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Esportes
ALÉM DO PÓDIO

Veja exemplos de projetos sociais que, com muito esforço, formam atletas, em Manaus

Os projetos são alimentados principalmente por amor e boa vontade, pois recebem pouca ajuda do poder público ou privado para atenderem à população. 14/05/2017 às 05:00 - Atualizado em 15/05/2017 às 14:58
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(Foto: Evandro Seixas)
Jéssica Santos Manaus

Charlie Chaplin disse: “lembrem-se que as grandes realizações ao longo da história foram a conquista do que parecia o impossível”. E extraordinária é a luta dos personagens da série “Além do pódio”, que nesta semana traz o dia a dia de projetos sociais que fazem a diferença para centenas de jovens, mas são alimentados principalmente por amor e boa vontade, pois recebem pouca ajuda do poder público ou privado para atenderem à população.

Ring Boxe


O Projeto Social Ring Boxe comemora 28 anos. Nesse tempo, cerca de 5 mil jovens carentes da zona leste passaram pelo projeto e obtiveram resultados importantes. Apesar da sua relevância para a comunidade, o Ring Boxe nunca contou com apoio do poder público, e se sustenta com a incansável força de vontade de seu fundador, professor Pedro Nunes, que também é presidente da Federação de Pugilismo. “Buscamos pregar a dignidade, cidadania e valorização dos atletas”, ressalta.

Arena do Ring boxe está em péssimas condições por falta de apoio do poder público e privado. (Foto: Evandro Seixas)

Hoje, o projeto que formou grandes campeões como Maria Marreta e Cássio Humberto, e que atende mais de 300 atletas, sobrevive com dificuldades. “Toda a estrutura do projeto foi construída por mim, e agora, após 17 anos funcionando no Ginásio Zezão, deu cupim na cobertura do ringue, eu retirei as madeiras e telhas, e estou tentando refazer, pois quando chove fica difícil haver luta. Além disso, a estrutura do ringue está em condições ruins. A madeira está quebrada em vários pontos, com buracos formados”, explica Pedro.

Pedro enfatiza que apesar de ter feito pedidos de recursos, de cestas básicas para alguns atletas, e até de materiais para a reconstrução do ringue, não recebeu nenhuma resposta positiva da Prefeitura ou do Governo do Estado. “Estou com os documentos legalizados, com tudo certo para dar aulas de boxe e para realizar competições, descubro talentos, mas é hora do poder público se sensibilizar. Hoje, descubro os campeões, e eles voltam para as ruas por falta de apoio”, desabafa Pedro.

O maior orgulho de Pedro Nunes é o troféu de 3º lugar geral conquistado pelo Amazonas no Campeonato brasileiro de boxe olímpico, na Bahia. “Conquistamos esse resultado com nossos alunos”, disse Pedro Nunes. (Foto: Evandro Seixas)

"O boxe da zona leste está agonizando, prestes a ir para a UTI, com o nosso ringue como está. Precisamos de ajuda do poder público", disse Pedro.

Luta pelos atletas


O professor Raimundo Gomes realiza um belo trabalho social de taekwondo, com 70 alunos no Centro Magdalena Arce Daou, zona oeste. O professor conta que lá há crianças com objetivos diferentes, e que observa os alunos que se destacam. “No último campeonato, participaram quatro alunos do projeto, que nós identificamos que tinham perfil para competir. Alguns atletas daqui vão treinar na minha academia, complementando o treino para o alto-rendimento”, explica ele.

A Associação Gomes, academia do professor Raimundo, também atende alguns atletas gratuitamente para ajudá-los. “Faço isso para incentivar a permanência de talentos no esporte”, disse Raimundo. (Foto: Evandro Seixas)

O professor explica que há custos altos no esporte. “As taxas para competir e fazer graduação de faixa são caras, então tento ajudar para eles não desanimarem, e não dá para esperar nada dos poderes públicos”.

Além do trabalho social para crianças que querem aprender e competir taekwondo, Raimundo também faz a inclusão social de crianças com deficiência, como Amanda Braga, que ama o esporte. (Foto: Evandro Seixas)

Amanda Braga, 20, tem paralisia cerebral, mas ignora qualquer dificuldade, e se aventura em vários esportes. Ela faz taekwondo há três anos, e ama o esporte. Sua mãe Jaciara Braga afirma que foi ela quem quis iniciar no esporte. "Foi ela quem me pediu e, além da luta, ela também anda de skate", conta a mãe.

"Coloquei minha filha na luta para ver até onde ela iria querer ir, e ela está aqui até hoje. A Amanda se esforça bastante. Ela procura fazer tudo que o professor ensina, e chega a sair daqui (do treino) cansada pelo esforço grande que faz, e quer fazer o certo sempre", disse a mãe de Amanda.

 

 

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