Quinta-feira, 25 de Fevereiro de 2021
EMPREENDEDORISMO SOCIAL

Conheça a história de mulheres destaques na luta por mudanças na Amazônia e no Brasil

Na vanguarda dos interesses do meio ambiente e da Amazônia, Katia Brasil, Angela Mendes e Alessandra Orofino se juntaram à rede Ashoka para construir novos caminhos e soluções de empreendedorismo e sustentabilidade



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24/01/2021 às 14:00

Em contrapartida aos problemas que o mundo enfrenta hoje, especialmente aqueles que impactam negativamente as cidades, a democracia, a resiliência climática e a vida nas florestas, três mulheres se destacam em não apenas formular estratégias para enfrentar as crises atuais, mas também na criação de oportunidades para que a sociedade contribua com a mudança. Alessandra Orofino, Angela Mendes e Katia Brasil estão na vanguarda na luta por mudanças na Amazônia e no Brasil.

Uma nova narrativa para a Amazônia



A jornalista amazonense, Katia Brasil, co-fundou a Amazônia Real, em Manaus, no estado do Amazonas, a primeira agência de Jornalismo investigativo sem fins lucrativos com sede na Amazônia. Katia Brasil está reformulando a maneira de narrar questões sociais e ambientais na região, colocando a perspectiva das populações tradicionais no centro das reportagens.

Segundo Katia Brasil, a Amazônia Real capacita jovens indígenas, ribeirinhos e quilombolas com ferramentas e técnicas narrativas que fortalecem o pensamento crítico e a expressão de seus valores, cultura, história, direitos e desafios.


Katia Brasil. Foto: Alberto Cesar Araujo/Amazônia Real

"Temos o compromisso de contribuir na formação e no resgate identitário, por meio de reportagens e artigos que contextualizem historicamente a população amazônica, para que a população se reconheça em sua história", definiu Brasil.

Para garantir um canal direto entre as comunidades tradicionais e os jornalistas da agência, a Amazônia Real opera com uma rede de 40 jornalistas colaboradores e mais de 20 comunicadores distribuídos nos 9 estados da região Amazônica. A Amazônia Real já alcançou mais de 3,5 milhões de pessoas, por meio de mais de 2 mil publicações e documentários.

Liderança jovem na defesa ambiental e social

Outra articuladora em defesa dos povos tradicionais e indígenas é a Angela Mendes, coordenadora do Comitê Chico Mendes, em Xapuri, no estado do Acre. O movimento co-liderado passa pela articulação de uma nova "Aliança dos Povos da Floresta".

Para Angela é urgente promover uma visão e um pacto de longo prazo, com atenção ampliada para os vários biomas ameaçados, não só a Amazônia. Ela tem papel fundamental na concertação de ações de diversas populações tradicionais que vivem na Amazônia visando a defesa de seus territórios, conhecimentos, cultura e modos de viver e produzir.


Angela Mendes. Foto: Marco Escrivão/Thiago B. Mendonça

No Comitê Chico Mendes, criou, em 2016, o Núcleo de Jovens, e na Reserva Extrativista Chico Mendes fomentou o Programa Jovens Extrativistas. As iniciativas têm por objetivo a formação cidadã, crítica e reflexiva de jovens lideranças para fortalecer a organização social e o entendimento de seu papel estratégico na defesa da floresta. Angela entende que os jovens são o termômetro do êxito das unidades de conservação de uso sustentável, como a Resex Chico Mendes: quando os jovens permanecem e lideram, a floresta vive e prospera.

"Queremos que os jovens percebam todo o seu potencial como agente transformador da realidade do seu território através da percepção do valor econômico da floresta em pé e da importância global de seus serviços ecossistêmicos, mas, para além disso, do seu próprio processo de restauração identitária, com orgulho de sua ancestralidade seringueira", contou Mendes.

Tecnologia como ferramenta de mudanças políticas

Com o intuito de promover múltiplas tecnologias de mobilização para defender a democracia e fazer pressão popular por justiça social, a carioca Alessandra Orofino co-fundou a organização "Nossas". Desta forma, constrói pontes entre as demandas da população e os políticos e tomadores de decisão.

Depois de uma experiência bem-sucedida com o Meu Rio, fundado em 2011, Alessandra decidiu replicar o modelo de redes de ação para outras cidades do país; capacita e provê ferramentas para cidadãos já engajados que desejam fundar redes de mobilização social.

"A vida cívica será regenerada de baixo para cima - e este novo Brasil vai inspirar a sociedade civil de outros países a fazerem o mesmo. Ao redor de todo o Sul Global pessoas irão se organizar. Se tornarão melhores 'advogadas' para si mesmas e suas comunidades. Encontrarão prazer na organização e mobilização de pessoas. Se ajudarão a crescer, construindo o comum através de seu próprio esforço, tempo e solidariedade", descreveu Orofino.


Alessandra Orofino. Foto: Obama Foundation/Arquivo

No Nossas, sua liderança levou à realização de mais de 200 campanhas, mobilizando mais de 1,6 milhão de pessoas e resultou na conquista de mais de 120 mudanças em políticas públicas. Alessandra tem trabalhado para redistribuir poder no processo democrático e garantir que todos possam ter voz e transformar realidades. Hoje, pessoas de todo o Brasil são articuladoras e embaixadoras de suas cidades usando tecnologias do Nossas.

Rede nacional de empreendedorismo social

Por conta do pioneirismo e relevância que estas três mulheres destacam em seus territórios, a Ashoka, pioneira e maior rede mundial de empreendedorismo social, anunciou a inclusão destas três novas empreendedoras sociais à sua rede.

“É com grande entusiasmo que reconhecemos as inovações sociais lideradas por Alessandra, Angela e Katia e as integramos à rede de mais de 3.800 Empreendedores Sociais Ashoka”, diz Rafael Murta, diretor de Comunidade e Territórios Transformadores da Ashoka. “Diante da complexidade dos problemas que se propõem a resolver, elas desafiam a lógica de um sistema desigual e traçam caminhos para construir coletivamente novas possibilidades.”, comentou Murta.

Para Andrea Margit, líder da Iniciativa de Mudança de Paradigma da Ashoka, as novas empreendedoras sociais chegam para fortalecer a nossa rede, atuando principalmente nos desafios relacionados à Amazônia e à participação cidadã.

 “Alessandra, Angela e Katia não estão apenas na liderança de organizações da sociedade civil; elas estão à frente de um movimento muito maior, que é o de inspirar a agência de transformação em cada pessoa. Num mundo cheio de incertezas, saber navegar na mudança é a única opção. Todos temos essa potência e os empreendedores sociais nos ajudam a desencadeá-la.”, destacou Margit.


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