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Esportes
COMRADES MARATHON

André Costa completa a Comrades Marathon, e fala das dificuldades e emoções da prova

A Comrades Marathon é a ultramaratona mais antiga do mundo e também a com maior número de participantes por edição, 20 mil 11/06/2017 às 05:00
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André Costa foi o primeiro amazonense a conquistar uma medalha da Comrades. Ele enfrentou 810 metros de altimetria máxima na prova. (Evandro Seixas)
Jéssica Santos Manaus (AM)

Uma ultramaratona de aproximadamente 87 km, passando por estradas e pela savana africana e, para completar, com muita história, emoção e solidariedade envolvida. Isso é um pouco da Comrades Marathon, um imenso desafio vencido pelo amazonense André Costa, 41, no último domingo, dia 4.

“A prova é muito mais do que eu imaginava. É muito mais difícil e envolve mais solidariedade do que eu esperava também. Então, ela é diferente da maioria das maratonas porque mexe com o emocional do atleta, não é só chegar lá para fazer um tempo bom no relógio”, explica André.

A Comrades Marathon teve a sua largada na cidade de Durban e chegada em Pietermaritzburg, na África do Sul. A direção da corrida alterna a cada ano entre a corrida "up" (87 km), a partir de Durban, e a corrida "down" (89 km), a partir de Pietermaritzburg, com altimetria máxima de 810 metros. Este ano aconteceu a corrida “up”, com predominância de subidas.

“Tinha visto a altimetria no mapa, mas não dá pra ter ideia de como são as subidas e descidas até chegar lá e ver como é. E aqui em Manaus não há subidas longas e inclinadas como as de lá, que te fazem caminhar em certos momentos, a não ser que você seja um atleta de elite já acostumado com corridas pesadas”, conta André.

O ultramaratonista conta que se assustou desde o passeio de ônibus feito pelo percurso, antes da prova, pois notou que não havia nenhum trecho plano. E durante a corrida, sofreu a partir do quilômetro 35.

 “Nunca tive lesões, mas, desde o treino de 65 km que fiz, comecei a sentir dor no joelho, e durante a corrida senti muita dor, foi difícil até nas descidas, mas não pensei em desistir, pois tenho uma equipe grande de profissionais me apoiando em Manaus, e isso me motivou muito”. Além das subidas e descidas, André enfrentou o calor. “Este ano, as pessoas disseram que estava mais quente que nos anos anteriores, e foi bem sofrido, tanto que dos 174 brasileiros que estavam na prova, só 135 concluíram, pois alguns desistiram e outros foram cortados por ultrapassarem o tempo permitido”, disse.

As crianças da Escola Ethembeni distribuem pulseiras que contém o número de quilômetros da prova representadas por pedrinhas coloridas, e divididas de acordo com os pontos de corte da corrida. (Foto: divulgação)

Um desafio especial

A Comrades é considera a mais antiga ultramaratona do mundo (acontece desde 1921), além de ser, também, a maior em número de participantes: são 20 mil a cada edição. “É tanta gente, que sempre há pessoas por perto para dar apoio, competidores ou torcedores locais, então, raramente ficamos sozinhos”, conta André.

Ele também ressalta que a Comrades é muito mais do que uma competição. Isso porque a prova incentiva os atletas a ajudarem várias instituições de caridade e escolas africanas, e também alimenta o espírito de companheirismo e solidariedade entre os participantes.

André conta que viu muitas pessoas passando mal, com dificuldades, e os próprios atletas se ajudam, demonstrando total altruísmo. “Chega um momento que não importa a questão do tempo, o importante é chegar, pois todos ultrapassam os seus limites”, disse ele.

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