Quarta-feira, 26 de Junho de 2019
Invasão é isolada

Área invadida em rodovia do Amazonas é isolada pela polícia

Polícias Federal, Militar e Civil fecharam as entradas de invasão localizada na rodovia Manoel Urbano, em Iranduba



1.jpg Invasores protestaram contra o cordão de isolamento montado pela polícia
24/09/2013 às 17:25

A Polícia Militar isolou nessa segunda-feira (23) a invasão liderada por índios no terreno que pertence à União e a igreja Assembleia de Deus do Amazonas, no km 4 da rodovia Manoel Urbano (AM-070), em Iranduba. A medida é o primeiro passo para que seja realizada a reintegração de posse da área com data a ser definida esta semana. Todo o perímetro que dá acesso a invasão foi bloqueado. A PM permanecerá com barreiras no local até que a Justiça determine a retirada dos invasores ou outra ordem.

Desde as 6h, nenhuma pessoa ou veículo pode entrar na invasão. Apenas quem permanece na ocupação  pode sair, mas sem direito a voltar. A medida atende a liminar expedida pelo juiz federal substituto Érico Rodrigo Freitas Pinheiro, na última terça-feira. Na decisão, o magistrado determinou por conta da necessidade de impedir problemas urbanísticos, danos ambientais, além de violência na ocupação, que a área em litígio fosse isolada e que as polícias Militar e Federal impeçam a entrada de qualquer pessoa ou veículo.

A estratégia, de acordo com o subcomandante do Comando de Policiamento Especializado (CPE), Fabiano Bó, é enfraquecer a invasão deixando os ocupantes sem água e comida.

Cinco barreiras realizadas pela polícia em conjunto com o Departamento Estadual de Trânsito (Detran) foram montadas nos kms de  1 a 6 da AM 070. Nelas são verificados  todo o tipo de veículo que poderia estar sendo usado para levar mantimentos para a invasão.

Apesar da estratégia, os invasores têm mantimentos para resistir, pelo menos, por mais um mês, segundo informaram as lideranças indígenas. Existem comércios e até padaria na invasão que fornecem os alimentos.

O bloqueio foi realizado antes da troca de turno dos invasores. Como mostrado anteriormente por A CRÍTICA, várias pessoas se revezam na guarda dos lotes de terra. Quando a equipe da noite chegou para dormir na invasão, no domingo,  não sabiam que não poderiam mais ser substituídos pela equipe da manhã. Aproximadamente 200 pessoas que chegaram com comida, água e roupas nas primeiras horas da manhã, foram impedidas de entrar.  Eles protestaram com xingamentos contra os policiais que não revidaram.

Um total de 400 homens entre policiais militares, civis e federais fizeram um cordão de isolamento nas duas principais entradas da invasão pela rodovia Manuel Urbano. Alguns invasores tentaram driblar o bloqueio,  mas foram contidos.

Indígenas promovem começo de confronto

Até o final da manhã, os invasores caminhavam para um confronto armado com a polícia. Pintados e armados com arcos, flexas, além de tacapes, um grupo de supostos índios impediu a saída dos ocupantes. Os próprios invasores que queriam deixar a área denunciaram a polícia que a maioria dos que estavam ostentando as armas e gritando que iriam resistir não eram índios. 

Somente depois do caíque Sabá Castilho, “chefe da ocupação” ser convidado a conversar com representantes da Polícia Federal e do Gabinete de Gestão Integrada (GGI) da Secretaria de Segurança Pública do Estado (SSP), que os ânimos foram acalmados.

Os representantes leram a liminar para o caíque e passaram uma série de recomendações para evitar um confronto com a polícia. Eles deixaram claro que em caso de descumprimento e uso de violência pelos índios, a PM está autorizada pela Polícia Federal a fazer uso de força.

Após ser orientado que impedir a saída espontânea das pessoas da invasão é crime, o cacique negou que tenha dado a ordem.

Sabá Castilho estava resistente a falar com a PF e só depois de saber da possibilidade da entrada da polícia atendeu ao pedido. Ele chegou a entrada da invasão em um carro modelo Doblô, escoltado por índios chamados por ele de “guerreiros”.

A liminar de reintegração de posse tramitou inicialmente na 2ª Vara da Comarca de Iranbuba. No entanto, quando o oficial de Justiça tentou entregar a intimação aos invasores, foi recebido com violência, inclusive, por índios, conforme relatado no processo. A presença de indígenas fez com a reintegração fosse suspensa e o ação remetida a Justiça Federal a fim de intimar a Funai a se manifestar se teria interesse em participar da ação.

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