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Amazônia
Queimadas

Amazonas registrou redução de 27% nos focos de queimadas em relação a 2015

Especialistas ponderam que queda nos focos de queimadas tem como base os números recordes de 2015 28/10/2016 às 05:00
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Ano tomado como base, 2015 teve recorde de queimadas e fumaça. Especialistas se reuniram para discutirem o balanço do ano. Foto: Márcio Silva
Luana Carvalho Manaus (AM)

Neste mesmo período do ano passado, a população de Manaus viveu dias cinzentos, com pouca chuva e muita fumaça. Este ano houve uma redução de quase 30% no número de queimadas. Porém, a comparação é feita com o ano passado, que bateu recorde de focos registrados no Amazonas (no total foram 15.170 mil), o que, alertam especialistas, não é motivo para comemorar: a redução, apontam eles, precisa ser ainda maior.  

Nesta quinta-feira (27) aconteceu uma reunião do Grupo de Trabalho (GT) de Queimadas, que reúne representantes das secretarias municipal e estadual de meio ambiente, Corpo de Bombeiros, Sistema de Proteção da Amazônia (Sipam), Universidade Federal do Amazonas (Ufam), entre outros órgãos que compõem o GT.

“Reduzimos as queimadas neste ano, mas a redução ainda precisa ser mais expressiva porque temos como referência um ano que foi recorde. Estamos entrando no período das chuvas e precisamos refletir sobre isso porque precisamos intensificar as ações ainda mais para o ano de 2017 para que  a gente tenha uma redução maior, assim como precisamos retomar a curva do decréscimo do desmatamento, que também está associado à questão das queimadas”, avaliou o secretário estadual de Meio Ambiente, Antonio Stroski. 

De 2014 para 2015, o Amazonas registrou aumento de 42% no desmatamento, principalmente no sul do Estado, onde os focos de queimadas também predominam. Os dois fatores têm ligação direta, logo, o número de queimadas subiu 63% em todo o Amazonas. 

Nos últimos três meses deste ano, os municípios de Lábrea, Boca do Acre e Apuí lideraram o ranking de focos de queimadas, seguidos de Manicoré, Novo Aripuanã e Humaitá. Ao todo, 12 municípios, a maioria do sul do Amazonas, representaram 73% dos focos de queimadas de julho até o dia 26 deste mês. 

Qualidade do ar
Durante a apresentação do balanço, a professora da Universidade Federal do Amazonas (Ufam) Cristine Machado apresentou dados sobre o estudo de qualidade do ar realizado em Manaus e no Município de Manacapuru, distante 68 quilômetros da capital.  No ano passado, nos períodos de março a junho, os níveis de poluição do ar ficaram abaixo dos limites estabelecidos pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e Agência de Proteção Ambiental dos Estados Unidos (US-EPA). No entanto, no período da seca, quando houve um grande número de queimadas, os níveis ultrapassaram os limites. 

“No período em que houve o aumento de queimadas, associado aos efeitos do El Niño, com ausência de chuvas, contribuiu para que a qualidade do ar tivesse uma piora porque os poluentes acabam concentrados na atmosfera, não chove para remover os poluentes, há uma certa estabilidade da movimentação atmosférica e a massa dos poluentes não circula”, explicou.

Números
As queimadas também são, assim como outros poluentes (emissões veiculares e indústria), potenciais poluidores  e influenciam diretamente na qualidade do ar, como aconteceu no ano passado, quando houve aumento de internações nas unidades de saúde por problemas respiratórios.  Neste ano, os níveis estão abaixo dos limites estipulados pelos órgãos de saúde e ambientais.

 

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