do nosso trabalho, elevou o nível do treino, pois tínhamos que fazer o treino rápido, e tínhamos maior desgaste também”, relata Sendão.

Treinos vistos a distância

Triatletas e ciclistas começavam a peladar às 4h da manhã durante a semana. (Foto: divulgação)

Pedalar, pedalar e pedalar! O objetivo é percorrer 1000 km em 10 dias seguidos, com variações de distância e intensidade a cada dia. É um treino voltado para triatletas que têm o objetivo de fazer provas de longa distância, como o Ironman. Durante o desafio, eles fazem cerca de 100 km todos os dias: a distância aproximada a da viagem de Manaus a Manacapuru.

O técnico e incentivador do desafio, Santiago Ascenço, vive em Goiânia, e de lá, com a ajuda da internet, acompanha seus atletas no Brasil todo. Ele considera os 1000 em 10 dias um estímulo importante. “Esse é o 14º ano em que fazemos o desafio; ele sempre serviu como base de treinos para a temporada, e também é uma forma de motivação para o ano”, ressaltou.


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