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Amazônia
ROMARIA NAS ÁGUAS

'Canoas de Alumiação' celebram festa do Divino Espírito Santo em Novo Airão

Neste sábado os romeiros interioranos lançam velas no rio Negro em louvor e agradecimento às graças recebidas, em uma das ações que marcam os festejos na cidade a 115 quilômetros de Manaus 03/06/2017 às 05:00
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Neste sábado a partir das 18h é a vez da procissão terrestre e depois, às 19h, os foliões começam a procissão fluvial, em lanchas e barcos cantando e soltando as barquinhas na água com as velas / Fotos: Euzivaldo Queiroz
Paulo André Nunes Manaus (AM)

Uma das mais belas manifestações religiosas do interior do Estado, acontece hoje a partir das 18h em Novo Airão (a 115 quilômetros de Manaus): a tradicional celebração das “canoas de alumiação”, onde fieis do Divino Espírito Santo lançam velas no rio Negro em louvor e agradecimento às graças recebidas.  

A origem da tradição é incerta, mas cogita-se que venha antes da fundação do próprio município. Outra versão é que tenha começado na comunidade do Aracari, também em Novo Airão. A preparação das velas é feita artesanalmente pelos moradores de Novo Airão no local conhecido como Casa de Festejos, localizado na rua Presidente Vargas. Até ano passado esse local era de madeira, e para esta temporada foi reformado e reconstruído em alvenaria, sendo de propriedade de Otoniel Gomes Batista, conhecido como “Charel”, um dos responsáveis por manter a tradição do festejo e que atua também na função de folião, uma das divisões de quem organiza as festividades.

“A Casa de Festejos foi herdada dos meus pais já-falecidos - Marciano Batista da Redenção e Naíde Gomes da Redenção -, para as cerimônias de louvor e adoração ao Divino. Neste ano temos mais pessoas envolvidas no evento, e a casa da festa agora é de alvenaria”, comentou Charel

“Não temos uma explicação específica sobre como começou esse ato da alumiação. A origem da coisa ficou meio perdida no tempo. Mas devido às músicas que ficaram para nós cantarmos, acreditamos que lançar as velas no rio tem relação com a pesca, por São Pedro ter sido pescador, essa coisa dos apótolos. Um trecho dos nossos versos diz: ‘Os anjinhos vão remando / São Pedro é mestre-piloto’. É como se fosse uma romaria nas águas”, diz Charel.

Os festejos do Divino Espírito Santo iniciaram na última quinta-feira com demonstrações de fé como o levantamento de mastros de troncos de madeira em pagamento de promessas por graças alcançadas - neste ano foram erguidos 15 deles.

Ontem, às 19h, houve missa na igreja de Santo Ângelo e a partir de meia-noite iniciou a Alvorada, onde os fieis cantaram em frente à casa dos “mordomos”, pessoas escolhidas para a organização. Neste sábado a partir das 18h é a vez da procissão terrestre e depois, às 19h, os foliões começam a procissão fluvial, em lanchas e barcos cantando e soltando as barquinhas na água com as velas. Ano passado os romeiros projetaram que foram lançadas ao rio cerca de 1 mil velas, por meio de três embarcações e uma quarta trouxe a imagem do Divino. Em seguida à bela cerimônia houve a Missa da Celebração e Pentecoistes na igreja de Santo Ângelo e cantoria na Casa de Festejos.

No domingo, também no mesmo local, ocorrerá o sorteio dos festeiros do próximo ano, e depois almoço gratuito para a comunidade. Na segunda, com a presença de todos os fieis, haverá a derrubada dos mastros, conclamando os participantes a participarem de mais uma momento religioso do município: a festa da Santíssima Trindade!

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