Quarta-feira, 24 de Julho de 2019
Ciência Aplicada

50 ‘tons’ de buriti: Engenheiro florestal faz receitas a partir do fruto amazônico

A ideia gerou o  livro: “Frutos Nativos da Amazônia comercializado nas feiras de Manaus”, que apresenta  uma variedade de 300 frutos, mas se destacam apenas 38 que foram encontrados no comércio



Buriti.PNG Vatapá (sem dendê) e pernil de porco temperados com o molho castumburi, feito de buriti, castanha e tucumã (Foto: Antônio Menezes)
20/05/2016 às 19:44

Quando pensamos no buriti, de imediato lembramos do picolé, sorvete, vinho e também de doces. Porém, uma pesquisa desenvolvida nos últimos quatro anos pelo engenheiro florestal Afonso Rabelo mostra que a polpa do fruto nativo pode temperarar comidas típicas e ser base para  novas receitas. O trabalho deve virar  um livro até o final do ano.

Para Afonso Rabelo,  a ideia pode ser um meio de gerar rendas para população, como é o caso de  comunidades de Itacoatiara que recebeu uma oferta pela mão de obra da coleta da poupa para uma industria que irá comercializar um dos 54 produtos criados por Rabelo, como o molho de pimenta de Buriti nativa.

Tempero de Buriti, farinha, vatapá de buriti, doces, mousses, bolos, entre outras variedades, tem sido criados com a pesquisa que iniciou em 2014, quando o engenheiro florestal,  que é técnico especializado em sistemática de palmeiras e fruteiras nativas da Amazônia do Instituto de pesquisa da Amazônia (INPA), juntamente com o  laboratorialista e técnico Felipe França decidiram ir nas feiras de Manaus para ver quais frutos nativos da Amazônia eram comercializados.

A ideia gerou o  livro: “Frutos Nativos da Amazônia comercializado nas feiras de Manaus”, que apresenta  uma variedade de 300 frutos, mas se destacam apenas 38 que foram encontrados no comércio. O fato de a polpa do açaí gerar um número alto de produtos chamou atenção de Rabelo que resolveu buscar outro fruto com  características parecida e chegou ao  buriti.

“O buriti é um fruto com um alto índice nutricional e medicinal. A fruta é rica em vitamina A - essencial para os olhos e também previne de doenças infecciosas -, mas a colheita do fruto é bem difícil, além de perigoso, pois os troncos são grossos, altos e serve de moradia para bichos peçonhentos - como  cobras. No período da coleta, muitos frutos eram perdidos, pois não estavam maduros  e por causa disso os coletores deixavam os cachos no chão e quando retornavam descobriam que o fruto havia se perdido”, explicou.

 Os colheiteiros até tentaram colocar o fruto na água fervida, mas também se perdia, pois não amadurecia para fazer o processo de retirada da polpa. “Só eram aproveitado o buriti que caia no chão. Todo dia era preciso verificar se havia mais fruto no chão. Então fomos em busca de métodos tanto para facilitar na colheita como também uma forma de fazer com que o fruto amadurecesse de forma correta e que não tivesse mais perda”, disse.

O engenheiro percebeu que  o fruto  realmente amadurecido tem  a casca mais escura, enquanto o ‘verde’  ficava com a casca mais avermelhada. “De qualquer forma utilizei as mesma metodologia já testada pelos colheiteiros e realmente não deu certo. Foi então que colocamos o fruto em uma área arejada e limpa e esperamos alguns dias para ver o que ocorria e o fruto amadureceu. A segunda etapa foi criar uma forma de facilitar a coleta”, lembrou.

Rabelo juntamente com França e mais o ilustrador botânico Gláucio Belém criaram uma ferramenta para a coleta de cachos de palmeiras, um tipo de vara que se agarra ao troco da fruteira e da um apoio para não cansar o coletor e muito menos cair a qualquer momento e com um simples toque no cacho, ele cai para seguir os procedimentos.

A ideia gerou uma cartilha. Para os criadores da ferramenta essa ideia deve ser abraçada pela prefeitura e pelo governo do estado, para que se tenha o aumento na colheita do buriti e gere renda para as comunidades que possui plantações do fruto em toda a Amazônia.

Almoço de degustação teve 54 receitas a base do fruto

No início da tarde de ontem, o engenheiro florestal, Afonso Rabelo junto com a equipe que vem ajudando e idealizando os pratos específicos com a polpa do buriti promoveram um almoço de degustação no Instituto Nacional de Pesquisa da Amazônia (Inpa). Para a degustação, Rabelo preparou pernil, pato ao buriti (o molho que deveria ser do tucupí, foi trocado por um molho feito a base do fruto), pirarucu ao molho de buriti, caldeirada do molho de buriti, além de doces do fruto.

O que fez fama foi o tempero criado pelo engenheiro que substitui cominho, colorau e pimenta do reino. O tempero leva polpa do buriti, mais castanha e também tucumã. “Tudo que utilizamos é regional. Quem prova, se apaixonada pelo sabor. Sem dúvida esses produtos devem fazer sucesso se realmente as receitas forem colocadas em prática”, disse Rabelo.

O tempero foi batizado de  castumburi e pode subistituir temperos importantes da culinária, como azeite de dende no vatapá, o tucupí e outros. O mesmo também foi completado com a pimenta e quem prova afirma ser o melhor molho de pimenta degustado.

Estudante de gastronomia aprovou

A estudante de gastronomia Alba Barroso, 28, quando soube da degustação da culinária com o novo molho feito com buriti, castanha e tucumã, resolver ir conhecer esse novo sabor. “Precisamos realmente valorizar o que há na terra. Desde que iniciei a faculdade percebi o quanto as nossas riquezas são totalmente esquecidas. Não sabemos realmente aproveitar o que é nosso.

O buriti realmente tem um sabor totalmente marcante, o tempero fica intenso e consistente. Tudo é sensacional. Isso mostra que realmente precisamos investir na nossa gastronomia regional. Isso irá gerar novas fontes de renda e ajudará muitas comunidades que terão mais um meio de renda com a polpa do buriti”, comentou, após degustar o pato no castumburi e os doces do buriti. 

Durante o evento houve degustação de bebidas também criadas com a base da fruta amazônica.

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