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Bacia do Tarumã à espera de um futuro melhor

Uma dos maiores conjuntos de cursos de água de Manaus sofre com a poluição, falta de saneamento e de perspectivas 08/09/2014 às 22:51
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Apesar da poluição, o pensionista Raimundo Alves não perdeu o costume de pescar por diversão no igarapé que conhece desde a infância
Acyane Do Valle Manaus (AM)

É difícil não estranhar a escolha do local da pescaria do pensionista Raimundo Alves. Na semana passada, ele decidiu passar boa parte da manhã de quinta-feira pescando no igarapé do Tarumãzinho, que há mais de uma década sofre com a pressão urbana desordenada, naquela área, e com a existência de um aterro sanitário público nas proximidades. Mesmo cercado de lixo, ele garante que não tem receio de permanecer no local, mas que evita comer o peixe que retira do Tarumãzinho.

O igarapé compõe a bacia hidrográfica do Tarumã-Açu, que, junto com o Puraquequara, representam as duas maiores bacias de Manaus. No início de agosto, o Puraquequara ganhou um comitê que tem a intenção de impedir que esses recursos hídricos tenham o mesmo destino de outros da capital amazonense, como as bacias do Mindu e a do São Raimundo. Essas duas enfrentaram todo um histórico de desenvolvimento da cidade, que cresceu sem planejamento e, principalmente, sem o cuidado com saneamento e tratamento de esgoto, segundo o secretário estadual de Mineração e Recursos Hídricos, Daniel Nava.

“Quando existe um comitê, este participa da análise das propostas que serão implantadas na região da bacia, como projetos de instalações industriais. Desta forma, o comitê colabora com os entes públicos no sentido de promover ações de controle e gestão daquela área”, explicou Nava.

Paralisada

Já a outra bacia, a do Tarumã-Açu, possui um comitê desde 2006. Apesar de instalado há oito anos, hoje encontra-se em fase de “reformatação da diretoria”, de acordo com o secretário. Enquanto isso, braços do rio, como o Tarumãzinho, refletem os efeitos da poluição e da degradação ambiental. As famílias que residem ali se tornam vulneráveis, sobretudo às enchentes. A aposentada Rosilda Alves, 81, mora há 30 anos na margem do Tarumãzinho, e conta que já enfrentou diversos problemas com a cheia. O sonho dela é que o igarapé fique “sem lixo, sem poluição”.

A empregada doméstica Soraia Araújo da Silva, que mora na região do Tarumã, lembra do tempo em que o igarapé era um balneário e as águas eram limpas e muito procuradas pelo manauara. “Eu tomei banho aqui, meus filhos também. Hoje, tem dia que o cheio é forte demais, insuportável, e tem muito lixo. Acabaram com o Tarumãzinho. A prefeitura, o Governo do Estado, alguém deveria fazer alguma coisa. Mas só vemos o tempo passar e nada”, disse.

De quem é a culpa?

Na cachoeira alta do Tarumã, a diferença é que as águas não estão poluídas como a do Tarumãzinho, embora o lixo possa ser visto facilmente nas suas margens. Um estudo feito pelos pesquisadoras Ercivan Gomes de Oliveira e Andréa Rebello da Cunha Albuquerque, da Universidade Federal do Amazonas (Ufam), com o título “Uso das bacias hidrográficas para a gestão e planejamento dos recursos hídricos: uma análise socioespacial na microbacia do Quarenta”, constatou que os moradores “são agentes explícitos” da poluição hídrica nas bacias hidrográficas de Manaus, porém, não são a causa principal. “ A ausência de fiscalização e monitoramento dos órgãos competentes são os principais causadores desta degradação”.

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