Quinta-feira, 21 de Novembro de 2019
Aves da Amazônia

Descoberta de novas espécies de aves alerta para ameaças à região amazônica

Ornitólogo que participou da descoberta se diz preocupado com o avanço do desenvolvimento a despeito da biodiversidade



1.png Com a descoberta das 15 novas espécies, o número de aves nativas do Brasil aumenta quase 1% chegando aproximadamente 1,8 mil pássaros conhecidos
11/06/2013 às 09:21

A descoberta de 15 novas espécies de aves na Amazônia é um alerta para a conservação da biodiversidade da região, mediante os avanços do desenvolvimento, que nem sempre vêm acompanhados da devida preocupação e responsabilidade ambiental. É o que afirma o ornitólogo Mario Cohn-Haft, principal descobridor do cancão-da-campina, nome popular de uma das novas aves, ao falar sobre o maior descobrimento da ornitologia brasileira nos últimos 140 anos.

“Todo mundo sabe que a Amazônia tem a maior biodiversidade do planeta. Mas é muito maior do que se sabe. Isso quer dizer que a região abriga muita coisa a ser descoberta e ser estudada, pois o potencial da região não está esgotado”, destacou Cohn-Haft, que é curador da seção de ornitologia do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), em Manaus.



Das 15 novas espécies de aves descobertas pela pesquisa na região, onze delas são endêmicas do Brasil e quatro podem ser encontradas também nos países do Peru e da Bolívia.

Mario Cohn-Haft, no entanto, chama a atenção para o perigo à biodiversidade da Amazônia ao se tomar decisões para o desenvolvimento da região sem rigor para o cumprimento das legislações ambientais vigentes, que visam a proteção do meio ambiente.

“Temos que cobrir o território amazônico de uma forma mais completa e sermos rigorosos e sérios sobre a importância de entender uma região antes de tomar decisões sobre o uso da terra, seja para construção de hidrelétricas ou produção agrícola, por exemplo”, alertou o ornitólogo.

Áreas ameaçadas

Para ele, que é um dos autores da descoberta, a Amazônia precisa ser preservada como um todo e não apenas uma parte dela.

“Cada lugar tem sua espécie. A maioria das espécies descobertas ocorre em área de desenvolvimento, que sofre com o desmatamento. A descoberta, portanto, é uma lição para a importância da conservação. É que essas espécies descobertas têm distribuição pequena na Amazônia. Ocorre só em um determinado lugar e esses lugares estão sofrendo por conta do desenvolvimento”, disse.

Espécie ameaçada

Das 15 novas espécies de aves descobertas na Amazônia, a maior é uma espécie de gralha,  com cerca de 35 centímetros de comprimento, que vive apenas na beira de campinas naturais localizadas em meio à floresta existente entre os rios Madeira e Purus, no Estado do Amazonas. De acordo com Mario Cohn-Haft, a espécie está ameaçada de extinção.

“Sua população naturalmente é muito pequena e é numa região onde tem muito projeto de desenvolvimento em processo de consolidação que é justamente na área da BR-319 (que liga Manaus a Porto Velho). O seu habitat está ameaçado. Uma estrada em si não faz nada, mas todo desenvolvimento que acompanha ela significa um perigo muito grande”, alertou o pesquisador .

Publicação especial em julho

As 15 novas espécies de aves descobertas na Amazônia serão conhecidas por meio de uma série de artigos científicos previsto para serem publicados em julho. As descobertas estarão reunidas num volume especial do Handbook of the birds of the World, da editora espanhola Lynx Edicions. Trata-se de uma coleção de 17 livros adotada como fonte de consulta por ornitólogos profissionais e amadores.

Segundo o ornitólogo Mario Cohn-Haft, a identificação das aves foi feita com base em três critérios - morfologia, o que inclui a plumagem; cantos e sons; e a análise genética - para garantir que são novas espécies. “É resultado de mais uma década no campo e em laboratório”, afirmou.

Os autores da descoberta pertencem a três instituições nacionais de pesquisa – Museu de Zoologia da Universidade de São Paulo (MZ-USP), Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), e Museu Paraense Emílio Goeldi (MPEG), de Belém – e ao Museu de Ciência Natural da Universidade Estadual da Louisiania (LSUMNS), dos Estados Unidos.


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