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Bois-bumbás compensam pela primeira vez gás carbônico gerado em festival de Parintins

Garantido e Caprichoso se comprometem a repor 2.496 toneladas de CO2 a serem geradas no Festival Folclórico da ilha 25/06/2013 às 08:59
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No dia 29 de maio deste ano, bumbás Garantido e Caprichoso assinaram o termo de compromisso elaborado pelo Ceclima
Ana Celia Ossame ---

Emissões de gases de efeito estufa, mensuradas em toneladas de gás carbônico provenientes da geração de energia elétrica, do transporte fluvial e aéreo do público geradas durante o Festival Folclórico de Parintins serão compensadas este ano, pela primeira vez, pelos bumbás Garantido e Caprichoso. Esta será também a primeira vez que isso acontece no Estado e a estimativa de geração de 2.496 toneladas de gás carbônico (CO2) equivalente será compensada ou com plantio de espécies sequestradoras do gás ou com medidas de eficiência energética a serem implantadas em Parintins (a 325 quilômetros de Manaus).

O termo de compromisso elaborado pelo Centro Estadual de Mudanças Climáticas (Ceclima) foi assinado no dia 29 de maio passado entre a secretária de Desenvolvimento Sustentável (SDS), Nádia Ferreira, o presidente do Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (Ipaam), Antônio Stroski, o presidente do Bumbá Garantido, Francisco Walteliton Pinto e a presidente do Bumbá Caprichoso, Márcia Baranda.

O coordenador do Ceclima, órgão vinculado à SDS, engenheiro elétrico Anderson Bittencourt, explica que em relação à energia elétrica, o cálculo envolve o consumo de 82 mil pessoas, número de presentes ao festival estimados pela Empresa Amazonense de Turismo (Amazonastur). O gasto de cada pessoa presente tem um valor que cobre desde o uso do chuveiro no hotel e outros equipamentos elétricos, explica ele, sendo que a geração de energia elétrica está estimada em 270,6 toneladas de emissão de gases de CO2, o equivalente a 11% do total. O transporte aéreo deverá representar a geração de 223,2 toneladas de gases de efeito estufa, o equivalente, 9% e o maior emissor será o transporte fluvial, representando 2.002,5 toneladas, o equivalente a 80% das emissões geradas, informa Anderson.

EXEMPLO

O coordenador disse que a aceitação da proposta pelos bumbás foi imediata e com base no interesse deles, o Ceclima fez o cálculo fontes das emissões referentes à energia elétrica, transporte aéreo e fluvial. “Será a primeira vez que se faz e o mais importante, é que estaremos compensando dentro do Estado”, afirmou Anderson, destacando acreditar na escolha da compensação pelo processo de plantio de sistemas de agroflorestais capazes de sequestrar o carbono, ela terá um vetor social, pois serão envolvidas famílias a serem beneficiadas com o plantio de espécies do modelo de desenvolvimento social de baixo carbono. Há, segundo ele, boas experiências na Rerserva de Desenvolvimento Sustentável (RDS) do Uatumã, onde áreas degradadas foram arborizadas com esse tipo de planta. “Pela quantidade de emissões e pela rapidez com que querem os resultados, acho que a opção será essa”, garante.

Após o festival, os bumbás terão o prazo de 90 dias para optar pelo modelo compensatório, cada um com a responsabilidade de realizar 50% da compensação, explica  Anderson, para quem a iniciativa de Parintins deverá se tornar uma rotina em outros grandes eventos realizados no Estado.

Resíduos sólidos serão aproveitados

Outra novidade no Festival Folclórico de Parintins deste ano será o aproveitamento dos resíduos sólidos, que costumam dobrar no período da festa por conta do número de visitantes recebidos pela ilha Tupinambarana.

A iniciativa terá uma parceria entre Governo do Estado, Prefeitura de Parintins e setor privado. Segundo o presidente do Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (Ipaam), Antônio Ademir Stroski, três empresas do mercado de reciclagem do Pólo Industrial de Manaus (PIM), a Cometais, Coplast e Rio Limpo, estarão envolvidas efetivamente no processo de reciclagem, comprando os resíduos, disponibilizando equipamentos e ministrando treinamentos, informa a assessoria de imprensa do instituto.

As empresas vão comprar os resíduos direto dos barracões dos dois bumbás e também dos recicláveis recolhidos pela Associação de Catadores de Parintins (Ascalpin) durante as apresentações dos bois no Bumbódromo. Os resíduos também virão dos locais públicos de concentração de brincantes, pelos estabelecimentos comerciais, como latas de alumínio, pets e outros tipos de recicláveis.

A ideia, segundo Stroski esclarece, é que esta ação entre a Prefeitura de Parintins, Associação de Catadores e empresas recicladoras comece no festival, mas continue depois como parte do Programa de Coleta Seletiva do Município, em cumprimento às normas ambientais, à Política Nacional de Resíduos Sólidos. Essa medida vem ao encontro do compromisso assumido com o então juiz da 7ª Vara da Justiça Federal, Dimis da Costa Braga, ao vincular a reabertura do aeroporto Júlio Belém para voos diurnos à implementação de uma estratégia de gestão de resíduos que evite os riscos de perigo aviário no município.

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