Terça-feira, 10 de Dezembro de 2019
Amazônia

Após reintegração, poder público traça plano de reflorestamento na invasão Cidade das Luzes

Durante a ação de desocupação, nesta sexta-feira (11), pelo menos dez pessoas ficaram feridas, sendo quatro policiais militares, e oito foram presas, por desacato



1.jpg Local da invasão é área de proteção e defensoria aponta interesses do mercado imobiliário na área
11/12/2015 às 22:45

Após a retirada de aproximadamente 300 famílias - segundo estimativa da Secretaria de Segurança Pública (SSP) - de uma área de 60 hectares, onde foi criada  a invasão Cidade das Luzes, no bairro Tarumã, na Zona Oeste, a Prefeitura de Manaus e a Vara Especializada em Meio Ambiente e Questões Agrárias (Vemaqa) começaram a traçar um plano de reflorestamento da área, de acordo com informações da prefeitura.

Segundo a Secretaria Municipal de Comunicação (Semcom), o prefeito Artur Neto (PSDB) e o juiz da Vemaqa, Adalberto Carim, se reuniram ontem (11) para conversar sobre o reflorestamento da área degradada. Outros órgãos ambientais também devem participar da ação.  A Secretaria Municipal de Meio Ambiente (Semmas), informou que uma comissão já foi formada para avaliar os impactos ambientais no local, mas não informou a previsão. 



O secretário-executivo do Gabinete de Gestão Integrada (GGI), Frederico Mendes,  afirmou que, a partir de agora, a responsabilidade de evitar que os invasores retornem a área é da Prefeitura, que solicitou a Ação Civil Pública de desocupação por tratar-se de uma Área de Preservação Ambiental (APA), e do proprietário, que também entrou com um processo de reintegração de posse na Justiça Federal.

“Nós demos o apoio ao cumprimento do mandado e acompanhamos o oficial de Justiça. De agora em diante, o município e o proprietário devem certificar-se que o local não volte a ser invadido. O laudo com o impacto ambiental também deve partir da prefeitura”, declarou.

Desocupação

Durante a ação de desocupação, pelo menos dez pessoas ficaram feridas, sendo quatro policiais militares, e oito foram presas, por desacato. As tropas especiais da Polícia Militar deram início à ação por volta das 6h.  Por volta das 9h, o morador André Junior Oliveira, 32, ateou fogo nele mesmo. 

Segundo o coronel Cleitman Coelho, o homem se acorrentou a uma botija de gás na parede de um barraco,  jogou gasolina no local  ateou fogo. Ele teve queimaduras de terceiro grau em 90% do corpo. O capitão Jardir Anit, do Comando de Operações Especiais (Coe) da PM, interviu e se atirou no fogo para desacorrentar André. Os dois sofreram queimaduras.  O morador foi socorrido e levado pelo Serviço de Atendimento Móvel de Urgência e o capitão Anit levado no helicóptero Águia da PM. Os dois foram encaminhados ao Hospital e Pronto Socorro 28 de Agosto. O estado de saúde de André era grave, e do PM, estável, até o fechamento desta edição.

Fogo nas árvores e barricadas

Assim como aconteceu na primeira tentativa de desocupação da Cidade das Luzes, no final do mês  passado, ocupantes da área montaram uma barreira na entrada do ramal da Anaconda, que dá acesso à invasão e atearam fogo para impedir o acesso das tropas e dos tratores. No entanto, a resistência durou aproximadamente uma hora.

A cabeleireira  Milena Moreira, 32, morava há oito meses na invasão e se revoltou com a forma como foram retirados. “Nós não somos bandidos e só queremos um pedaço de terra. Estamos cansados de pagar aluguel caro e não ter onde morar, enquanto muitas pessoas que não precisam são contempladas com apartamentos da Suhab. É uma injustiça muito grande o que estão fazendo conosco”.

 Aproximadamente  700 servidores entre policiais militares, civis, e membros das secretarias de assistencia social do Estado e do Município participaram do cumprimento do  mandado de desocupação.  O Defensor Público Carlos Alberto Almeida acompanhou toda a ação e, apesar de não ter registrado excesso por parte dos policiais, voltou a questionar o cumprimento do mandado.

Desde quando a ordem foi expedida, no início de novembro, a Defensoria Pública do Estado impetrou dois agravos, uma pedido de correção, um pedido de suspensão de liminar e duas petições. No entanto, todas foram negadas pela Vara Especializada em Meio Ambiente e Questões Agrárias (Vemaqa).

Milícias

Segundo a SSP, a invasão de quase dois anos  era comandada por traficantes. Só este ano, o local foi alvo de duas operações: a Blackout 1  e 2. Dez pessoas foram presas  por crimes ambientais, estelionato associado para o tráfico de drogas, organização criminosa e parcelamento irregular do solo.

Blog: Carlos Almeida Filho

Defensor Público

"A operação já aconteceu,  mas há um efeito colateral  que temos de resolver e a pergunta que fica é: para onde vão essas famílias que não têm onde morar? Faremos uma audiência pública na próxima segunda-feira para discutir com as famílias e com o município o destino que elas terão. Apesar de a prefeitura já ter respondido que não irá comparecer, nossa preocupação no processo de remoção continua sendo essa. Antes de tomar alguma medida de natureza judicial, precisamos ouvir as pessoas. A Defensoria Pública não é  contra a ação ou que se mantenha preservado uma área de preservação ambiental. Mas ninguém separou o joio do trigo e infelizmente muitas famílias ficaram desabrigadas durante esta ação antecipada".


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