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Amazônia
UM LOTADO, OUTRO SUCATEADO

Cetas da Prefeitura está fechado, e do Ibama prestes a fechar as portas

Centro de Triagem de Animais Silvestres de Manaus está fechado desde o mês de dezembro - 30 animais foram furtados de lá desde então 04/06/2017 às 17:25
Mônica Prestes Manaus

Com o Centro de Triagem de Animais Silvestres (Cetas) Reserva do Sauim Castanheira fechado para novos animais resgatados e sem previsão de quando será reativado pela Prefeitura de Manaus, e as dificuldades nas destinações de silvestres abrigados no Cetas do Ibama-AM, que já atingiu sua lotação máxima, o analista ambiental Robson Czaban alerta para a possibilidade de, num futuro próximo, os animais resgatados terem que permanecer com os infratores por falta de espaço nos órgãos ambientais.

Segundo ele, além do prejuízo à fauna, a situação caótica que vive a gestão de fauna no Amazonas pode causar transtornos também à população.  “É complicado: imagina você, uma cidadã, no seu carro e vê um animal que caiu de uma árvore. Você traz aqui pra gente e de repente a gente não pode receber. O que você vai fazer? Não pode soltar, não pode ficar com ele, nem pode entregar. Ou seja, as autoridades têm que pensar em uma solução que envolva todos os fatores. A população deve ser incentivada a fazer a entrega voluntária desse animal, mas para isso a gente tem que ter estrutura, espaço, recursos financeiros, tem que ter gente. Não é tão simples assim”.


Lotado
De acordo com ele, no semestre passado o Cetas do Ibama-AM chegou a abrigar 100 animais nos 14 recintos que possui. “É muito animal pra pouco recinto. E é o único Cetas do Estado do Amazonas neste momento. O Sauim Castanheiras está fechado. O órgão estadual não tem, então não tem mais onde colocar”.

Czaban afirma  que o Cetas do Ibama-AM já atingiu sua capacidade máxima e trabalha hoje dentro de uma margem de segurança e de adaptações. “Chegamos no limite, mas essa capacidade máxima varia em função do tipo de bicho. Por exemplo, tem animais que são sociáveis e alguns recintos podem abrigar vários, como os psitassídeos e alguns primatas. Mas outros não, como os felinos. Hoje, por exemplo, tenho vaga só para um felino, se chegarem dois, não dá. Não tem mais condição”, disse.

Nesses casos, aponta Czaban, em não se encontrando destinação, o Ibama-AM pode ser obrigado a multar a pessoa que foi apreendida com o animal, se for o caso, mas deixá-lo ficar com o animal, mesmo que temporariamente. “Não vamos ter o que fazer, estamos no nosso limite”, justificou. 

Também analista ambiental do órgão, Cristina Isis Buck Silva explica que até a promoção de campanhas educativas é delicada. “Este Cetas, só tem ele e está lotado. Se a população começar a entregar todos os animais aqui a gente não vai ter onde colocar”, pontuou.

Resgates limitados
As limitações não se restringem aos cativeiros. O resgate de silvestres só é realizado pelo Ipaam em Manaus, em horário comercial - no interior não há equipes do instituto e a missão cabe a outros órgãos, como Batalhão Ambiental e Polícia Rodoviária Federal.


Asas do Brasil
Outra estratégia que o Ibama-AM está adotando para tentar desafogar o Cetas e destinar mais animais a ambientes naturais ou o mais próximo possível disso são as áreas de soltura de animais silvestre (Asas), revelou a analista ambiental Cristina Isis Buck Silva.

O projeto consiste em regularizar áreas aptas a receberem temporariamente animais que estão sendo preparados para voltar à vida na natureza. “A solução que estamos buscando agora são as áreas de soltura, que é uma coisa mais fácil que o mantenedor, que exige um responsável técnico, veterinário e investimentos muito altos. As áreas de soltura são espaços que o proprietário de uma fazenda, por exemplo, constrói um gaiolão e recebe aves do Ibama para treinar solturas lá mesmo”, explicou.

O problema, aponta Cristina, é que o projeto Asas do Brasil, que coordena essas ações, não tem nenhuma área de soltura cadastrada no Amazonas, ainda. “É uma pena, porque temos tantas áreas que poderiam servir, mas ainda não temos nenhuma cadastrada, então a gente solta conforme encontra espaços, normalmente em outros estados”, disse.

33% - dos animais recebidos pelo Cetas do Ibama-AM em 2016 eram provenientes do Cetas municipal Reserva Sauim Castanheira, de acordo com o relatório do órgão. No total, o Cetas municipal encaminhou 58 animais ao Ibama. Outros 49 silvestres (28% do total) foram provenientes de resgates; 42 (24%) de entregas voluntárias e 29 (16%) de apreensões de órgãos ambientais.

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