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Amazônia
EXIGÊNCIAS

Burocracia assusta quem procura os órgãos ambientais par se tornar voluntário

Altos custos e exigências são apontados como maiores obstáculos por quem deseja ser guardião, mantenedor ou responsável por áreas de soltura 04/06/2017 às 18:04
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Na pousada Cirandeira Bela os animais eram tratados, mas em liberdade. Foto: Divulgação/Cirandeira Bela
Mônica Prestes Manaus

Os altos custos e a burocracia são apontados como os maiores obstáculos por quem deseja se tornar um voluntário, seja como guardião, mantenedor ou responsável por áreas de soltura. Que o diga o empresário Froylan Athayde, 30, sócio da pousada Cirandeira Bela, em Manacapuru, a 84 quilômetros de Manaus, um espaço construído em harmonia com a natureza.

Ao longo de muitos anos a família dele e os funcionários da pousada atuaram fazendo resgates, tratando e devolvendo à natureza animais que apareciam feridos no local.

“A gente sempre foi meio curupira, do mato, sempre gostamos de bichos, de cuidar deles, mas sempre mantendo eles soltos, que lugar de bicho é na floresta. Meus pais sempre me deram esse ensinamento, e lá os bichos são soltos, da floresta, eles vêm e vão esporadicamente. Como a gente cuidava dos bichos e soltava, nossa fama foi se espalhando nas comunidades e as pessoas começaram a trazer mais bichos, que a gente readaptava com a ajuda de veterinários amigos e soltava na floresta, sem saber que isso que fazíamos era proibido”, contou.

Susto
Quando descobriram que a atividade precisava ser credenciada pelo Ibama, Froylan foi até o instituto para se informar sobre o que era preciso para se tornar um mantenedor ou uma área de soltura da fauna silvestre. E se assustou com o que ouviu. “Foram nos passadas as exigências, que incluíam um gaiolão no meio da floresta que, só ele, ia custar uma fortuna. Sem falar nas estruturas de alvenaria para os outros bichos. A gente tinha interesse, inclusive porque seria uma coisa atrativa até para os hóspedes, mas como ia custar muito dinheiro e a burocracia era muito grande, a gente deixou essa idéia de lado”, disse.

Depois do “susto”, Froylan suspendeu todas as ações que promovia com a fauna e passou a recusar novos animais que eram levados por comunitários, com medo de ser multado pelo Ibama. “Se tivéssemos apoio técnico e estrutural a gente conseguiria ser um mantenedor, é só o que está faltando porque espaço, tempo e paixão a gente tem. Mas não podemos tirar da pousada, que é nosso ganha-pão e de muitas outras famílias que trabalham pra nós, pra manter os animais, infelizmente”, desabafou.

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