Quarta-feira, 24 de Abril de 2019
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Superação

Conheça atletas que superam várias dificuldades para seguir em busca de vitórias

Thaís atravessa a cidade de bike para chegar ao treino de ciclismo; Jackson trabalha o dia todo, e ainda treina duas vezes por dia. Eles são atletas incansáveis na busca de seus sonhos


12/04/2017 às 12:00

Ela surgiu no cenário do ciclismo amazonense há pouco tempo, e tem se destacado nas competições. Mas, para realizar seu sonho de se tornar campeã no esporte, Thaís Dias, 22, supera dificuldades para treinar e para competir.

“Eu tinha uma bike velha no quintal, quis começar a pedalar, então fui arrumando a bicicleta, depois achei na internet um grupo de ciclismo perto da minha casa, então passei a pedalar sempre, chegando a participar de vários grupos”, conta ela.

Mas, agora, Thaís treina forte. “Treino há um ano e quatro meses. Sempre quis participar de campeonatos, mas não tinha tido oportunidade”, lembra ela. Foi quando a jovem ciclista conheceu a atleta Rebeca Fonseca, líder do ranking nacional, numa competição. “A Rebeca sempre foi um exemplo para mim e, quando a conheci, ela me convidou para treinar na equipe dela, junto com o técnico Gil machado, e isso foi uma grande oportunidade para eu realizar meu sonho no ciclismo”, realça Thaís.

Thaís precisa ter muito cuidado no trânsito, lida com vários motoristas irresponsáveis, mas atravessa a cidade de bike para chegar ao treino diariamente. (Foto: Aguilar/A crítica)

Desde então, ela têm evoluído. De ciclista de passeio para ciclista de competições acirradas, Thaís busca sua evolução a cada dia, e já conquistou vitórias, sagrando-se campeã amazonense por pontos, em 2016. “Meu objetivo é seguir treinando, competindo e, este ano, quero participar do campeonato Norte-nordeste e da prova na Serra de Tepequém”, disse Thaís.

As competições são duríssimas, mas são os desafios que movem a vida da atleta. É que todos os dias, ela acorda às 5 horas, se arruma, toma café e encara o trânsito de Manaus na sua bike, no percurso de 20 km da Cidade Nova I até a Ponta Negra, onde ainda vai começar o seu treino, às 7h30 da manhã. “Quando saio de casa, passo por dificuldades no trânsito, com os motoristas que não respeitam, passam muito perto da bike ‘tirando fino’ e fecham minha passagem”, relata Thaís.

Apesar dos perigos e dificuldades, tudo parece muito simples para Thaís, que não falta treinos, e ainda faz fortalecimento. “Faço musculação quatro vezes por semana, após os treinos de ciclismo, então só chego às 10h30 em casa”, conta.

Quando começou, Thaís não tinha uma bike apropriada. “Eu não tinha bicicleta para competição, e o Gil, meu técnico, me ajudou me emprestando a bike dele para eu usar e também ajudando na manutenção dela”, explica. Thaís seguiu treinando e competindo com a bicicleta emprestada, até que este ano fez uma rifa, e comprou a bike para ela. “Eu não tenho emprego, então se torna difícil, pois são muitos os gastos de um atleta, mas vamos buscando saídas”, ressalta Thaís.

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Mas, ela segue com suas pedaladas firmes e rápidas, apesar de tudo. Thaís também conta que em casa só tem o apoio da mãe para pedalar. “No momento minha mãe me apoia, mas meu pai não, por causa da religião, pois ele diz que as roupas que eu uso no ciclismo não são adequadas, e que o esporte não dá futuro, nem dinheiro”, conta ela.

 Corrida

Jackson Mendes, 35, é um dos principais nomes das corridas de rua de Manaus. Mas, para estar sempre nos primeiros lugares dos pódios, Jackson também enfrenta uma rotina desafiadora. “Para eu me manter entre os primeiros, tenho que treinar em dois períodos. Eu acordo às 4h e 40 para fazer uma corrida leve, e às 6h, saio para o trabalho, onde tenho que estar às 7h”, explica.

Jackson é líder de logística na Steck da Amazônia, e seu expediente só termina depois das 16 horas. “Quando saio do trabalho, vou para o campus do Ifam, onde faço meu treinamento da tarde”, afirma.

Jackson precisa se superar para treinar como um atleta de elite, e trabalhar o dia inteiro no distrito industrial. (Foto: Evandro Seixas/A crítica)

 Além de treinar duas vezes por dia e de trabalhar por oito horas diárias, o atleta está terminando sua faculdade de logística. “À noite, me dedico à faculdade que faço a distância, com aulas presenciais só às quartas, pois fico muito cansado” , afirma ele, que adianta o desejo de cursar educação física quando concluir logística.

Jackson trabalha, estuda, treina como um atleta profissional, e ainda precisa ter tempo para cuidar da família. “Tenho a minha esposa, Nilde, que também corre, e nós temos uma filha pequena que é uma ‘benção’, filha de atletas, então já sabe, né? (risos)”, diz Jackson.

 Mesmo acostumado com a rotina puxada, ele desabafa: - É difícil, e sem patrocínio, mais difícil ainda. Eu dou preferência ao sustento da minha família, então, deixo para investir em equipamentos e suplementos quando ganho algum dinheiro nas competições, e a empresa em que eu trabalho também ajuda”, diz Jackson.

E Jackson afirma que sua motivação para continuar na luta é pensar em tudo que já alcançou por causa do esporte. “Foi graças à corrida que conquistei meu trabalho, meu cargo, conheci vários Estados brasileiros e países diferentes, representei a Seleção brasileira, conquistei a bolsa-atleta, comprei minha casa, e até conheci minha esposa, mãe da minha filha, tudo através da corrida”, diz, Jackson, agradecido ao esporte.

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