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Área de Proteção da Ufam abriga boa parte da biodiversidade encontrada na Região Norte

Um dos últimos fragmentos florestais urbanos da capital amazonense, a APA da Ufam ameniza a sensação calor, é refúgio de diversas espécies da fauna e, rica em biodiversidade, um verdadeiro laboratório a céu aberto para os estudantes da instituição 30/11/2014 às 09:43
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Os esforços em preservar um dos principais fragmentos florestais urbanos de Manaus vão da educação no trânsito à implantação de corredores para travessia de fauna
Oswaldo Neto Manaus (AM)

Com aproximadamente 7,6 km² de extensão, a Área de Proteção Ambiental (APA) da Universidade Federal do Amazonas (Ufam) é conhecida por fazer fronteira com grandes vias da Zona Sul. Cortado pelas estradas que dão acesso aos diversos setores da universidade, o fragmento florestal é habitat de diversas espécies e um “laboratório a céu aberto” para os estudantes da instituição. A importância do local também abrange moradores das proximidades, que contam viver em um espaço privilegiado, cercado de verde.

Incluída no Plano Diretor Urbano e Ambiental do Município desde 2013, a APA inclui, além da Ufam, o conjunto habitacional Acariquara, a Universidade Luterana do Brasil (Ulbra), o Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), o Parque Lagoa do Japiim e o conjunto habitacional Eliza Miranda. A diretora da Divisão de Educação Ambiental CCA/Ufam, Ana Lúcia Gomes, é a coordenadora de uma ação que visa divulgar os seres nativos da região amazônica para alunos de escolas públicas da capital, o projeto “Curupira”. Ela explica a importância da área em termos ecológicos. “A APA favorece na climatação e na diminuição da sensação do calor de bairros próximos, como o Japiim e Coroado, com a mata servindo como área de preservação desses recursos naturais. Também é importante ressaltar o potencial biomedicinal da vegetação, que já é estudado por alunos da universidade”, conta.

A APA da Ufam é abrigo de boa parte da biodiversidade encontrada na Região Norte. Entre as espécies com material botânico registrado no estudo estão a castanheira, buritizeiro, sipó, escada-de-jabuti e herbáceas. Também é comum andar pelas trilhas da Ufam e se deparar com animais como a preguiça, sauim-de-coleira, araras e uma infinidade de insetos.

Nascentes em risco

Atravessando todo o território acadêmico, aparecem ainda rios e nascentes. Segundo análise preliminar sobre os recursos hídricos do local, existem pelo menos 14 nascentes identificadas na área que desaguam nos igarapés do 40 e do Mindu. Muitas delas, segundo a diretora da Divisão de Estudos e Análises do CCA, Kátia Cavalcante, estão poluídas devido à falta de planejamento e consciência ambiental.

“Estamos no centro de duas bacias, mas temos algumas fontes de água já sofrendo processo de agressão com a sujeira e soterramento. Isso é causado pelo desague das ruas de acesso como a avenida Rodrigo Otávio, onde todo o lixo jogado acaba parando nas nascentes pelo terreno da Ufam. Além disso, muitas pessoas que entram na universidade acabam tendo acesso a esses locais e poluindo”, alertou Cavalcante.

Vizinhança privilegiada

As altas temperaturas da capital são reclamações constantes daqueles que moram em áreas pouco arborizadas. Contudo, pessoas que moram próximas ou ao lado da APA da Ufam afirmam que este problema é não é tão grave ali. É o caso da dona de casa Flávia Araújo, 41. Moradora do bairro Japiim há 25 anos, ela relata que a sensação trazida pelo clima da mata é de “bem-estar”.

“Acho que aqui é mais fresquinho... Até o cheiro é diferente, e venta mais. Em outros lugares é sempre muito abafado. É importante preservar esse espaço porque é tão raro hoje em dia ter um lugar desses perto de casa. Nós respiramos melhor e tenho certeza que essa área ajuda nisso”.

A estudante Karina Macedo mora a menos de 1 quilômetro da Ufam e tem a mesma opinião. Segundo ela, a floresta funciona como um “ventilador”. “Nos mês de outubro a conta de luz da minha casa veio menor porque dispensei o ar-condicionado durante boa parte do dia. É muito bom morar aqui... Fica perto de tudo, até da natureza”.

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