Quinta-feira, 23 de Janeiro de 2020
Amazônia

Cimi e liderança indígena denunciam morte no Vale do Javari por falta de atendimento

Indígena doente não teria sido removido em tempo hábil por falta de embarcação; Dsei/Vale do Javari rebate a denúncia



1.jpg Mortes foram confirmadas pela nova chefe do Dsei/Vale do Javari
27/02/2013 às 16:03

Um indígena da etnia da região do Vale do Javari, no município de Atalaia do Norte (a 1.138 quilômetros de Manaus) morreu nesta segunda-feira (25) por falta de atendimento, segundo informações do Conselho Indigenista Missionário (CIMI) e do presidente da Organização Geral dos Mayoruna (OGM), Vítor Mayoruna.El

Sebastião Mayoruna, cuja idade foi estimada em 60 anos (embora haja a versão de que ele teria mais de 70) morava na aldeia Fruta Pão. Nesta terça-feira (26), a assessoria de imprensa do CIMI em Manaus divulgou a morte, afirmando que o caso“o estado precário em que vive o Distrito Sanitário Especial Indígena (Dsei) de Atalaia do Norte".



De acordo com divulgações do CIMI, moradores da aldeia Fruta Pão chegaram a pedir a remoção do indígena doente, mas uma enfermeira identificada como Rose teria dito que o Dsei de Atalaia do Norte estava sem combustível para a embarcação.

“Na última sexta-feira, 22/02, o técnico de enfermagem que estava na aldeia Fruta Pão entrou em contato com o Dsei em Atalaia do Norte por radiofonia e solicitou a remoção do indígena. A resposta dada pela funcionária responsável, naquela ocasião, foi de que ele deveria permanecer em tratamento na aldeia porque os barcos estavam quebrados e não havia combustível”, diz trecho do relato enviado pela assessoria do CIMI.

Segundo o CIMI, com base em relato de Vítor Mayoruna, dentre o que ficaram sem atendimento estava o filho do cacique Chico Preto, da Aldeia Lago Grande. A criança apresentava vômito e diarréia e estava bastante debilitada.

A reportagem do portal acrítica.com ligou para Vítor Mayoruna, que confirmou a informação do CIMI. Segundo Vítor, a notícia da doença de Sebastião foi divulgada na semana passada por meio de radiofonia. Conforme Vitor, a remoção não ocorreu com a alegação de que não havia barco para o deslocamento do doente. Ele relatou também o caso de uma criança que “estava doente” que não recebeu atendimento por falta de atendimento.

Procurado pelo portal, o coordenador do Dsei do Vale do Javari, Heródoto Jean Sales, confirmou a morte mas negou que o pedido de remoção tenha ocorrido.

Sales disse que foi informado nesta terça-feira que o indígena tinha “mais de 70 anos” e que este morreu de falência múltipla dos órgãos. “O enfermeiro de lá disse que não foi pedida remoção alguma”, disse.

Indagado se o Dsei/Vale do Javari tinha problemas nas estruturas, como falta de combustível ou barco quebrado, ele também negou. “Nesses seis meses que estou no distrito esse é o segundo indígena que morre. Não sei por que o pessoal está fazendo confusão. Não sei por que a vigilância no Vale do Javari. Morre índios em outros Dsei e ninguém fala nada”, afirmou. Conforme Sales, “todos os índios que pedem remoção” são atendidos pelo Dsei/Vale do Javari.


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