Domingo, 29 de Novembro de 2020
CENÁRIO

Amazônia tem piores queimadas em uma década, mostram números

Em setembro, os satélites registraram 32.017 focos de incêndio na maior floresta tropical do mundo, um aumento de 61% em relação ao mesmo mês de 2019



image_processing20200201-29235-15rh2ay_8E138FE8-6981-4430-B423-DFFD2CA7ECDE.jpg Foto: Reprodução/Internet
01/10/2020 às 17:48

As queimadas na Amazônia aumentaram 13% nos primeiros nove meses do ano na comparação com o mesmo período de 2019, e a floresta vive o pior período de incêndios em uma década, mostraram dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) nesta quinta-feira.

Em setembro, os satélites registraram 32.017 focos de incêndio na maior floresta tropical do mundo, um aumento de 61% em relação ao mesmo mês de 2019.



Em agosto do ano passado os crescentes incêndios na Amazônia ganharam as manchetes no mundo todo e provocaram críticas de líderes mundiais, como o presidente da França, Emmanuel Macron, de que o Brasil não estaria fazendo o suficiente para proteger a floresta tropical.

Na terça, o candidato democrata à Presidência dos Estados Unidos, Joe Biden, propôs um esforço mundial para fornecer 20 bilhões de dólares para parar com o desmatamento da Amazônia e, sem especificar, ameaçou o Brasil com “consequências econômicas significativas” se o país não parar a devastação da floresta. 

O presidente Jair Bolsonaro foi duro na resposta a Biden e classificou a declaração dele como “desastrosa e gratuita”, afirmando ainda que o democrata fez “infundadas ameaças”. 

Os dados do Inpe mostram que, em 2019, os incêndios tiveram um pico em agosto e caíram consideravelmente um mês depois, mas neste ano o pico tem se mantido. Tanto em agosto quanto em setembro deste ano o pico dos mesmos meses do ano passado foi igualado ou superado.

“A gente teve dois meses de muito fogo. Pior do que o ano passado já está. Pode piorar ainda mais, se a seca continuar. A gente está à mercê das chuvas”, disse Ane Alencar, diretora científica do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (Ipam).

A Amazônia enfrenta uma temporada de seca mais severa do que no ano passado, o que os cientistas atribuem ao aquecimento do Atlântico Norte tropical.

Em toda a Amazônia, que se espalha por nove países, há atualmente 28.892 focos de incêndio, de acordo com uma ferramenta de monitoramento financiada em parte pela Nasa, a agência espacial dos Estados Unidos.

Os incêndios em setembro não queimaram apenas áreas recentemente desmatadas e áreas agrícolas, onde produtores iniciam o fogo para limpar a terra, mas atingem cada vez mais a mata virgem, uma tendência preocupante que sugere que a floresta está cada vez mais seca e mais propensa ao fogo.

Cerca de 62% dos maiores incêndios na Amazônia aconteceram em florestas em setembro, contra somente 15% em agosto, de acordo com análises de imagens de satélite da entidade sem fins lucrativos sediada nos EUA Amazon Conservation.

O aquecimento do Atlântico Norte também está influenciando a seca no Pantanal, que segundo dados do Inpe registrou o maior numero de focos de incêndios desde o início dos registros em 1998. 

“O Brasil está em chamas”, disse Cristiane Mazzetti, do Greenpeace Brasil, em comunicado.


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