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Amazônia
Meio Ambiente

Espaço FVA em Novo Airão visa intercâmbio de conhecimentos a populações amazônicas

Ser uma ponte entre a cultura cabocla e as populações do baixo rio Negro é a finalidade principal do novo centro de vivência inaugurado no último final de semana no município a 115 quilômetros de Manaus 05/06/2016 às 21:20 - Atualizado em 06/06/2016 às 09:04
Show fva
A engenheira florestal Lilia Marina Assunção ensinou o pequeno Cícero a plantar a sua 1ª muda de planta no Espaço FVA / Fotos: Márcio Silva
Paulo André Nunes Manaus (AM)

Ser uma ponte entre a cultura cabocla e as populações do baixo rio Negro é a finalidade principal do “Espaço FVA”, centro de vivências amazônicas inaugurado no último fim de semana no Município de Novo Airão (a 115 quilômetros de Manaus). A área, com 5 mil metros quadrados e dois imóveis, está localizada na rua Puduari, s/nº, quadra 253, bairro Santo Elias.

A casa ficará aberta ao público de segunda a sexta no horário de 8h às 17h, e sua criação visa oferecer processos de capacitação de lideranças, formação cidadã e treinamentos pra o fortalecimento de economias locais, além de programação diversificada de atividades como, exposições fotográficas, artísticas, feiras de trocas, mostra de vídeos ambientais e biblioteca.

O local possui capacidade para hospedagem de pesquisadores, voluntários e parceiros, além de local para reuniões, seminários e eventos como exposições de artistas amazônicos e atividades de capacitação, educação ambiental e geração de renda junto a jovens, adolescentes e lideranças comunitárias.

A criação do espaço é uma iniciativa da Fundação Vitória Amazônica (FVA), organização de inovação socioambiental que alia conhecimento tradicional e técnico-científico para a proposição de politicas públicas e alternativas adequadas ao desenvolvimento socioeconômico.

A finalidade é ser um centro de vivências amazônicas que beneficiará, além da comunidade de Novo Airão, também municípios do baixo Rio Negro contemplados por Iranduba, Manacapuru e Manaus.

O Espaço FVA foi aberto ao público no último sábado, com esportes ao ar livre, cine ambiental, plantio de mudas, exposições, atividades para crianças e oficina de grafite com o artista Raí Campos, conhecido como Raíz. Uma das obras do local, aliás, é de autoria dele e impressiona pelo realismo: um belíssimo mural grafitado em uma das estruturas do local retratando botos cor-de-rosa.  

Realização de um sonho

“O Espaço FVA levou quase 20 anos para se concretizar em realidade. Foram, no mínimo, três ou quatro gerações de pessoas trabalhando aqui na fundação para nós conquistarmos esse sonho. Sempre tivemos uma casa ou um escritório em Novo Airão, mas esse local é, de fato, agora próprio nosso e de todo o rio Negro, de todos os nossos parceiros que estão aqui. Contamos com o apoio de uma série de organizações para a operacionalização desse espaço. O centro de vivências é a ponte entre a cultura cabocla e a comunidade”, comentou Fabiano Silva, coordenador executivo da Fundação Vitória Amazônica.

Origem e atuação

Criada em  19/01/1990 por cidadãos de Manaus, a FVA surgiu como resposta local aos problemas ambientais no Amazonas. Entidade sem fins lucrativos, concentra esforços na bacia do rio Negro, em especial nas unidades de conservação (UC). Nos últimos anos tem atuado para estruturar ações no âmbito dos 13 municípios que compõem a Região Metropolitana de Manaus.

FRASE

"Todos sempre serão muito bem vindos para entrar aqui no Espaço FVA e discutir ideias, propostas e projetos para a fundação"

José Luís Campana Camargo, Presidente da FVA

EM NÚMEROS

R$ 500.000

Foi o custo para a construção do Espaço FVA, com recursos oriundos da fundação Gordon and Betty Moore (EUA) e do Fundo Vale. O terreno foi uma doação da prefeitura local.

Ribeirinhos elogiaram iniciativa e criação do Espaço FVA

Durante a inauguração  oficial do Espaço FVA na comunidade de Novo Airão, ribeirinhos das comunidades assistidas pela Fundação Vitória Amazônica que estavam presentes destacaram as iniciativas e a parceria celebrada há anos entre eles e a entidade não-governamental.

Um deles foi o José Dionízio da Silva, presidente da Associação dos Moradores do Rio Unini (Amoru).

“É uma satisfação estar neste congraçamento pela inauguração de um novo patamar que a FVA está construindo. Com certeza vai ajudar tanto aqui ao posto de Novo Airão quanto a nós ribeirinhos do Rio Unini, Jaú e de outras partes”, comentou ele.

O dirigente lamentou que, pelo rio Unini, somente ele e outro comunitário estivessem presentes ao evento de sábado. “Seria bom que outras pessoas, principalmente do Unini, que está mais ligado a FVA, estivessem aqui para ver essa obra”, conta ele.

Artistas de Novo Airão expõem no centro de vivência

O centro de vivências  vai proporcionar aos artistas amazonenses a experiência de expôr seus produtos e obras nas exposições que serão realizadas no local. No último sábado, por exemplo, o espaço foi palco da mini-exposição do artista plástico Buy Chaves, catarinense que reside no Estado há 20 anos e que mantém um ateliê e galeria (a Jirau) em Novo Airão e venda de peças artísticas produzidas em arumã pelos profissionais da Associação dos Artesãos de Novo Airão (AANA).

Segundo Marcos Antônio de Souza Barbosa, 21, presidente da AANA e que é da etnia indígena baré, a criação do Espaço FVA vai proporcionar aos artesãos mostrar todo o seu talento. “Nós trabalhamos com fibras, cipós e arumã-canela, fazendo produtos como tupé, balaio, cesto de paneiros, peneiras, luminárias e muito mais. Nosso projeto é ficar para sempre aqui no Espaço FVA”, disse ele. A associação integra 22 famílias integrantes das etnias baré e tucano.

*Repórter e fotógrafo viajaram a Novo Airão a convite da Fundação Vitória Amazônica (FVA).

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