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Amazônia
Sustentabilidade

Evento discute papel de empresas no desenvolvimento sustentável da Amazônia

Workshop será realizado nesta quinta-feira (15), no Bosque da Ciência, em Manaus. Relações entre novas tecnologias e a sustentabilidade também serão alvo de debate 15/08/2018 às 20:58
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Em Juruti, a exploração de bauxita trouxe experiências positivas, conciliando a atividade com o desenvolvimento das comunidades. Fotos: Divulgação
Silane Souza Manaus (AM)

Qual o papel do setor empresarial, da inovação e das novas tecnologias no desenvolvimento sustentável na Amazônia? As respostas para esta e outras perguntas, que envolvem o progresso da região, a conservação da floresta e da biodiversidade, devem ser apresentadas nesta quinta-feira (16), durante o workshop “Dimensões Científicas, Sociais e Econômicas do Desenvolvimento da Amazônia”. O evento será realizado entre 8h30 e 17h, no auditório do Bosque da Ciência, bairro Petrópolis, Zona Sul de Manaus. 

Em entrevista ao Portal A Crítica, o gerente regional de sustentabilidade da Alcoa, Fábio Abdala, um dos palestrantes do workshop, disse que o desenvolvimento sustentável na Amazônia exige união de esforços entre a iniciativa privada, o setor público e a sociedade civil. Sem uma convergência entre essas partes, para ele, as práticas sustentáveis na maior floresta tropical do planeta não acontecem.

“É preciso trabalhar uma agenda comum. A sustentabilidade passa pelo social, público e privado e não ocorre de um dia para o outro. Os passos são dados aos poucos. Mas é uma coisa possível de ser feita, basta haver uma atuação em conjunto”, afirmou.

Abdala usou como exemplo a atuação da Alcoa em Juruti (PA), onde a empresa, líder mundial de produção e transformação de alumínio, tem uma mina de bauxita. A exploração do minério, geralmente, traz impactos negativos significativos ao meio ambiente e as populações do entorno, mas, conforme ele, não foi o que se viu na região. Os resultados dos quase dez anos de operação têm sido positivos para toda a sociedade e demonstram que é possível conciliar a atividade mineral e o desenvolvimento das comunidades tradicionais na Amazônia de forma sustentável, considerando os fatores socioambientais e econômicos.

Entre as contribuições da Alcoa ao desenvolvimento de Juruti, o gerente regional de sustentabilidade da empresa apontou a geração de emprego e renda. Atualmente, são 1.792 funcionários diretos e indiretos, dos quais 85,27% são paraenses, sendo 47,38% jurutienses; a arrecadação de royalties por parte das comunidades locais no valor de R$ 50 milhões; a entrega de 50 das 54 obras da “Agenda Positiva”, nas áreas de saúde, educação, assistência social, cultura, segurança, justiça e infraestruturas rural e urbana do município, o investimento de R$ 9,5 milhões em 88 projetos comunitários, entre outros.

Na questão do cuidado ambiental, Abdala destacou que empresa utiliza técnica inovadora na reabilitação das áreas mineradas: a nucleação. O método acelera o processo de formação natural do solo e deixa o ambiente mais próximo do original. Além disso, as comunidades jurutienses têm participação direta no processo, com cultivo, venda e plantio das mudas. 

 Clima, ecossistemas e biodiversidade

Os principais objetivos do workshop “Dimensões Científicas, Sociais e Econômicas do Desenvolvimento da Amazônia”, que acontecerá amanhã, são divulgar pesquisas financiadas pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) sobre o bioma amazônico e discutir de modo interdisciplinar os fatores científicos, sociais e econômicos do desenvolvimento da Amazônia. A participação é gratuita, mas os interessados devem se cadastrar antes no site da Fapesp.

O evento irá explorar aspectos do clima, funcionamento do ecossistema e biodiversidade, bem como questões socioeconômicas relacionadas ao atual projeto de desenvolvimento da Amazônia. Também será discutido, na ocasião, iniciativas do setor privado e organizações não-governamentais, que desempenharam um papel importante na construção da compreensão dos processos que afetam o desenvolvimento da Amazônia.

Entre os palestrantes estão pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP), da Universidade Federal do Amazonas (Ufam), do Inpa, do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (Ipam), além de representantes da Alcoa, Fundação Amazonas Sustentável (FAS) e Comando Militar da Amazônia (CMA).

Uma conferência similar será realizada em 24 de setembro deste ano em Washington, nos Estados Unidos da América (UEA).

Resultados serão apresentados

O diretor do Brazil Institute do Wilson Center, Paulo Sotero, enfatizou que o workshop “Dimensões Científicas, Sociais e Econômicas do Desenvolvimento da Amazônia” é uma oportunidade para divulgar a sociedade o resultado de importantes pesquisas sobre o bioma amazônico, que foram realizadas nos últimos anos. É também, segundo ele, uma forma de mostrar a importância que a região tem não só para as populações que nela vivem, mas para o Brasil e o mundo global. 

Entre os estudos recentes que serão apresentados no evento estão aqueles que abordam o “balanço do carbono na floresta amazônica e as mudanças ambientais” e a “interações entre o funcionamento da floresta amazônica e o clima”. Em relação ao primeiro tema, o pesquisador Celso von Randow, do Centro de Ciência do Sistema Terrestre do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), destacou que muitas perguntas ainda precisam de respostas, a única certeza é que devemos proteger não só o carbono, mas também a biodiversidade. 

Ele revelou que uma pesquisa recente do Inpe apontou que as emissões de carbono por incêndios florestais, durante secas extremas, estão superando as emissões associadas ao processo de desmatamento na Amazônia, o que pode afetar o progresso relacionado à redução das emissões de carbono provenientes do desmatamento na região. Além disso, segundo Randow, mostra também a importância de controlar a ação humana em relação ao desmatamento ilegal e de entender que as mudanças climáticas podem impactar a floresta de maneira importante.

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