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Versos de amor: Da Silva, ícone da fase mais gloriosa do São Raimundo, revela seu lado poeta

O ex-preparador físico e supervisor de times como São Raimundo, Nacional e Sul América, Da Silva guarda suas memórias no futebol através de poemas 25/11/2015 às 23:26
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Da Silva guarda mais de 400 poemas e 15 álbuns com recortes de jornais que trazem memórias do futebol amazonense
Camila Leonel Manaus (AM)

“Avante, avante, avante, clube do meu coração, tua torcida é sincera e cheia de emoção. Vibra com o azul do céu, trazendo o branco da paz e da alegria gritando: Tufão! Tufão! Numa explosão de amor e alegria”. Os versos são bem conhecidos da torcida amazonense, em particular, da torcida do São Raimundo. O hino do time colinense foi composto por Francisco da Silva, mais conhecido como da Silva, mas o que muita gente não sabe é que também por meio de versos que ele guarda memórias de um período que traz boas lembranças para o torcedor amazonense.

A paixão pela escrita veio desde criança e perdurou até a vida adulta. Quando veio para Manaus em 1989, como militar do Exército, ele retratava em poemas as viagens pela amazônia. Quando começou a trabalhar com futebol em 1981, os jogos, a emoção dos títulos e homenagem aos clubes por onde passou ganharam as linhas que ele guarda até hoje. No total, Da Silva conta que possui mais de 400 poemas, de diversos temas e, a grande maioria, sobre futebol.

“O poema, ele coloca aquilo que a gente viu, o registro o momento e você guarda. Durante um dia ou dois eu pego para uma olhada. É a melhor forma de eternizar aquele momento. É a forma mais prática de registrar. O Carlos Zamith tinha as coisas dele num baú guardado. O que o Zamith fazia com o baú velho eu faço com os poemas”, explicou .

Da Silva, hoje com 77 anos trabalhou durante 25 anos no futebol amazonense. Passou por Nacional, Rio Negro, Sulamérica e São Raimundo. No Tufão da Colina, ele foi preparador físico e supervisor entre os anos de 1997 e 2004, época de maiores conquistas do clube. Foi nessa época que surgiram alguns versos.

Os temas são variados. Alguns falam sobre jogos do São Raimundo, sobre os estádios Vivaldo Lima e Ismael Benigno foram demolidos. Há também homenagens pela passagem dos aniversários dos times.

Mesmo sendo autor dos poemas, alguns textos são capazes trazer arrepios e lágrimas. É com os olhos marejados que ele falou do poema intitulado “Insônia, Cenário e Imaginação”, que fala sobre a conquista da Copa Norte pelo São Raimundo em 2000. O título de uma competição da CBF dá direito ao clube de usar uma estrela vermelha no uniforme e nos versos, ele conta, de forma romântica sobre a busca pela estrela vermelha.

“No dia seguinte acordei me preparei para aquele jogo/O São Raimundo na decisão/Era a final da Copa Norte/No final da noite: São Raimundo Bicampeão/O clube ganhou o direito de usar na bandeira mais uma estrela vermelha/E ainda ser colocada acima do seu brasão/Lembrei-me daquela estrela que me emocionou provocando a minha imaginação/Ah! Hoje vou usar duas estrelas vermelhas/No peito pertinho do coração/Amanhã, quando eu dormir/Antes, abrirei a janela do quarto/Quero sentir a brisa/Quero ver o luar/Quero ver as estrelas e se aquela vermelha ainda está por lá”.


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