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Amazônia
LIXO ELETRÔNICO

Descarte de lixo eletrônico é desafio de gestores ambientais do AM

Com o consumo crescente de computadores, smartphones e tablets, gestão dos resíduos é mais complicada 22/05/2016 às 15:20 - Atualizado em 23/05/2016 às 10:02
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Televisores, principalmente aqueles de modelos ‘antigos’, estão entre os ‘campeões’ de descarte nos lixões atualmente (Winnetou Almeida)
Marcela Moraes Manaus (AM)

Lixo eletrônico é todo resíduo material produzido pelo descarte de monitores, telefones celulares, baterias, computadores, televisores, câmeras fotográficas, impressoras entre outros equipamentos, cada vez mais presentes no nosso dia a dia. Com o aumento no consumo desses equipamentos, o lixo eletrônico tem se tornado um grande desafio para a gestão ambiental, quando descartado em locais inadequados.

É o que destaca a presidente da Comissão de Resíduos Sólidos da Universidade Federal do Amazonas (Ufam), Karime Bentes. Segundo ela, os eletrônicos podem trazer muitos riscos à saúde, pois contêm metais tóxicos que podem infiltrar no solo e causar doenças. “O consumismo atual, onde as pessoas compram diversos eletrônicos, como celulares, smartphones, notebooks e afins, tem levado à existência de muitos resíduos oriundos desses materiais. Os circuitos eletrônicos possuem metais pesados. Esses metais são perigosos e não podem ser jogados no lixo comum, pois irão contaminar o solo e, dependendo do nível de penetração, podem contaminar o lençol freático”, alertou.

Ainda de acordo com a professora, além de ser um risco ao meio ambiente e à saúde, o descarte irregular de lixo eletrônico é um crime previsto em lei. “De acordo com a Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS), o resíduo perigoso deve ser descartado corretamente, de forma a não contaminar o meio ambiente. Produtos ou peças eletrônicas que não têm mais utilidade devem ser entregues nas lojas que os vendem para que sejam devolvidos aos fabricantes, que são obrigados por lei a dar o destino correto aos resíduos, ou levá-los para centros de triagem para serem separados e reaproveitados”, explicou.

Reciclagem

Para o Presidente da Associação de Reciclagem e Preservação Ambiental (Arpa), Raul Lima, uma das soluções para o lixo eletrônico é a reciclagem. “Ou então vamos transformar o nosso mundo em um grande lixão. Precisamos ter mais preocupação com o nosso meio ambiente. São toneladas e toneladas de lixo que é produzido diariamente”, disse.

Lima explica que a associação que ele presid, vende em torno de 168 toneladas de resíduos mensalmente para as empresas recicladoras. “Coletamos de tudo um pouco: papelões, descartáveis, materiais eletrônicos como computadores, celulares, tv, entre outros. Tudo que é coletado é direcionado a indústrias no Estado de São Paulo, que realizam o trabalho de separação e, após este trabalho, os materiais são reciclados e devolvidos ao mercado consumidor”, salientou.

Quatro PEVs reforçam os trabalhos

Atrelado ao trabalho de associações como a Arpa, a Secretaria Municipal de Limpeza Urbana (Semulsp) mantém quatro Pontos de Entrega Voluntária (PEVs) em Manaus.

Os espaços servem para receber resíduos recicláveis separados pela população. Uma média de 48 toneladas de materiais recicláveis são recolhidos por mês nos quatro pontos. Ao todo, 17 associações se dividem em sete galpões espalhados pela cidade, funcionando em dois modelos: coleta porta a porta e entrega voluntária pelos PEVs.

A atividade de coleta seletiva em Manaus ainda é pequena, mas alcançou, este ano, um aumento de eficiência A taxa de recuperação de materiais recicláveis alcançou o índice de 1,2%. Em relação à coleta seletiva porta a porta, foram recolhidos 358 toneladas no primeiro semestre de 2015, com a média coletada por rota igual a 1,1 tonelada.

Mil toneladas de lixo

No ano de 2015, a Semulsp foi responsável pelo recolhimento de 1.013,873 toneladas de resíduos sólidos urbanos. Os resíduos coletados vão para o Aterro Sanitário. Ano passado, o montante de Resíduos Sólidos Urbanos (RSU) recolhidos pela Semulsp na capital amazonense sofreu acréscimo de 1,8% (18.035 toneladas a mais) em relação ao ano de 2014.

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