Sexta-feira, 23 de Outubro de 2020
INVESTIMENTO

Apuí-AM ganha miniusina para produção de óleos amazônicos

Óleos de café, buriti, açaí, copaíba, além de manteigas de cacau e cupuaçu são os principais produtos beneficiados na nova estrutura, que possui capacidade mensal de processar até cinco toneladas de óleos fixos



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29/08/2020 às 09:40

Inaugurada nesta sexta-feira (28) em Apuí, sul do Amazonas, a segunda miniusina de óleos vegetais construída pelo Projeto Cidades Florestais inicia sua operação como uma nova fonte de geração de renda para famílias parceiras da iniciativa. Voltada para o mercado de insumos do setor de cosméticos, a miniusina foca no beneficiamento de óleos fixos e óleos essenciais amazônicos, uma atividade que ajuda a manter a floresta em pé no município que é um dos principais alvos de queimadas no estado.

Óleos de café, buriti, açaí, copaíba, além de manteigas de cacau e cupuaçu são os principais produtos beneficiados na nova estrutura, que possui capacidade mensal de processar até cinco toneladas de óleos fixos (gorduras, óleos e manteigas) e até 50 litros de óleos essenciais. Executado pelo  Instituto de Conservação e Desenvolvimento Sustentável da Amazônia (Idesam) o projeto da miniusina foi financiado pelo Fundo Amazônia/BNDES e contou com apoio da Prefeitura Municipal de Apuí, IDAM e Secretarias de Meio Ambiente e de Produção Rural do Amazonas. 

A associação Ouro Verde, parceira do Idesam na produção do Café Apuí Agroflorestal, é a organização responsável por administrar a miniusina, cuja estrutura também atende produtores de copaíba das comunidades localizadas no Projeto de Assentamento Agroextrativista (PAE) Aripuanã-Guariba, também em Apuí. Juntas, as associações atualmente atendem 61 sócios.

Ronaldo Moraes, presidente da Associação Ouro Verde e um dos líderes de produção da miniusina, afirma que a miniusina é uma conquista dos comunitários, que podem trabalhar sem prejudicar o meio ambiente e sem desmatar. “Vai gerar uma renda a mais para as famílias e agregar ainda mais valor no nosso produto, que é fornecido pela natureza. As famílias estão muito animadas e esperamos que a demanda aumente para que possamos envolver mais pessoas na atividade”, ressalta Moraes.

Para começar a colocar a mão na massa, os membros da Associação Ouro Verde participaram de cursos para operação dos equipamentos e de gestão do negócio. Além disso, a comercialização dos produtores contará com apoio técnico da equipe do Idesam, que busca agregar ainda mais valor aos produtos. Essa produção atende ainda a demanda da Inatú, marca coletiva recém-criada para expandir as oportunidades de negócios das organizações apoiadas pelo Cidades Florestais. 

Um dos carros-chefes da Inatú e que será produzida na miniusina de Apuí é o óleo de café verde, produzindo em sistemas agroflorestais, possui valor médio de mercado de R$ 1,6 mil o litro (podendo aumentar de acordo com a qualidade do produto). Esta é apenas uma das muitas oportunidades de geração de novos negócios, que, ao beneficiar diretamente estas famílias dá exemplos de produção conciliada a conservação ambiental. 

“A usina de óleos vegetais impulsiona cadeias produtivas que fomentam a manutenção da floresta. Portanto, além de gerar renda aos associados da Ouro Verde e a produtores da região, demonstrará a capacidade de geração de recursos financeiros da floresta em uma região de aumento no desmatamento. Esperamos, portanto, proporcionar a região uma alternativa econômica baseada em elementos da sociodiversidade e da agricultura familiar”, destaca André Vianna, coordenador do projeto Cidades Florestais. 

Na avaliação do secretário municipal de meio ambiente de Apuí, Domingos Bonfim, a miniusina de óleos vem ao encontro de uma antiga necessidade de visibilidade do trabalho destas famílias produtoras que vivem em assentamentos tradicionais. “Ela atende essas comunidades tradicionais que ainda se ocupam do extrativismo, além disso, traz oportunidade de cultivo de outras espécies que também podem gerar mais renda para as famílias”, afirma.

Bonfim destaca que toda a estrutura física e equipamentos instalados na miniusina é um passo inicial importante, mas ele espera que a iniciativa ganhe escala para atender a crescente demanda do município.

Sobre o Cidades Florestais

Em 2018 foi iniciado o projeto Cidades Florestais, executado pelo Idesam com apoio do Fundo Amazônia/BNDES. O projeto tem como propósito fomentar a produção florestal familiar e comunitária do Amazonas, tanto madeireira quanto não-madeireira. Dentre as atividades do projeto Cidades Florestais está a realização de intercâmbio nacional e internacional para a troca de experiências e aprendizados sobre a cadeia de comercialização e produção de produtos originários do extrativismo.

O fomento à produção florestal de uso múltiplo é desenvolvido pelo projeto por meio diversas ações, como: a implantação de plataforma digital e aplicativo de apoio à gestão da produção comunitária; implementação de novos equipamentos e maquinários para a atividade florestal; elaboração de planos de manejo florestais; instalação de duas novas miniusinas e apoio estrutural a outras três já existentes.



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