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LENDA

Xande Ribeiro abre o jogo, fala sobre carreira, jiu-jitsu amazonense e aposentadoria

Lenda da arte suave, o amazonense é sete vezes campeão mundial integra, o Hall da Fama do Jiu-Jitsu Mundial e voltou a Manaus para competir no National Pro e enlouquecer os fãs. 15/02/2017 às 05:00
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Natural de Manaus, Xande revelou início nos Estados Unidos e analisou o cenário do jiu-jitsu no Amazonas. (Foto: Antônio Lima)
Valter Cardoso Manaus-AM

O currículo é imenso. A história e a legião de fãs também. Alexandre Ribeiro, o Xande, iniciou a prática do jiu-jitsu quando tinha apenas 10 anos. Hoje, com 36, é uma verdadeira lenda da modalidade, dentro e fora do Brasil. Em Manaus após a disputa do National Pro, onde conquistou a categoria Absoluto, o lutador conversou com o CRAQUE sobre a sua carreira e o desenvolvimento do jiu-jitsu no Amazonas.  

Qual  avaliação  você faz da sua carreira hoje?

Hoje eu tô num momento incrível porque, na verdade, a minha intenção com o jiu-jitsu hoje é mais uma ideologia do que um aspecto competitivo, mas é lógico que eu não entro em nada para perder. Por mais que os anos tenham se passado, o meu jiu-jitsu não tá defasado. Hoje a minha briga é ideológica. Minha ideologia é lutar para frente, lutar para vencer. Eu não luto para ganhar, eu luto para mostrar um ponto. Tipo, quando eu venço, eu venço incrivelmente, quando eu perco, perco no detalhe. Na verdade é isso que eu quero mostrar para as gerações, que há uma fórmula  ter uma longevidade no jiu-jitsu sem perder eficiência e sem se esconder atrás da regra. 


O que você sente que representa para o jiu-jitsu do Amazonas e do Brasil?

Eu acho que eu represento a essência do jiu-jitsu, porque eu acho que hoje em dia tem muito campeão, mas não tem realmente ninguém que representa o jiu-jitsu. Acho que na minha evolução como pessoa, como lutador eu atingi esse status. Não só do campeão, mas fora do tatame.  Acho que é isso que hoje eu represento, a imagem do jiu-jitsu puro, a imagem da pessoa que nunca perdeu as origens, uma pessoa que independente de qualquer título vai sempre manter a raiz de família, de respeito, lealdade, honra, de disciplina e da atitude correta que todo artista marcial deveria ter. 


O que mudou no jiu-jitsu no Amazonas  desde que você começou até atualmente?

A evolução sempre acontece. O que a gente fala que se perdeu foi a essência, mas é natural. Antigamente o peso-pesadíssimo do jiu-jitsu era gordinho, hoje  são caras sarados. Então com a evolução física dos atletas e do próprio esporte se perdeu um pouco disso, de uma forma geral não só do Amazonas. O problema daqui é pelo fato de mesmo não estando longe dos grandes polos, mas infelizmente a política brasileira  impossibilita a pessoa a sair daqui de avião. Os polos ainda são nas regiões sul e sudeste, os campeonatos de maior destaque são lá. Ainda é difícil.  Lógico que tem muita coisa estrutural que precisa ser melhorada, acho que foram construídas muitas federações, é muito cacique para pouco índio. Mas quando vai lá para fora e fala que é amazonense, bota para dentro porque sabem que amazonense é bom. Tem alguma coisa no nosso sangue que  quando a gente bota o kimono o bicho pega. Mas às vezes eu vejo muitos atletas que precisariam de um refino técnico mais apurado, acho que a lapidação técnica tinha que ser melhorada. Eu dou seminário no Brasil inteiro e não acho que é um problema só no Amazonas. É muito bom ser aguerrido, ser raçudo, mas chega uma hora que você precisa da inteligência e do refino dentro da capacidade física.  Se encontrássemos mais esse equilíbrio entre técnica e a raça amazonense, aí campeão seria só amazonense. 


O quanto morar nos Estados Unidos ajudou você a se tornar o atleta que é atualmente?

Eu sempre aprendi muito fácil, eu tinha acabado de pegar a faixa preta e surgiu a oportunidade de eu dar aula nos Estados Unidos. Então o que aconteceu, agora eu estava numa cidade (Toledo, em Ohio) em que não tem jiu-jitsu, num país onde o esporte é novo, então como eu vou ficar bom só com faixa branca? Então eu tive que desenvolver muita coisa ali. No meu primeiro título de faixa preta eu só lutei contra faixa branca, que foi o Panamericano de 2001. Então eu tinha que desenvolver situações nos treinos que me davam perigo. Tinha dia que tinha quinze faixas brancas na aula e eu botava todo mundo na parede, botava uma mão na faixa e escolhia “hoje é montada”. Deixa todo mundo montar e escapava com uma mão, depois escapava com a outra mão por dentro, aí depois sem as mãos, depois escapar e finalizar o mais rápido possível. Eu criava situações que me desafiassem tecnicamente. Isso foi uma coisa que requis de mim um entendimento incrível de movimentação e de técnica de como eu podia fazer mais fácil e me ajudou bastante. O próprio fato de dar aula me ajudou a entender o meu jiu-jitsu. O que me ajudou foi isso a capacidade de ter me adaptado tecnicamente a falta de treino e ter me conhecido melhor nas técnicas que eu fazia.

Você já pensa em aposentadoria?

Enquanto eu me sentir jovem, enquanto eu me sentir capaz eu vou me desafiar. Agora aposentar é difícil. Depois de lutar o mundial de adulto vou lugar o mundial de master. Isso é uma coisa muito delicada, ainda não pensei qual o momento para mim. Sou o campeão mundial mais velho da história com 34 anos, de repente a gente vem com 36 e ganha. Mas aposentadoria até agora não tô pensando, estou pensando agora no que vou fazer com essa garotada para ser campeão do mundial profissional.

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