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Amazônia
MANEJO SUSTENTÁVEL

Captura de jacarés vai ser liberada daqui a um mês em reserva de Fonte Boa

Sema anunciou, na última sexta-feira que, em 30 dias, deverá ser liberada a autorização para a captura de aproximadamente mil jacarés na Reserva de Desenvolvimento Sustentável (RDS) Mamirauá 02/06/2018 às 15:37 - Atualizado em 03/06/2018 às 07:44
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O jacaré-tinga, uma das espécies mais conhecidas do Amazonas / Foto: Marcelo Ismar Santana/Divulgação
Nelson Brilhante Manaus (AM)

Você sabia que um centímetro do couro de um jacaré-açu custa mais de R$ 30 e que milhões de animais existem na região amazônica sem poderem ser capturados? O secretário executivo da Secretaria de Estado do Meio Ambiente (Sema), Adilson Cordeiro, anunciou, na última sexta-feira, em entrevista para A CRÍTICA,  que, em 30 dias deverá ser liberada a autorização para a captura de aproximadamente mil jacarés na Reserva de Desenvolvimento Sustentável (RDS) Mamirauá, localizada no Município de Fonte Boa (AM), a 680 quilômetros de Manaus.

A última vez que foi permitida a exploração foi em 2008, exatamente há dez anos. Na época, foram abatidos 249 jacarés, vendidos a uma rede se supermercados da capital por R$ 200 cada unidade. Ao bolso do consumidor, o quilo da carne saiu a R$ 16.

Na semana passada a Fundação Amazonas Sustentável (FAS) realizou um encontro de lideranças e, durante o evento, o pesquisador José Maria Damasceno, com larga experiência no assunto, protocolou o pedido de renovação da licença de exploração. Em apenas dois lagos da Reserva Mamirauá (Solimões do Meio e Mariana), na última contagem foram registrados 30 mil animais. A legislação ambiental só permite o abate de um terço do total. Entretanto, apenas um mil deverão ser liberados para captura. E foram os comunitários desses lagos que solicitaram a renovação do licenciamento, junto à Sema, para abater e comercializar os répteis. Isso porque já estão incluídos na lista de manejo.

Incalculável

A população desses animais em todo o Estado é incalculável. “Já sobrevoei um lago onde não havia espaço para tanto jacaré. Uns ficavam por cima dos outros. No caso dos lagos de Fonte Boa, por medida de precaução, vamos autorizar em torno de mil animais. Após os ajustes, no próximo ano a gente aumenta a cota”, revela Adilson Cordeiro.

Pelas contas do secretário,  mil animais deverão gerar em torno de 30 mil quilos de carne, o que deverá ser vendido rapidamente às redes de supermercados e restaurantes, como ocorreu na última vez que foi liberada a pesca do animal.


Espécies gigantescas, como essa da foto, de um jacaré-açú de três metros, geralmente são capturadas na capital / Foto: Arquivo/AC - 11/03/2011

“É uma carne saborosa, com um grande aceite no mercado, e a única diferença para a carne do pirarucu é que é mais fibrosa. É uma carne consumida em muitas partes do mundo. Estados como São Paulo tem grande consumo, o Mato Grosso exporta muito para o exterior, enfim, é um produto de qualidade que gera emprego e renda”, define o secretário Adilson Cordeiro.
O jacaré precisa ser abatido muito próximo do local onde vai ser condicionado, porque a carne, em duas horas após o animal ser abatido, começa a perder qualidade.

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