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Cheia no Alto Solimões preocupa moradores de municípios do AM

No Alto Solimões, fronteira com Peru e Colômbia, o volume de chuva tem sido acima do normal, segundo relatos de moradores. 15/03/2013 às 13:10
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No Alto Solimões, fronteira com Peru e Colômbia, o volume de chuva tem sido acima do normal, segundo relatos de moradores
Elaíze Farias Tabatinga

A cheia na região do Alto Rio Solimões, no Amazonas, já começa a preocupar os gestores públicos, as famílias que vivem à margem do rio nas sedes dos municípios e agricultores. Atualmente, os seis municípios que integram a microrregião do Alto Solimões estão em situação de alerta.

Em alguns bairros das sedes de municípios como Tabatinga e Benjamin Constant o nível do rio Solimões já atinge os assoalhos das residências. No bairro Guadalupe, em Tabatinga, os moradores iniciaram a construção de pontes, única maneira de circular nas vias.

No Alto Solimões, fronteira com Peru e Colômbia, o volume de chuva tem sido acima do normal, segundo relatos de moradores. Depois de uma trégua de aproximadamente uma semana, nesta quinta-feira (14) uma forte chuva foi registrada novamente em Tabatinga desde a madrugada.

Prejuízo

Na zona rural, agricultores colheram precocemente sua produção. A Coordenação Regional da Defesa Civil da Microrregião do Solimões estima uma perda de 60% da safra, principalmente de mandioca e de banana.

“Os agricultores fizeram a colheita muito cedo porque o rio subiu rapidamente. As mandiocas, por exemplo, ainda estavam fininhas. Isso significa uma produção menor de farinha. E eles já veem de um prejuízo de duas cheias próximas, as de 2009 e a 2012”, disse Gildásio Araújo da Silva, coordenador regional da Defesa Civil do Alto Solimões. Atualmente, o quilo da farinha em Tabatinga está custando R$ 6.

A expectativa é que a intensidade da cheia deste ano alcance o mesmo porte da registrada em 2012. Ano passado, o nível máximo da cota na estação de medição localizada em Tabatinga chegou em 13,73 metros, afetando quase 300 mil residências das zonas urbana e rural, deixando alagadas.

Em Tabatinga, diferente de Manaus, o pico da cheia ocorre no final de abril. Apesar da magnitude da cheia de 2012 ter sido grande, o recorde em Tabatinga foi registrado em 1999, quando o pico alcançou 13,82. No Alto Solimões, a medição da cota começou na década de 80. Em Manaus, o nível máximo do rio Negro, que é influenciado pela magnitude do rio Solimões, ocorre em junho ou julho.

Nesta quarta-feira (13), a cota em Tabatinga estava em 12,36 metros, dois centímetros a mais da cota registrada no mesmo dia em 2012. Se alcançar 12,50metros, esta marca vai atingir a categoria de situação emergencial.

Incerteza

Segundo o secretário municipal da Defesa Civil de Tabatinga, Sidney dos Santos Arévalo, ainda não dá para estimar, de fato, se poderá ocorrer uma cheia de grande intensidade porque “tudo está incerto”.

“A gente não sabe. O rio sobe muito, mas depois dá uma estagnada. Depois volta a subir, e novamente para. Mas se continuar chovendo muito, podemos ter uma cheia grande”, disse.

A microrregião do Alto Solimões abrange os municípios de São Paulo de Olivença, Amaturá, Santo Antônio do Içá, Tonantis, além de Tabatinga e Benjamin Constant.

Afetados

No momento, a Coordenação Regional da Defesa Civil da Microrregião do Solimões e as secretarias municipais realizam o cadastro das famílias que poderão ser atingidas. Outra ação é a realização de campanhas preventivas e de alertas contra doenças e risco de afogamento.

Em Benjamin Constant, segundo Gildásio Araújo da Silva, já foram construídos oito mil metros de pontes. Na sede deste município, oito bairros são afetados pela cheia.

Já em Tabatinga, as áreas mais afetadas são onde moram as famílias ribeirinhas da zona rural. Na sede, os bairros mais atingidos são Guadalupe e Dom Pedro.

Em Guadalupe, onde existem 80 casas (palafitas de madeira, a maioria), as famílias estão preocupadas com a possibilidade de terem novamente que erguer assoalhos dentro de suas casas para escapar da subida do rio.

“Se continuar a chover forte, a água vai chegar no chão. Algumas casas já estão passando por esse problema. Agora, a gente espera que a prefeitura doe madeira. Muita gente do bairro não tem condições de comprar”, disse o presidente do bairro, Edmilson Caldas.

É o caso da agricultora Nete João de Deus, cuja casa começa a ser impactada com o transbordando do rio dentro de seu assoalho. Nete disse “estar com medo” de novamente sua residência “ir pro fundo”. Em 2012, a casa de Nete foi atingida de tal forma que ela teve que erguer duas vezes assoalhos a mais dentro de sua casa.

Confira imagens da cheia no link.

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