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Amazônia
AGROTÓXICOS

Curso promovido pela Embrapa busca reduzir consumo excessivo de agrotóxicos

Média de consumo de agrotóxico no Estado é maior que a Nacional e para reduzir esses números, agricultores familiares e técnicos de assistência técnica e extensão rural investem na agricultura orgânica 26/03/2016 às 15:42 - Atualizado em 27/03/2016 às 16:50
Show embrapa
Há espécies de plantas adubadeiras que ajudam a fertilizar o solo (Foto: Euzivaldo Queiroz)
Hellen Miranda

Uma pesquisa feita pelo Programa de Avaliação de Resíduos Agrotóxicos (Para) mostrou que o Estado do Amazonas consome 50% mais agrotóxicos que a média do País. Com intuito de reduzir o uso de veneno na agricultura local, a Embrapa Amazônia Ocidental e o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) promoveu, semana passada, o curso de agricultura orgânica para agricultores familiares e técnicos da assistência técnica e extensão rural.

De acordo com o pesquisador da Embrapa e coordenador do curso, José Nestor de Paula Lourenço, a capacitação teve como objetivo falar sobre a agricultura orgânica em si.  “A ideia foi repassar os conhecimentos sobre espécies de plantas adubadeiras, que ajudam na fertilização do solo. Outra questão era responder às necessidades de mudança da agricultura de base agroecológica e desenvolver a criatividade e iniciativa para qualificar a atuação dos técnicos junto aos agricultores familiares. Além disso, vamos repassar as informações quanto à legislação orgânica, pois é fácil trabalhar com o produto, desde que siga  alguns critérios”, informa.

Conforme Lourenço, mesmo com a crise que assola o Brasil, a agricultura orgânica cresceu no ano passado. “Em 2015, esse tipo de agricultura aumentou 35% no País. Isso mostra que há mercado, mas falta muitas vezes, a informação ao agricultor local, que só conhece a prática e tecnologia feita com base no modelo de agricultura familiar com uso do agrotóxico e adubo químico”, explica. Para ele, outro impasse é o período de transição do solo. “A espera para começar a usar orgânico é em média dois anos, mas pode levar mais tempo, dependendo do veneno usado. E nem todos os agricultores estão dispostos a aguardar esse período, devido a questão financeira”. A perspectiva para este ano é que agricultura orgânica cresça até 20% no Brasil. 

O curso que aconteceu mesmo no Dia Mundial da Água tem um dos principais preceitos da agroecologia, o manejo sustentável dos recursos hídricos. "O solo recebe a água, que abastece os igarapés e rios, por isso o manejo orgânico do solo é importante por contribuir de forma  importante para a conservação da água nesse solo", destaca. A atividade foi realizada no Campo Experimental do Caldeirão, no município de Iranduba (AM).

De acordo com o pesquisador da Embrapa, a primeira vantagem da agricultura orgânica é para o próprio agricultor.  “Mais de 78% dos agricultores familiares que usam agrotóxicos são contaminados, segundo dados. Eles não usam os itens de segurança para o manuseio adequado do veneno e a absolvição acontece, principalmente, pela pele”, afirma. Conforme ele, além da saúde, outras vantagens são em relação ao solo e mercado. Para o pesquisador, o Amazonas tem uma oportunidade histórica de aproveitar a produção orgânica.

O chefe substituto da divisão de políticas agrícola do Ministério da Agricultura, Raimundo Nonato Araújo endossa o coro referente as vantagens do uso de matéria orgânica. “Os empresários das grandes indústrias defendem a utilização porque elimina praga, mas existem maneiras de combater através da utilização de materiais que a natureza nos dá. Exemplo disso, é pegar as folhagens que eliminam líquidos e adubam o solo”, ressalta.

Explosão de 93%

Os produtos consumidos no Brasil apresentam grandes índices de agrotóxicos, aponta os dados da Agência Nacional da Saúde (Anvisa). Enquanto nos últimos dez anos o mercado mundial desse setor cresceu 93%, no Brasil, esse crescimento foi de 190%.

Blog: Jones Silva, agricultor na comunidade Caldeirão

Cebolinha, pepino, quiabo e tomate, além de mamão e cupuaçu são alguns itens produzidos de forma natural e consumidos por minha família há cinco anos. Nesse tipo de alimento, você percebe que  até o sabor é bem melhor. Logo, quando comecei, cheguei a utilizar veneno no solo,  mas resolvi mudar para o orgânico por uma questão de qualidade de vida, optei por sáude ao perceber que estava  matando minha família aos poucos.

Então,  aprendi a aproveitar tudo que a própria natureza me dá. Na compostagem orgânica uso folhagens, mato, esterco de galinha ou coelho, minhoca e outros itens naturais que vão adubar o solo. Hoje vejo que tem mercado para produção de agricultura orgânica na região, e já estou preparando o meu terreno para expandir e vender para a comunidade local.

 

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