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Agricultores ganham duas novas alternativas para elevar produção de guaraná no Amazonas

As variedades, que carregam em seu nome alusões àqueles que iniciaram a domesticação do guaraná, os indígenas, tiveram seu evento de lançamento prestigiado por mais de cem pessoas, entre agricultores, técnicos, pesquisadores e outros interessados no cultivo do fruto amazônico 15/11/2013 às 16:20
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Aliando alta produtividade e resistência, a dupla BRS Saterê e BRS Marabitana é mais uma alternativa apresentada pela Embrapa para elevar a produção do guaraná no Amazonas e aumentar a barreira genética à antracnose
ACRITICA.COM* Manaus (AM)

Apesar de já estarem em avaliação há quase duas décadas, foi nesta quarta-feira (13) na Fazenda Rancho Grande, em Itacoatiara (AM) - a 177 quilômetros de Manaus -, que se deu a apresentação oficial da BRS Saterê e BRS Marabitana, as duas novas cultivares de guaraná lançadas pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa). O critério nas pesquisas referendam ao produtor duas importantes características: alta produtividade e resistência a doenças.

A BRS Saterê e a BRS Marabitana juntam-se a um time de 16 cultivares já disponibilizadas pela Embrapa. A perspectiva é que a dupla possa ajudar a alavancar a produção do Amazonas e a devolver o posto de primeiro lugar em produção de guaraná ao Estado no futuro – a dianteira desde a década de 80 pertence à Bahia. Para isso, é preciso haver a adoção por parte dos produtores. E se depender do agricultor Clodoaldo Carvalho dos Anjos, presente no evento de lançamento, isso deve acontecer.

“Tudo o que vimos aqui será um grande incentivo para as comunidades de Itacoatiara produzirem o guaraná”, destacou o produtor, que completou: “acho que o guaraná pode gerar uma boa renda para o agricultor familiar”.

A agricultora Helena Soares concorda com Clodoaldo. Para ela, o fruto pode ser uma alternativa para melhorar a vida de pequenos produtores que hoje estão com dificuldades em outras culturas.

“Acho que o guaraná pode gerar uma renda boa e pode tirar muita gente do vermelho”, disse. Além da tradição, o interesse dos produtores também fundamenta-seno mercado, que está em ascensão para o guaraná. O fruto é demandado pela indústria em diferentes âmbitos, como cosméticos, bebidas energéticas, refrigerantes, extrato concentrado e fármacos. O preço pago é atrativo, e hoje gira em torno de R$ 20,00 o quilo da semente seca.

Para o gerente da Unidade de Itacoatiara do Instituto de Desenvolvimento Agropecuário e Florestal Sustentável do Amazonas (Idam), Paulo Damásio, o cenário atual é estimulante para quem quer produzir.

“Com o aumento do preço pago pelo guaraná e com estas tecnologias disponibilizadas pela Embrapa, que garantem resistência ao grande problema que temos em termos de produção e produtividade, que é a doença antracnose, a tendência é o aumento da produção. As nossas terras têm potencial para o guaraná e estamos preparando os produtores para que esta produção aumente”, disse.

O que relata Damásio encontra alicerce em um dado importante: nos últimos cinco anos, a área plantada com guaraná no Amazonas cresceu cerca de 50%, passando de 4,5 mil para 6,7 milhectares (ha).

As cultivares

Aliando alta produtividade e resistência, a dupla BRS Saterê e BRS Marabitana é mais uma alternativa apresentada pela Embrapa para elevar a produção do guaraná no Amazonas e aumentar a barreira genética à antracnose, principal doença do guaranazeiro, causada pelo fungo Colletotrichum Guaranicola. Foi ela que dizimou parte dos guaranazais tradicionais do Amazonas e é responsável pela baixa produtividade dos plantios no Estado.

“Como prova de que estas plantas são boas de produção e vigorosas, elas foram testadas em Maués, onde está o maior foco da doença (antracnose). Se a doença não comprometeu a planta em Maués, dificilmente acontecerá em outro local. Comparando, é como uma pessoa. Se ela está no meio de muita gente com gripe e não pega, é porque é resistente. Se for para um local onde não tem a gripe, não há por que ficar gripada”, destacou o pesquisador da Embrapa Amazônia Ocidental, André Atroch, ao explicar as características das duas cultivares durante o lançamento. Além disso, as variedades apresentam resistência completa à hipertrofia da gema vegetativa e galha do tronco, e suscetibilidade a hipertrofia da gema floral, que são outras doenças que afetam a planta.

A BRS Saterê e a BRS Marabitana foram avaliadas no Amazonas durante oito anos em ensaios preliminares e mais dez anos em ensaios em rede estadual. Com as recomendações do sistema de produção, é possível produzir em torno de 1 a 1,5 quilos de sementes secas por planta, o que representa uma produtividade de 400 a 600 quilos por hectare, em plantios com espaçamento de cinco metros por cinco metros. Assim, em uma mesma área, é possível alcançar uma produtividade cinco vezes maior do que a atual obtida no Amazonas. As características da planta ainda permitem maior adensamento no plantio, sendo possível chegar ao número de mil quilos/ha.

Produção e comercialização de mudas

Em uma das estações do evento de lançamento, o gerente do Escritório da Amazônia da Embrapa, Rosildo Simplício, e o supervisor do Campo Experimental da Embrapa em Maués, Ribamar Ribeiro, apresentaram o viveiro da Fazenda Rancho Grande, onde as mudas das novas cultivares serão produzidas e comercializadas. O viveirista atendeu a todos os requisitos exigidos e está credenciado pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento e licenciado pela Embrapa para realizar a produção e comercialização das mudas. “A Embrapa lançou o edital em nível nacional, por 30 dias, e a Fazenda Rancho Grande foi a selecionada para ser a licenciada destas duas novas cultivares”, explicou Rosildo.

O produtor Fernando Francelino, gerente e proprietário da Fazenda Rancho Grande, também atesta a qualidade das cultivares lançadas em relação à produtividade e resistência. Ele explica que a BRS Saterê e BRS Marabitana estão, no momento, na etapa inicial de formação na propriedade.

“Agora as plantas estão em fase de crescimento. Vai ser feito plantio para formar o jardim clonal, para daqui a dois anos ter este novo material, para aí sim colocar no viveiro e colocar à disposição para o mercado”, disse.

O lançamento da BRS Saterê e da BRS Marabitana foi promovido pela Embrapa Amazônia Ocidental (Manaus-AM) e Embrapa Produtos e Mercado/Escritório da Amazônia. O evento contou com o apoio da Fazenda Rancho Grande, da Prefeitura de Itacoatiara e do Idam. A atividade integrou a programação da Semana Nacional de Ciência e Tecnologia no Amazonas.

*Com informações da assessoria de imprensa

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