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‘Cemitério de árvores’: cheia recorde nos rios do AM poderá matar 50 quilômetros de floresta

Preocupação com árvores que ficam em áreas de terra firme alagadas levou a prefeitura do município de Humaitá a pedir ajuda do Estado 31/03/2014 às 22:31
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Cidade está quase submersa por conta da enchente
FLORÊNCIO MESQUITA Manaus (AM)

A maior cheia registrada no rio Madeira em mais de cem anos pode transformar mais de 50 quilômetros de floresta de terra firme em um “cemitério de árvores”, no Município de Humaitá, a 600 quilômetros de Manaus.

A prefeitura do município, único no Amazonas a decretar estado de calamidade pública, manifestou a preocupação sobre a morte de centenas de árvores às autoridades do Estado e também informou o fato de dezenas de animais estarem aparecendo mortos no rio.

As águas do Madeira inundaram áreas de floresta que nunca ficaram submersas. De acordo com o prefeito de Humaitá, José Cidinei Lobo, caso o rio não baixe, as árvores morrerão porque ficam em terra firme e só recebem água da chuva. Ao contrário das árvores de igapó, adaptadas a permanência em área alagada, ele afirma que as espécies de terra firme não têm a mesma resistência.

As águas do Madeira inundaram áreas de floresta que nunca ficaram submersas. De acordo com o prefeito de Humaitá, José Cidinei Lobo, ao contrário das árvores de igapó, adaptadas à permanência em terreno alagado, as espécies de terra firme não têm a mesma resistência e morrerão caso o rio não baixe.

A previsão dos órgãos de monitoramento dos rios é que o Madeira continue subindo até o final de abril, período que ele deveria começar a baixar.

“Essas árvores ficam durante todo o ano e não estão acostumadas a ficar debaixo de tanta água porque isso nunca aconteceu. Se ficar mais três meses debaixo d’água não vão suportar e morrerão”, disse.

O rio Madeira avançou 50 quilômetros floresta adentro, conforme levantamento feito com sobrevoo de helicóptero em Humaitá, em cada margem do rio. O nível da água na floresta de terra firme ultrapassa os 3 metros de profundidade.

Para a titular da Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (SDS), Kamila Amaral, as espécies de terra firme não tem condições de se adaptar a uma cheia de longo período. Ela explicou que a vegetação é diferente da nativa de igapó. “A vegetação de igapó tem uma sazonalidade da cheia. A vegetação de terra firme pode, sim, ser impactada, mas vai depender do tempo que ficar sob o efeito da água do rio”, disse.

Registro

Situação semelhante de morte de árvores causada pela cheia foi registrada, em 2013, em Canutama. O efeito, segundo a SDS, é parecido com o que ocorre quando usinas hidrelétricas são instaladas e inundam grandes áreas que se tornam cemitério de árvores.

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