Publicidade
Esportes
Craque

Xeque-mate: Fast vai usar estratégias do xadrez pra eliminar o Princesa do Solimões

O técnico João Carlos Cavalo leva as táticas do xadrez para os gramados e pretende usá-las para chegar a amais uma final de Campeonato Amazonense 05/06/2015 às 21:37
Show 1
Cavalo é um exímio estrategista da bola e do xadrez.
Denir Simplício Manaus (AM)

Xadrez é um jogo de estratégia em que um jogador tenta derrotar o outro usando táticas de movimentação das peças no tabuleiro. Quem lê uma das definições do milenar jogo pode até achar que não existe relação alguma com o chamado esporte bretão. Mas, na visão do técnico João Carlos Cavalo, o tabuleiro quadriculado em preto e branco tem tudo a ver com o verde dos campos de futebol.

Fã confesso de estratégias de jogo, Cavalo usa o xadrez como forma de estimular o cérebro muito mais do que pelo lazer. “Eu gosto de jogar na concentração... mexe um pouco com a inteligência da gente. Gosto de coisas que mexem com o teu cérebro”, confessou o treinador que tem sido um verdadeiro estrategista à frente do Rolo Compressor. A prova disso foi a boa vitória sobre o Princesa do Solimões no primeiro duelo das semifinais do Barezão.

Adepto do xadrez a pouco mais de cinco anos, João Carlos Cavalo joga com os filhos, Gabriel e Matheus, na horas vagas e leva pros gramados os ensinamentos do jogo. “O xadrez é um jogo de estratégia e tem muita semelhança com o futebol. Você trabalha as estratégias do jogo... cada peça tem função específica, existe a movimentação dessas peças e no futebol se trabalha muito a movimentação dos atletas em campo”, explicou o treinador.

Como enxadrista, Cavalo confessou que prefere mexer suas peças depois que  o adversário faz o primeiro movimento. Segundo ele, um bom estrategista lê a mente do oponente de acordo com a mexida das peças no jogo. “Você espera uma mexida errada do adversário pra poder fazer o seu movimento. No futebol é parecido. Se o adversário está se protegendo de um lado, você roda a bola até o atrair pra outro lado e fazer a jogada. Existe toda uma estratégia de jogo”, disse.

No xadrez a jogada mais completa e mortal é o xeque mate, que consiste na captura do Rei inimigo. No confronto com o Tubarão, o técnico do Tricolor protegeu seu Rei (no caso o gol) ao anular as investidas do veloz Edinho Canutama. No tabuleiro do treinador fastiano, a figura do Peão (no caso os volantes) é tão importante quanto a da Rainha ou da Torre (atacantes). O setor de meio de campo do Fast Clube é muito forte e compacto, fazendo do setor uma barreira que protege a defesa do ataque inimigo. Assim como no xadrez, os meias do Tricolor protegem uns aos outros como uma verdadeira falange.

Rumo a 10ª final

Cavalo pendurou as chuteiras em 2002, com a camisa do Rio Negro, e no ano seguinte já estreava na função de técnico de futebol no próprio Galo. Três anos antes, ele atuava no Yverdon Sport, da Suíça, e foi lá que ele encontrou Pierre-Albert Chapuisat (pai do craque Chapuisat, que brilhou no Borussia Dortmund- ALE nos anos 1990), o comandante da equipe suíça lhe abriu a mente sobre estratégias de jogo. “Joguei sob o comando do Chapuisat na Suíça e ele cobrava muito essa questão da marcação, do posicionamento. Gostava muito das palestras dele. Era chato mesmo quando o assunto era a questão tática. Aprendi muito sobre futebol com ele”, confirmou.

Desde então o treinador do Rolo Compressor tem acumulado experiência no cargo e, caso passe pelo Tubarão, chegará a sua décima final de campeonato estadual. Das nove decisões anteriores, Cavalo saiu vencedor em seis delas. Com mais vitórias que derrotas no currículo, o técnico relembra de sua passagem pelo Fast Clube em 2008, quando o Tricolor chegou a perder uma partida do Brasileirão da Série C por W.O. e quer escrever uma nova história no clube. “Em 2008 estive aqui e não fomos bem. O clube atravessa uma grande crise financeira. Chegamos a perder um jogo por W.O. pois não tínhamos como viajar. Não tinha a estrutura que tem agora. Hoje mudou muita coisa. O clube é mais profissional... os dirigentes têm muito mais visão. Só falta o título e estamos na luta por essa conquista”, pontuou.

Contratado durante a competição para substituir Ney Júnior, João Carlos Cavalo admitiu que no começo foi complicado trabalhar com um grupo de jogadores que ele não havia formado. Mas que aproveitou a nova fórmula do Campeonato Amazonense, mais longa, para ajustar as peças de acordo com o jogo. “É sempre mais difícil, mais complicado. Todo treinador tem uma maneira peculiar de dirigir sua equipe. A gente procura trazer jogadores com seu perfil. Mas eu soube aproveitar que o campeonato foi longo. Isso facilitou... eu cheguei aqui e tive mais tempo de trabalhar. Tivemos mais jogos pra acertar a equipe durante a competição”, analisou o técnico.

Jogador  que caiu nas graças da torcida do Tricolor, Romarinho foi um reforço trazido pelo treinador  quando o Barezão estava no a pleno vapor. O jogador atua tanto na lateral-esquerda como no ataque. O estrategista João Carlos Cavalo soube transformar outras peças do elenco do Fast em verdadeiros coringas do xadrez. ““O grupo é muito homogêneo. Eu ainda pude trazer o Romarinho. Mas eu vi que tinha variedade no grupo que estava aqui. É claro, que todos os atletas cresceram durante o campeonato. Conseguimos trazer pro grupo que cada um é necessário. Tanto que todos foram utilizados nos jogos”, comemorou Cavalo.

Tabuleiro tricolor

Campeão amazonense em 2005 com o Grêmio Coariense -  primeiro título ganho por uma equipe do interior do Estado - Cavalo quer chegar a sua terceira  final de Barezão. Para isso  terá de passar pelo Princesa do Solimões, do técnico Zé Marco. Por enquanto, no confronto entre os dois estrategistas da bola, o enxadrista do Tubarão leva vantagem, já que tem duas vitórias contra um triunfo de Cavalo.

O comandante do Tricolor  já mapeou a tática  adversária e, mesmo respeitando o Princesa, quer empatar o duelo e chegar à decisão. “O Princesa é uma equipe que tem sua característica própria e eles não vão abrir mão de jogar pra cima. Eles têm jogadores bastante velozes como o Edinho, Lacraia... o Paraíba. Tem o Douglas que chuta muito bem de longe. Vamos procurar jogar sem dar espaço pra esses jogadores. Temos de ter uma consistência na marcação mais forte. Atuar mais compactados defensivamente pra tomar a bola e fazer nosso jogo”, finalizou.

Publicidade
Publicidade