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Amazônia
Educação

Cultura indígena é integrada à disciplina História em escola do interior do Amazonas

Os saberes dos povos indígenas passaram a fazer parte da grade curricular do Ifam de São Gabriel da Cachoeira após trabalho realizado pela professora Letícia Alves, com apoio da Fapeam 02/05/2016 às 10:48 - Atualizado em 02/05/2016 às 12:01
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De acordo com a professora, a integração irá permitir uma produção conjunta do conhecimento, promovendo a interdisciplinaridade enquanto prática de ensino (Foto: Divulgação)
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Os saberes indígenas serão compartilhados com professores e alunos do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Amazonas (Ifam) de São Gabriel da Cachoeira, o que irá permitir uma produção conjunta do conhecimento, promovendo a interdisciplinaridade enquanto prática de Ensino

A professora do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Amazonas (Ifam), Letícia Alves, está desenvolvendo um estudo, com apoio do Governo do Amazonas, por meio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (Fapeam), com o objetivo de integrar os saberes indígenas às metodologias de Ensino dos conteúdos de História nas turmas de ensino Técnico e Tecnológico do Ifam de São Gabriel da Cachoeira.

De acordo com a professora, a integração irá permitir uma produção conjunta do conhecimento, promovendo a interdisciplinaridade enquanto prática de ensino.

"Viabilizar um espaço de interlocução entre alunos e professores dará a chance de efetivar os saberes indígenas no ensino de História, baseado em uma metodologia integrada para o Alto Rio Negro constituindo assim, um ensino e aprendizagem que forme verdadeiramente cidadãos capazes de "restituir" a dignidade da condição humana", afirmou Letícia.

De acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), São Gabriel da Cachoeira é o município amazonense com a maior parte dos habitantes de etnias indígenas e o município brasileiro com a maior concentração de diferentes etnias, como, por exemplo, os Arapaço, Baniwa, Barasana, Baré, Desana, Hupda, Karapanã, Kubeo, Kuripako, Makuna, Miriti-tapuya, Nadob, Pira-tapuya, Siriano, Tariano, Tukano, Tuyuka, Wanana, Werekena e Yanomami.

O projeto foi dividido em dez fases, dentre elas, foi realizada uma entrevista com os professores e alunos do Ifam do município para verificar o conteúdo referente ao conhecimento de saberes indígenas. Atualmente, Letícia está na fase de execução de oficinas sobre o Ensino de História com professores indígenas.

Segundo Alves, o diferencial do estudo está no trabalho que vem sendo realizado com 22 povos indígenas que vivem na região. "De acordo com o levantamento feito até o momento, posso salientar que não existem projetos de pesquisa que trabalhem o ensino de História articulado com os saberes indígenas de 22 etnias distintas culturalmente, etnicamente e linguisticamente, como o que estamos desenvolvendo agora", disse.

O estudo visa contribuir com outras instituições fora do Amazonas, dada sua especificidade, pois irá inserir um ensino mais próximo à realidade do aluno indígena, ajudando na melhoria da compreensão, interpretação e contextualização dos conteúdos desenvolvidos em todo o ano letivo.

Para a pesquisadora, o estudo possibilitará, ainda, que os estudantes vejam o ensino de História a partir da perspectiva de sua cultura, como forma de subsidiar projetos de sustentabilidade social, cultural e ambiental das comunidades indígenas.

"A proposta da pesquisa está centrada na construção de uma metodologia para o ensino de História que articule os saberes indígenas com os conteúdos de História. Portanto, o nosso objetivo primordial é subsidiar a formação de professores para trabalhar com essa realidade pluriétnica, que demanda novas práticas pedagógicas a respeito dessas identidades", disse Letícia Alves.

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