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Climatologia e hidrologia: rios que integram a Bacia Amazônica vivem situações diferentes

O fenômeno El Niño modificou o comportamento do clima e os rios da região estão com comportamentos bem diversos. O Negro, por exemplo, está enchendo em Manaus e secando na região das cabeceiras 03/03/2016 às 10:21
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Em Manaus, as chuvas - que chegaram atrasadas este ano mas estão mais constantes - anunciam mudanças nas paisagens
SILANE SOUZA Manaus (AM)

Os rios Solimões, Amazonas, Juruá, Madeira, Purus e o Negro, em Manaus, estão em processo de cheia, mas com o nível das águas abaixo dos anos anteriores. Enquanto isso, os rios Japurá, Alto Rio Negro (de Barcelos a São Gabriel da Cachoeira) e Branco ainda estão sofrendo a vazante. E também com o nível das águas abaixo do registrado nos últimos 5 anos.

As informações são do superintendente regional do Serviço Geológico do Brasil (CPRM), em Manaus, Marco Antônio de Oliveira. De acordo com ele, isto se deve a chuvas abaixo da média que tem caído em toda a região Amazônica desde o segundo semestre de 2015 até agora. Esta estiagem é efeito do fenômeno climático El Nino, conforme informou.

Ele disse ainda que a previsão das cheias para 2016 será dada somente no dia 31 deste mês quando a probabilidade de acerto da previsão é de 70%. “No entanto, devido ao nível baixo dos rios e o cenário climático de permanência do fenômeno El Nino, pelo menos até abril, e em consequência de um período chuvoso abaixo do normal é provável que esta cheia seja inferior a registrada nos últimos anos”, adiantou.

Marco Antônio ressaltou que, neste momento, a região do Alto Rio Negro (onde ficam os municípios de Barcelos, Santa Isabel do Rio Negro e São Gabriel da Cachoeira) e de Presidente Figueiredo, localizado na calha do Negro, é a mais afetada pela estiagem, quadro que só deve mudar a partir do inicio do mês de abril.

Dados do último Boletim de Acompanhamento 2016 sobre o comportamento das estações monitoradas pela Agência Nacional de Águas (ANA), CPRM e Sistema de Proteção da Amazônia (Sipam), divulgado no dia 26 de fevereiro, mostram que na bacia do Javari, as estações estão em período de enchente, enquanto na bacia do Purus as estações estão com níveis baixos para o período.

Na bacia do Negro, o nível do rio subiu nos últimos dois dias, indicando o fim do processo pouco comum de vazante para o período, análogo ao que ocorreu no rio Solimões.

Conforme o Boletim, na bacia do Solimões, as cotas nas estações de Tabatinga, Fonte Boa e Itapéua voltaram a subir, encerrando a vazante atípica para o período que vinha ocorrendo no rio em questão. Na bacia do Amazonas, as estações monitoradas encontram-se em processo de enchente com níveis abaixo da média para o período e na bacia do Madeira, as estações estão em período de enchente.

Conforme o Center for Ocean Land Atmosphere Studies (Cola), o prognóstico de precipitação (chuva) para o período de 25 de fevereiro a 4 de março, sugere volumes significativos de chuva em grande parte da Amazônia legal, com exceção do estado de Roraima e no Tocantins. Já o prognóstico de precipitação para o período de 4 a 12 de março indica uma ligeira redução nos volumes precipitados na Amazônia Ocidental (setor Oeste) e um aumento significativo na Amazônia Oriental e na região central do país.

Rio Negro volta a ter comportamento de cheia

Nos últimos quatro dias, o nível do rio Negro, em Manaus, subiu 32 centímetros e atingiu a cota de 20,03 metros. Um comportamento bem diferente do que foi visto no mês de fevereiro quando em 20 dias (do dia 4 ao dia 24) o rio secou 53 centímetros. Porém, o Negro está com o nível 5 metros abaixo do mesmo período do ano passado, quando a cota era de 25,03 metros. 

Para o chefe do Serviço de Hidrologia do Porto de Manaus, Valderino Pereira da Silva, em breve o rio Negro deve retornar seu curso normal da enchente. “O rio estava em período de enchente, esse recuo que teve não é normal, mas ocorreu em outros anos. Acreditamos que é uma coisa momentânea e que daqui uns dias o Negro vai retornar o caminho normal da enchente que vai até meados de junho a julho”, disse.

Sobre a previsão do tamanho da enchente deste ano, Valderino destacou que, o rio está a 5 metros abaixo do nível do ano passado, porém, no dia 1 de março de 2015 o rio subiu 3 cm, enquanto no mesmo dia desse ano subiu 10 cm. No dia 2 de março do ano passado subiu 4 cm, e ontem, mesma data, subiu 9 cm. Em dois dias a diferença foi de 12 cm. “Se continuar com esses valores, que são altos para o período, esses cinco metros serão diminuídos em curto prazo”, afirmou.

Navegação prejudicada na região da cabeceira

Apesar de está chovendo no Alto Rio Negro, onde há três municípios em situação de emergência por conta da estiagem, a navegação entre os municípios de Barcelos, Santa Isabel do Rio Negro e São Gabriel da Cachoeira ainda está difícil, de acordo com o secretário da Defesa Civil do Amazonas, Fernando Pires Júnior. “A chuva tem aumentado na cabeceira, encheu 47 centímetros nos últimos oito dias, mas os níveis do rio ainda estão baixos, impossibilitando a navegação”, disse.

Fernando Pires destacou que hoje a preocupação é com o rio Juruá com a cota de alerta por causa da cheia e a calha do rio Negro por conta da estiagem. Esse último, inclusive está recebendo ajuda do Governo do Estado.

“A ajuda humanitária está indo por via área. Nessa sexta-feira, inclusive, vamos mandar mais uma remessa para Barcelos, de lá, será distribuído para Santa Isabel do Rio Negro e São Gabriel da Cachoeira. Em Presidente Figueiredo já estamos atendendo as 11 comunidades afetadas pela estiagem”, frisou.

Juruá volta a dias de normalidade

O rio Juruá passou dois dias em alerta por causa da cheia, mas retornou a normalidade, de acordo com a Defesa Civil do Amazonas. Atualmente, o rio está em observação. Equipes da Defesa Civil Estadul estão no local monitorando a área devido às previsões de chuva acima do normal para as calhas do Juruá, Purus e Alto Solimões.

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