Quinta-feira, 12 de Dezembro de 2019
SUSTENTABILIDADE

Ações de educação em comunidades na Amazônia levam a FAS a receber prêmio

Fundação Amazonas Sustentável (FAS), que há mais de 11 anos atua na conservação ambiental e na valorização dos povos da floresta, é a primeira organização brasileira e sul-americana da história a receber o prêmio da Unesco



amaz_nia_6F7EECB5-AF7F-4DE2-AA09-06C86EB457D5.JPG Fotos: Divulgação
15/11/2019 às 10:59

O que um ex-madeireiro que se tornou empreendedor de turismo e gerente de pousada, uma adolescente que se tornou líder da juventude amazônica e uma professora de uma comunidade tradicional que cuida das ações de educação na sua localidade têm em comum? É que todos eles tiveram suas vidas modificadas, para melhor, a partir do momento em que a Fundação Amazonas Sustentável (FAS) passou a realizar ações educativas em suas comunidades.

Eles são alguns dos expoentes que ajudam a explicar porque a FAS será premiada, nesta sexta-feira, dia 15, em Paris, com o Prêmio Unesco-Japão de Educação para o Desenvolvimento Sustentável, sendo a única organização brasileira e sul-americana em toda a história da honraria a ser contemplada.



Entre as ações da FAS de Educação para o Desenvolvimento Sustentável (EDS) na Amazônia que levaram à conquista do prêmio estão soluções inovadoras aplicadas em 581 comunidades ribeirinhas e indígenas, que ficam situadas em 16 Unidades de Conservação (UC), numa área equivalente a 10,9 milhões de hectares, onde mais de 39 mil pessoas e 9.598 famílias são beneficiadas. Dentre essas ações estão projetos e programas voltados para geração de renda, gestão de recursos naturais, empoderamento comunitário, capacitação de lideranças, conhecimento tradicional, apoio a educação formal, primeira infância, monitoramento da floresta, infraestrutura, pesquisa e desenvolvimento.

Roberto Brito, 44, era madeireiro e hoje é empreendedor de turismo e gerente de pousada, da comunidade Tumbira, na Reserva de Desenvolvimento Sustentável (RDS) Rio Negro. Até a FAS entrar em sua vida e ele receber ações de educação voltadas para o empreendedorismo.

“Eu era madeireiro até 2010 e tive a oportunidade de ver a floresta de outro jeito sem ser derrubada. Comecei a trabalhar com turismo dentro da comunidade em base comunitária e graças a Deus tenho ajudado o desenvolvimento através disso. Nós, caboclos, por falta de conhecimento, acabamos tirando a madeira. A FAS nos possibilitou pequenos cursos que enriqueceram nossa curiosidade como pratica, como de Empreendedorismo junto ao Sebrae e Senai, de Eletricista em parceria com a própria fundação e o Senai, Mecânico de motor de pôpa junto com o Cetam e até da própria Extração de Madeira, mas com manejo sustentável”. Para o turismo, ele conta que Tumbira recebeu curso de camareira, gastronomia, condutor de trilha pelo Cetam, pilotagem e outros.


O ex-madeireiro Roberto Brito, 44, na frente da pousada onde é gerente 

Ao falar sobre a importância das ações da FAS, ele disse que essa “foi a oportunidade única de chamado para desenvolvimento de locais junto a pessoas que há mais de 100 anos precisavam dessa oportunidade”. “Meus pais e avô foram madeireiros que não tiveram a oportunidade de mudar as coisas, e graças a Deus a oportunidade chegou; é a chance de mudar, é a valorização de empoderamento dos caboclos. Hoje somos ouvidos e incluídos em ações sociais com tudo que têm direito, com tecnologia avançada, valorizando a vida dos caboclos e na questão da pessoa”, afirmou ele.

Da Comunidade do Carão, também na RDS Rio Negro, o elogio às ações da fundação de desenvolvimento sustentável vêm da jovem Odenilze Ramos, 22, que se tornou líder da juventude amazônica no local. Ela participou de atividades de educação, incentivo à leitura e escrita e educomunicação.

“Moro na Comunidade do Carão com meus pais e fiz parte de alguns projetos da FAS como o ‘Repórter da Floresta’, onde basicamente fiz toda a parte de formação de trabalhar com a comunicação, de como trabalhar com mídias. Outras ações foram o ‘Jovem Protagonista’ - que era um projeto de formação de lideranças - o ‘Intercâmbio de Saberes’, do qual criamos o movimento jovem ribeirinho ‘Somos Filhos da Floresta’. E é bem importante o que a Fundação faz em comunidades porque locais como o nosso nem sempre têm tanto acesso a projetos, principalmente aqueles voltados à essa parte de educação não-formal”, analisa a jovem.

Ela disse que o prêmio que será concedido nesta sexta-feira à Fundação Amazonas Sustentável, em Paris, é super merecido “porque a FAS faz vários trabalhos na educação”. Um deles, explica a jovem, é o Escola D’Água Swarovski, que busca preparar as crianças das novas gerações para compreensão e prática do uso sustentável da água. “Esse projeto é desenvolvido no mundo inteiro e aqui no Amazonas é gerenciado pela FAS. Acabei de voltar do Purus e é bem importante esse trabalho que é realizado lá. Tem uma importância na educação em todos os projetos que eles realizam e é legal que a Fundação seja reconhecida pelo que vem fazendo”, salienta a jovem liderança.

Tudo em prol do ambiente

A FAS foi escolhida por um júri internacional independente formado por membros de reputação no campo da EDS, entre eles Oscar Motomura (Brasil), Stephen Sterling (Reino Unido), May Makhzoumi (Líbano), Yoshiyuki Nagata (Japão) e Akpezi Ogbuigwe (Nigéria).

O anúncio foi feito pela diretora-geral da Unesco, Audrey Azoulay. A fundação vai receber uma premiação de US$ 50 mil financiada pelo Governo do Japão.

O superintendente-geral da fundação, Virgílio Viana, reforça a estratégia de conservar o meio ambiente por meio do investimento em educação para o desenvolvimento sustentável.

“Temos apoiado desde o início ações inovadoras de educação capazes de fazer com que as pessoas façam uma ponte entre o saber tradicional das suas culturas com o saber e o conhecimento científico contemporâneo. Nossa ideia é fazer das pessoas empreendedoras da floresta, líderes de processos inovadores capazes de dar valor à biodiversidade da Amazônia, gerando emprego e renda e fazendo com que a floresta tenha mais valor em pé do que derrubada”, concluiu.

Mudança pra melhor

Liderança na comunidade de Tumbira e vice-presidente da RDS Rio Negro, a professora Izolena Garrido enumerou algumas das ações da Fundação Amazonas Sustentável em sua localidade, inclusive tendo como base o investimento do programa Bolsa Floresta através da FAS, bem como a oportunidade do ensino Fundamental 2 ao Médio para 19 comunidades e novos rumos aos jovens.

A mestre frisa a mudança para melhor e o desenvolvimento desses jovens assistidos pelas ações realizadas pela FAS na sua região.  “Nesse período houve formação continuada para professores de escolas municipais com os projetos ‘Bases de Aprendizado’, ‘Palavra de Criança’ e ‘Floresta Ensina’ para capacitar os professores que trabalham com a educação de campo e outros  e, ainda, o ‘Programa Primeira Infância Ribeirinha’, que ajudou o desenvolvimento de crianças de zero a seis  anos. Percebi que as crianças que foram acompanhadas por esse programa tiveram melhor desenvolvimento na escola e suas habilidades sócio-motora e intelecto-social em sala de aula e em suas atividades”, destaca.

Repórter de A Crítica

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