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Após cheia, dificuldade para navegação pode ocasionar aumento de preços no AM

Canais assoreados com a vazante já deixaram 45 balsas encalhadas; serviço de dragagem não é feito há 12 anos no rio Madeira 10/09/2014 às 08:43
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A enchente deste ano no rio Madeira bateu o recorde histórico e atingiu um nível próximo dos 20 metros, em Novo Aripuanã; fenômeno carregou sedimentos que agora precisam ser dragados
Jéssica Vasconcelos ---

Passados os meses de enchente, o rio Madeira segue baixando em um ritmo normal, segundo dados do Serviço Geológico do Brasil (CPRM), porém, para quem depende da navegação outros problemas começaram a surgir. Ontem, o rio marcou 11,70 metros, enquanto no ano passado, na mesma data, a marca era de 12,04 metros.

Por falta de retirada dos sedimentos, a navegação e o abastecimento de alguns produtos pode ser comprometido se nada for feito. Segundo o presidente do Sindicato das Empresas de Navegação do Estado do Amazonas, Claudomiro Carvalho Filho, muitas balsas e embarcações estão com dificuldade de passar em alguns pontos, o que acabará ocasionando o sobrepreço do frete e consequentemente dos produtos. “O rio Madeira é a principal hidrovia da região. É por ela que são levadas de Manaus boa parte do combustível que abastece o Acre, Rondônia e parte do Mato Grosso”, explicou o presidente.

Ainda segundo Claudomiro, todos os anos a navegação sofre com a vazante e há 12 anos não é realizado pelo Governo Federal a dragagem (retirada dos sedimentos) dos pontos críticos do rio. O presidente da Federação das Empresas de Navegação (Fenavega), Raimundo Holanda, disse que todos os anos há promessas de que será feita a dragagem do rio, porém isso fica apenas nas promessas. “Eles deixam para iniciar a licitação em setembro o que não adianta, pois logo depois o rio começa a encher novamente”, acrescentou o presidente.

Raimundo Holanda lembra ainda que esse ano houve a assinatura do contrato, mas que a empresa vencedora da licitação demorou para iniciar os trabalhos e ontem ainda estava montando uma das máquinas para realizar a dragagem.

O ideal é que o processo seja realizado em agosto para que a navegação não seja afetada em nenhum momento, pois desde a primeira semana de setembro as balsas estão com dificuldade para trafegar porque o rio está apenas 1,80 metros de profundidade em alguns trechos quando o ideal seria três metros.

Raimundo Holanda informou ainda que a federação alertou o Ministério dos Transportes sobre a situação e protocolou um documento novamentepara tentar encontrar uma solução para a questão, pois o dinheiro é repassado, mas o trabalho não é concluído. “Eles deixam para iniciar a dragagem quando boa parte da navegação já está afetada”, disse Raimundo Holanda.

De acordo com o pesquisador em Geociências do CPRM André Martinelli, ainda não é possível determinar se a vazante será de grande proporção, mas considerando os anos anteriores a vazante está dentro da normalidade.

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