Domingo, 25 de Agosto de 2019
PELO FUTURO

Crianças indígenas reflorestam área que era 'lixeira viciada' na Zona Norte de Manaus

Representando dez etnias, elas participaram do ato simbólico no terreno provisório onde funciona a sede do Instituto de Apoio aos Povos Originários da Amazônia



IMG-20190810-WA0020_2EDA2DB0-11D1-4814-A9F6-38D81EA700B7.jpg Fotos: Junio Matos
11/08/2019 às 14:41

Dez crianças indígenas, com idade entre três e dez anos, mandaram um recado para o mundo na tarde do último sábado (10): o futuro é agora. Representando dez etnias, elas participaram de um reflorestamento (como foi chamado o ato simbólico) realizado no terreno provisório onde funciona a sede do Instituto de Apoio aos Povos Originários da Amazônia (Iapoam), na Colônia Terra Nova, Zona Norte de Manaus, em uma área verde, onde, até um ano atrás, era uma lixeira viciada.  

“Limpamos esse terreno por conta própria. Pedimos ajuda do poder público, mas não fomos atendidos, então nos juntamos e fizemos essa limpeza, sozinhos. Até mesmo para preservar essa área verde que, embora seja uma propriedade privada, tem bastante vida, muitas espécies de pássaros”, relata Kamila Mura, cacique da etnia Mura e também presidente fundadora da Iapoam, que presta apoio social aos indígenas que vivem em Manaus e àqueles que por algum motivo precisam vir a Manaus e não têm onde se hospedar.

Segurando mudas de árvores frutíferas, como a castanheira, e de plantas medicinais, como a copaíba e a andiroba, as crianças absorveram bem a lição ecológica. Que o diga a pequena Emilly Shuo, de 10 anos, da etnia sateré-mawé. “A floresta em pé é melhor pra todo mundo”, disse, com um sorriso tímido.

O reflorestamento foi a coroação de um esforço conjunto para devolver o verde à “ex-lixeira”. Como parte da comemoração, ao longo da tarde houve, na sede do Iapoam, a realização de um festival de música indígena ao vivo com direito a barraquinhas de comidas típicas e de venda de artesanatos indígenas.

Iapoam

O Instituto de Apoio aos Povos Originários da Amazônia (Iapoam) presta apoio aos, aproximadamente, 30 mil indígenas das etnias Sateré-Mauwé, Mura, Tikuna, Tukano e Kokama, entre outros, que vivem em área urbana com apoio socioassistenciais que vão desde apoio para conseguir atendimento médico na capital quanto para tirar documentos.

Sem uma sede fixa, há um ano o Iapoam tem operado em um terreno particular localizado na Colônia Terra Nova que, inicialmente, foi uma doação por parte do dono, mas que recentemente tem cobrado R$ 4 milhões para que os indígenas se fixem por lá.

“Não temos como arcar com esse custo. Em breve sairemos daqui e procuraremos outra sede. Mesmo assim, deixamos aqui esse legado [o reflorestamento] que, espero, o dono e os moradores do entorno levem adiante”, disse Kamila Mura.

Ato

Kamila Mura adiantou à reportagem que um ato social será feito na manhã desta segunda-feira (12) em frente à sede do Governo do Estado, na Compensa, Zona Oeste de Manaus, para cobrar um apoio mais efetivo para a entidade por parte do poder público.

“Nós, indígenas, não somos um museu. Muitos índios estão invisíveis aos olhos do Estado porque não eles não têm documentação. A gente vem trabalhando para reverter esse quadro. O Iapoam não é apenas esse reflorestamento que fizemos aqui, é todo um cuidado social. Hoje damos um apoio a 100 famílias de 14 etnias”, contou.

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Repórter do caderno de Cidades - Jornal A Crítica

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