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Árvores centenárias correm risco em Manaus

Falta de manutenção de árvores na Cachoeirinha compromete sobrevivência das plantas. Moradores cuidam sozinhos delas e acusam poder público de descaso 08/07/2013 às 10:17
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Árvores da avenida Castelo Branco, Cachoeirinha, receberam poda e tratamento contra fungos e parasitas, a fim de garantir a sobrevivência da vegetação
Mariana Lima ---

Mangueiras, jambeiros e castanholeiras são algumas espécies de árvores presentes nos canteiros centrais das principais avenidas do bairro Cachoeirinha que estão com os dias contados. Com mais de cinco décadas de existência, a maioria das árvores tenta sobreviver aos fungos e parasitas que todos os anos destroem dezenas delas. O principal argumento apresentado pelos moradores para o fim das árvores quase centenárias é o descaso do poder público.

Moradora da avenida Castelo Branco há 40 anos, a comerciante Cely Lourenço diz que não lembra a última vez que viu a Prefeitura fazer manutenção nas árvores. Ela conta que somente nos últimos dois anos contou três jambeiros e uma mangueira mortos no canteiro central. “Elas ficam cheias de fungos e parasitas, não aguentam e morrem. A gente liga para os órgãos responsáveis para pedir para ver a planta, mas é sempre uma burocracia muito grande. Uma vez tentamos cortar as árvores e nos avisaram que isso poderia dar prisão. Com o tempo, os galhos vão apodrecendo e atrapalham a visão dos carros que passam por aqui”, contou.

Segundo dados da Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Sustentabilidade (Semmas), há mangueiras, jambeiros, azeitoneiras, otizeiros, jenipapos e castanholeiras localizados no canteiro central das avenidas Castelo Branco e Carvalho Leal. A maioria delas sofre com erva de passarinho, uma parasita que suga a seiva da planta, além de cobrir as folhas e impedir a fotossíntese.

O diretor de arborização e paisagismo da Semmas, Heitor Liberato, disse que por conta dos fungos e parasitas, a secretaria realizou um novo calendário de manutenção destas árvores. A primeira avenida atendida no projeto foi a Carvalho Leal, seguida da própria avenida Castelo Branco, que recebeu os técnicos da secretaria no último sábado.

Dono de uma estufa no bairro, Isaac Marques, acompanhava a ação coordenada pela Semmas quando aproveitou para pedir a autorização para plantar mudas no lugar das árvores mortas. O comerciante diz que já perdeu as contas das árvores que replantou na avenida Castelo Branco. “Eu sempre peço para eles tirarem todo o tronco, que eu planto uma outra muda. Só na frente do meu estabelecimento eu já plantei três oitizeiros. Além disso, eu e minha esposa colocamos água aqui todos os dias porque eles passam por aqui para varrer, mas não regam as plantas”, disse.

Novo calendário

A plantação das novas mudas, segundo o diretor da Semmas, obedecerá um novo calendário previsto para acontecer apenas no próximo ano. “Usamos essa época de verão para limpar, podar e preparar esses espaços para o replantio, se necessário. Somente no inverno que voltamos aqui para plantar as mudas que ficarão no lugar dessas que morreram”, disse Liberato.

Poda é o melhor combate

A “erva de passarinho” é uma planta superior, parasita, que ataca normalmente as plantas tropicais, lenhosas e as árvores. A parasita costuma destruir a vegetação de forma rápida porque se alimenta dos sais mineirais presentes na árvore podendo causar a morte, caso não seja retirada.

O nome foi dado por conta da ajuda dada pelos passarinhos que espalham a vegetação parasita entre as plantas da cidade. O podamento das árvores é o trantamento mais rápido e eficaz contra a erva de passarinho. Segundo dados da Semmas, as mangueiras, os oitizeiros e a azeitoneira são as àrvores que têm a recuperação mais rápida depois do podamento, com uma média de um ano para crescimento dos galhos cortados.

De acordo com o diretor de arborização e paisagismo da Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Sustentabilidade (Semmas), Heitor Liberato, as atividades de limpeza feitas pela equipe da secretaria duram, normalmente, um dia.

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