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Capital da floresta: moradores lutam para manter fragmentos florestais em pé, em Manaus

Resistência é a palavra que define a médica pediatra Graça Mateus e todas as outras centenas de vizinhos do Parque Municipal do Mindu, criado a partir de um movimento popular em 1989, no bairro Parque 10, Zona Centro-Sul, como forma de proteger os animais que habitam o local 23/10/2015 às 16:45
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Em 346, Manaus perdeu grande parte de seus fragmentos florestais urbanos.
Luana Carvalho Manaus (AM)

Privilégio é viver bem no coração da floresta amazônica, onde os vários tons de verde chamam a atenção do mundo inteiro. É bem verdade que, em 346 anos, Manaus perdeu grande parte de seus fragmentos florestais urbanos. Mas a paixão pela natureza continua viva em muitos habitantes, que lutam, principalmente, pela preservação das áreas verdes da capital. 

Resistência é a palavra que define a médica pediatra Graça Mateus e todas as outras centenas de vizinhos do Parque Municipal do Mindu, criado a partir de um movimento popular em 1989, no bairro Parque 10, Zona Centro-Sul, como forma de proteger os animais que habitam o local, principalmente o Sauim-de-Coleira, morador mais nobre da área.

Durante os últimos meses, Graça protagonizou uma de suas maiores lutas para preservar um fragmento de floresta, que faz conexão com o parque. Manauense “com muito orgulho”, como ela faz questão de dizer, a médica mobilizou internautas, biólogos, ambientalistas, e até o Ministério Público Federal para salvar uma área verde. 

“No dia 29 de outubro do ano passado, os moradores ficaram atônitos quando viram placas, informando que o local, com todas as características de área de preservação permanente, seria futuras instalações de uma creche, mesmo sem demanda social”.  Por meio de uma grande mobilização, que gerou até uma Consulta Pública, a Prefeitura decidiu remanejar a creche para outro local. 

Para Graça, a responsabilidade e o mérito pela preservação do verde de Manaus são, principalmente, da população. “Muitas vezes formam-se filas de carros aqui aguardando um bicho preguiça atravessar. As pessoas são conscientes, há todo um trabalho de equipe que, no final, vale a pena”.  E, além dos bichos preguiças, os moradores convivem com iguanas, araras, cobras, e uma flora riquíssima, com muitas árvores e flores nativas. 

Do outro lado da cidade, a dona de casa Joelma Souza, 37, também se sente especial. Ela mora em frente à Reserva Florestal Adolpho Ducke, no bairro Cidade de Deus, Zona Norte. Lá também funcionam, integradamente, o Jardim Botânico e o Museu da Amazônia, com uma torre acima da copa das árvores, cuja visita é indispensável. 

“Eu me sinto honrada. Apesar deste bairro ter nascido de uma invasão, fico feliz em saber que a ação humana não degradou tudo. Temos uma enorme reserva ao lado da nossa casa, que pessoas de todo o mundo vêm visitar. E ainda é o lugar preferido de muitas famílias nos finais de semana”, declara.



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