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Amazônia
INTERAÇÃO

Câmeras flagram pumas da Amazônia em raro momento de interação sob a luz do dia

Também conhecidos como 'onças-vermelhas', os pumas são conhecidos por terem hábitos solitários e atividade predominantemente noturna. 05/06/2017 às 17:20
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Animais foram flagrados por câmeras do Instituto Mamirauá
João Cunha - Instituto Mamirauá

Primeiro, a imagem registra dois animais que caminham pela floresta por volta do meio dia. Um deles fica para trás e, curioso, começa a interagir com as armadilhas fotográficas, colocadas no tronco de árvores baixas na floresta. Em seguida, chega mais um animal, o terceiro exemplar de suçuarana (Puma concolor), também conhecida como puma, onça-parda ou onça-vermelha.

Pesquisadores do Grupo de Pesquisa Ecologia e Conservação de Felinos na Amazônia do Instituto Mamirauá acreditam se tratar de uma cena rara, já que esses animais são conhecidos por terem hábitos solitários e atividade predominantemente noturna. O registro, feito em março pelas armadilhas fotográficas do Instituto Mamirauá, durou menos de dois minutos.

"É uma coisa que a gente escuta falar, vez por outra, na reserva, contou o pesquisador do Instituto Mamirauá, Diogo Gräbin. "Eu me surpreendi, realmente, não imaginei que três pumas fossem andar juntas e estavam tranquilas, não era uma situação de conflito. Talvez seja o que eles chamam de vadiação, acasalamento, um comportamento reprodutivo".

As suçuaranas são conhecidas pela coloração uniforme do pelo, que varia do cinzento ao marrom-avermelhado.  É o segundo felino mais pesado das Américas, atrás apenas da onça-pintada, podendo pesar até 72 kg. Acredita-se que suas áreas de vida variem entre 50 e 1000 km². As femêas possuem uma gestação que pode durar entre 90 e 96 dias e geramente tem de 3 a 4 filhotes, a cada 2 anos, segundo a literatura disponível. É um animal bastante adaptável e vive em habitats variados, como as florestas tropicais, desertos e montanhas. Não é considerado em risco de extinção pela União Internacional para a Conservação da Natureza e dos Recursos Naturais (IUCN), mas, devido ao avanço da ação humana, não é mais encontrado na região leste da América do Norte e em algumas localidades das Américas Central e do Sul.

Como o trabalho é realizado?

As armadilhas fotográficas são pequenas máquinas instaladas na floresta, a um nível próximo ao solo e em mimetismo com o ambiente. Elas são equipadas com câmeras que registram imagens coloridas, em escala de cinza ou em modo infravermelho (de acordo com a luminosidade do momento) e sensores que disparam quando um corpo com a temperatura diferente do ambiente se movimenta em frente à armadilha. Geralmente os disparos são estimulados por um animal de sangue quente, um vertebrado terrestre.

Recentemente, o pesquisadores e assistentes de campo percorreram a área conhecida como igarapé do Ubim, dentro da Reserva de Desenvolvimento Sustentável Amanã, estado do Amazonas. Lá, executaram a coleta de dados e a reinstalação de armadilhas fotográficas para monitoramento da fauna de vertebrados terrestres. Um trabalho difícil e essencial para investigar e conhecer sobre a biodiversidade da Amazônia. As expedições de 2017 começaram em fevereiro e têm o financiamento da Fundação Gordon and Betty Moore, organização de fomento à ciência e à conservação ambiental.

Segundo o pesquisador Diogo Gräbin, existem quarenta e três estações em atividade no igarapé do Ubim, local onde foi feito o registro das suçuaranas. "Estação é como chamamos os pontos da floresta em que são instaladas duas armadilhas fotográficas, uma de frente para outra, para captarmos os dois lados dos animais", explica. As estações são montadas e programadas a cada dois meses, em média. Nesse período, cada armadilha fotográfica registra cerca de 900 a 1.500 fotografias. Material valioso para análises de identificação e características biológicas, que já estão sendo feitas pela equipe de pesquisadores do Instituto Mamirauá- unidade de pesquisa do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC).

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